segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Globo precisa assumir mais erros, além do apoio ao golpe de 64 e aos 21 anos de ditadura


Uma semana depois que as Organizações Globo -inicialmente via jornal O Globo e Jornal Nacional – fizeram o mea-culpa e reconheceram ter cometido um erro ao apoiar o golpe de 1964 e a ditadura militar por 21 anos, o quase pedido de desculpas continua repercutindo. O pedido de desculpas, realmente, não veio. A ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, fez do tema seu assunto deste domingo (ontem).

Ela registra que as Organizações Globo levaram praticamente 50 anos (completam-se no ano que vem) para reconhecer o erro. Meio século! E que reconheceram agora, acossadas pelas manifestações de rua que repetem o refrão “A verdade é dura / A Globo apoiou a ditadura”. Suzana diz que numa situação dessas o natural para um grande órgão de imprensa (no caso das Organizações Globo, um conglomerado) seria: “1) – ignorar a provocação; 2) – desmenti-la; 3) tentar justificar-se.”

A ombudsman diz que as Organizações Globo “surpreenderam ao não fazer nada disso”. Não se desculparam, é fato. Nem tinham como desmentir o apoio, é verdade. Então, só assumiram o erro! Ótimo o registro-lembrança dela de que todos os grandes jornalões, à frente Estadão, Folha, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, apoiaram o golpe e a ditadura. Uns menos tempo, outros mais, atravessaram a ditadura inteira – caso das Organizações Globo – apoiando o sistema.

E o reconhecimento de outros dois erros históricos?

Excelente, também, a lembrança de que a TV Globo ainda deve respostas a duas acusações que lhe são feitas porque o comportamento da emissora tentou trapacear a história do Brasil: resposta às acusações “de que fez uma cobertura pífia dos comícios da campanha das Diretas-Já e a de que favoreceu Collor na edição do debate presidencial com Lula em 1989″.

É fato. Por mais que fuja e até escreva livros a respeito, não há como a emissora escapar disso. Um dia terá que assumir o que fez e reconhecer que também aí, nessas duas situações, errou. Desde que sabotou a cobertura dos comícios das diretas há quase 30 anos (1984) e desde que favoreceu Collor há quase 24 anos (1989), a Globo desmente o que fez.

Diz que cobriu o 1º grande comício das Diretas-Já na Sé dia 25 de janeiro de 1984 – cobriu, mas dizendo que era festa do aniversário de São Paulo e não que era um ato pedindo eleições diretas de presidente. E insiste que deu critério jornalístico ao editar o debate Lula-C:ollor, o que é mentira.

Favoreceu o candidato Collor só dando os melhores trechos dele e os piores do candidato Lula. Nem Collor só teve momentos bons, nem Lula só momentos ruins, como saiu na edição daquele último debate da campanha presidencial de 1989.

Essas duas mea-culpas as Organizações Globo ainda devem

E, ainda agora, as Organizações Globo prosseguem em suas coberturas equivocadas. Agora, por exemplo, o jornal fez de tudo para diminuir, ridicularizar mesmo, as propostas e a ação do governo Dilma Rousseff no atendimento das demandas populares e das manifestações públicas iniciadas em junho. Particularmente a proposta de plebiscito, que inquestionavelmente atestam as pesquisas, tem apoio da maioria do povo.

É por isto que não há como deixar de registrar que entre os derrotados deste 7 de setembro, estão os articulistas dos grandes jornalões e alguns decanos do jornalismo que há dois meses vinham prevendo e desejando um 7 de setembro massivo contra o governo – o que nem as manifestações de junho foram. Não deu outra, fracassaram em suas previsões que na verdade eram convocações desavergonhadas e sem pudor. Não houve nada do que queriam ontem.