segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Demarcação de terras indígenas causa tensão entre etnia Mura, no Amazonas

Procurador de Justiça esteve em Autazes na última semana e afirma que área 'vive à beira de um conflito.

A comunidade amazonense Moyray, onde vivem cerca de 600 indígenas Mura, está à beira de um conflito por demarcação de terras. Localizada no município de Autazes (a 113 quilômetros de Manaus), a área concentra diversas aldeias com processos de demarcação em diferentes fases. A questão envolve grupos não-indígenas, pecuaristas e a população da cidade, já que uma das aldeias está inserida no perímetro urbano de Autazes.

De acordo com o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), além dos problemas para manter o domínio sobre as áreas habitadas, os Mura relatam escassez de peixes em função da constante presença de búfalos nos lagos onde costumam pescar. Os indígenas também reclamam da dificuldade de caça. Segundo eles, as fazendas transformaram a floresta em pastos.

Na última sexta-feira (27), procuradores do MPF/AM estiveram na comunidade para discutir o tema com lideranças e movimentos sociais. Aproximadamente 130 pessoas participaram do encontro, incluindo representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Fundação Nacional do Índio (Funai). A ação representou o primeiro encontro do projeto MPF em Movimento, projeto onde a Procuradoria da República no Amazonas (PR/AM) deixa a sede, em Manaus, e vai até as comunidades.

O procurador da República, Julio Araujo, afirmou que as reivindicações de tuxauas e caciques durante o encontro serão analisados pelo MPF para adoção das providências cabíveis. Ele declarou, ainda, que três ações civis públicas foram ajuizadas somente este ano, todas referentes a demarcação de terras indígenas do povo Mura.

Ameaça

Em julho deste ano, o coordenador secretário do Conselho Indígena Mura – CIM, José Cláudio Pereira dos Santos, de 31 anos, registrou Boletim de Ocorrência na delegacia de Autazes após receber ameaças de morte por telefone de número não identificado. Na ocasião, ele afirmou que a chamada sempre dizia a ele para se despedir da família porque ele vai morrer.

Claudinho Mura, como é conhecido, é filho de Cláudio Mura, um dos líderes do povo Mura que desde a década de 90 luta pela demarcação das terras indígenas nos municípios de Autazes e Careiro e foi um dos fundadores e coordenadores do CIM. Claudinho é o quinto indígena ameaçado de morte na região. As ameaças decorrem da luta pela demarcação das terras indígenas.