sábado, 24 de setembro de 2016

O que é pago em alguns países e grátis em outros.

Fast food nos EUA

De água mineral a tobogãs, diferentes países podem surpreender viajantes ao oferecerem de graça alguns produtos ou serviços normalmente pagos em suas nações de origem.

Paquistão - Praticamente todas as quitandas do país oferecem porções gratuitas generosas de coentro e pimenta verde, ingredientes comuns em pratos típicos locais. Uma tradição que também vigora no norte da Índia.


Estados Unidos - O fast-food surgiu nos EUA, mas a forma generosa com que os condimentos acompanham as refeições ali não foi algo que outros países quiseram importar. O americano John Baldwin viu isso de perto quando visitou um McDonald's no Reino Unido e notou a ausência de ketchup ao pedir um sanduíche. "Quando pedi o ketchup, ela (a atendente) cobrou 50 centavos de libra por apenas um pacotinho.

CingapuraA cidade-Estado asiática oferece molho chili de graça em qualquer restaurante, de casas típicas às redes internacionais.

Austrália - Com um clima propício para atividades externas, o país oferece um monte de opções gratuitas: parques australianos contam com chapas elétricas para um bom churrasquinho grelhado.  Você traz a carne e qualquer coisa a mais que queira cozinhar e precisa apenas apertar um botão para esquentar a chapa. Tudo o que o visitante precisa fazer depois é deixar a grelha limpa.


Eslováquia - A água mineral costuma ser vendida em quase todos os países, mas não na Eslováquia, onde nascentes estão em qualquer lugar.

Noruega - O país escandinavo tem leis que dão liberdade de movimento em áreas naturais como rios, lagos e campos, o que inclui direito de coletar livremente frutos e cogumelos e o de acampar durante a noite, mesmo que em propriedades particulares.

Quanto tempo dura uma relação sexual normalmente?


Não é fácil estabelecer uma forma científica de medir a duração do ato sexual. O que marca o começo? Como cronometrar? O estudo que chegou mais próximo de fazer uma medição confiável determinou qual o "tempo de latência da ejaculação intravaginal", ou seja, o tempo que demora desde a penetração do pênis até a ejaculação.

O estudo, feito na Universidade de Utrecht, reuniu dados de 500 casais heterossexuais de cinco países (Holanda, Reino Unidos, Estados Unidos, Espanha e Turquia). As mulheres receberam um cronômetro que disparavam no momento da penetração e acionavam novamente quando havia ejaculação. O resultado foi bem variado: de relações de 33 segundos a outras de 44 minutos.

"Tirar a média não resultaria em um número muito fidedigno por causa da grande variação, o mais sensato foi valorizar a mediana. Ou seja, aquele índice em que o maior número de casais concentrou as respostas - que foi 5,4 minutos", explica Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP (Universidade de São Paulo).

Ela lembra que a mediana foi decrescendo com a idade: homens de 18 a 30 anos tiveram, com mais frequência, penetrações de 6,5 minutos. Entre os mais velhos de 51 anos, a mediana foi de 4,3 minutos.

Ter ejaculação precoce já foi símbolo de virilidade

A importância da pesquisa, segundo Carmita, foi definir o tempo da ejaculação a ser considerado precoce para efeito de pesquisas. Esse tempo foi fixado em um minuto ou menos, depois da penetração. Ela explica que até os anos 1960, o ejaculador precoce era tido como mais viril, justamente por sua rapidez.

A liberação sexual feminina acarretou uma mudança de conceito: para conseguir sexo em sincronia com sua parceira, ser rápido deixou de ser interessante para ele. O homem passou a se adaptar ao tempo dela.

Carmita aponta que alguns fatores modificam a duração da penetração, mesmo em homens saudáveis. Isto ocorre quando há maior preocupação com o trabalho, com as finanças, estar vivendo um momento de insegurança no relacionamento ou até estar diante de uma parceira que considera mais experiente. Medicamentos podem alterar para mais essa duração, como é o caso de vários antidepressivos.

Pesquisa coordenada pela pesquisadora em 2008 mostrou que 25,8% dos homens brasileiros estão insatisfeitos com o tempo e o controle de sua ejaculação. Gostariam de mais tempo, antes de ejacular.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/04/27/quanto-tempo-dura-a-relacao-sexual-normalmente.htm?cmpid=tw-uolnot

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Empresário preso pela Federal na operação ‘Maus Caminhos’ tinha esquema na prefeitura de Artur.

Foto: Reprodução

O empresário Davi de Azevedo Fores, um dos presos pela Polícia Federal na operação “Maus Caminhos”, tinha contrato com a prefeitura de Artur Neto, e pior com dispensa de licitação. A empresa de Davi Azevedo, D De Azevedo Flores-ME, foi contratada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) por R$ 1,1 milhão para atuar no “enfrentamento do mosquito Aedes Aegypti, transmissor do Zika Virus”.

A dispensa de licitação foi assinada em 12 de fevereiro deste ano. No despacho de homologação da dispensa de licitação publicado no Diário Oficial do Município, especifica que a empresa foi contratada “pelo menor preço global, de empresa especializada na prestação de serviço continuado de telefonia para atuar na Central de Regulação do Programa Samu 192.

Como se vê, a Prefeitura de Artur também contratou empresa envolvida no escândalo de desvio de recursos da saúde.

Merendeira que concluiu mestrado em RR vira professora universitária.


A merendeira Luana Coutinho, de 39 anos, que em julho desde ano concluiu o curso de mestrado enquanto trabalhava na cantina de uma escola estadual de Roraima, agora volta para a instituição onde se graduou na posição de professora universitária. Nesta sexta-feira (23), ela ministrou a primeira aula.

No final de agosto, Luana participou de um seletivo para a contratação de professor universitário horista da Universidade Estadual de Roraima (UERR) e ficou classificada em segunda colocação. Ela possui licenciatura em química pela UERR e se especializou em ensino de ciências na mesma universidade.

Agora professora, Luana dará aula de química analítica I para o curso de química e estágio supervisionado IV para o curso de ciências da natureza, ambos no campus de Rorainópolis, município ao Sul de Roraima.

"É uma conquista muito grande. Meu primeiro emprego como professora já foi no nível superior. Estou muito feliz e me preparando bastante para as aulas", disse.

Luana passou por um processo seletivo que consistia em uma prova didática avaliada por uma banca de professores e prova de títulos. Ela concorreu com outros sete candidatos.

O contrato como professora horista terá duração de um ano, podendo ser prorrogado por mais um.

No novo cargo, ela ganhará R$ 46,40 por cada hora de aula ministrada. Como merendeira ela ganhava um salário mínimo.

"Estou muito feliz porque passei sete anos na UERR estudando na graduação e depois no mestrado e agora estou voltando como professora universitária", afirmou Luana.

Do trabalho como merendeira, Luana pediu uma licença de interesse particular. "Pedi licença para não causar nenhum prejuízo para o governo. Se precisar voltar quando terminar o contrato, vou retornar para a merenda porque é uma coisa segura já que sou concursada".

Mesmo com a conquista, Luana disse que buscará outros concursos e contratos para continuar trabalhando como professora. "Vou estar sempre me qualificando, buscando o melhor. Andar sempre para a frente. Não para trás".

DANTE DA REPERCUSSÃO NEGATIVA: Governo recua e mantém obrigatoriedade de artes e educação física.


O governo federal publicou nesta sexta-feira (23) o texto da medida provisória (MP) sobre a reforma do ensino médio. Com o novo texto, o Ministério da Educação (MEC) volta atrás e mantém a obrigatoriedade de artes, educação física, filosofia e sociologia até que seja concluída outra etapa da reforma. Além disso, o texto manteve em aberto questões sobre como será a aplicação prática das medidas.

A MP ainda terá de ser aprovada em até 120 dias pela Câmara e pelo Senado, caso contrário, perderá o efeito. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o texto da medida provisória havia passado apenas por ajustes técnicos jurídicos, além de uma revisão de português. A pasta negou mudanças no conteúdo da proposta.

O MEC incluiu um ponto no texto que determina que o ensino de artes, educação física, filosofia e sociologia continuem em vigor até o segundo ano letivo posterior à aprovação da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Na versão final do texto, assim como na prévia apresentada na quinta, as disciplinas obrigatórias citadas explicitamente pelo texto são somente português, matemática e inglês. 

O MEC considera que os demais conteúdos essenciais de todas as 13 disciplinas do ensino médio "antigo" estarão contemplados dentro do conteúdo obrigatório que deve ser definido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A BNCC deve ser concluída em "meados de 2017", segundo o ministério.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

“Não tem dinheiro para a saúde porque os recursos estavam sendo desviados para favorecer estas empresas”, afirma José Ricardo sobre a Operação da PF ‘Maus Caminhos’


O deputado estadual José Ricardo (PT) assinou hoje o pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o desvio de recursos públicos da saúde realizado por meio de entidades sociais sem fins lucrativos. A iniciativa de investigação é da deputada estadual Alessandra Campêlo (PMDB) e já conta com a assinatura de cinco parlamentares.

Nesta terça-feira, a Polícia Federal (PF), com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal, deflagrou a Operação “MAUS CAMINHOS”, que visa desarticular uma organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. De acordo com a PF, uma das fraudes foi na aquisição do sistema de gestão hospitalar, em que o instituto investigado pagou a uma das empresas do grupo criminoso o valor de mais de R$ 1 milhão por um serviço que poderia ser adquirido pelo estado pelo valor real de cerca de R$ 318 mil(superfaturamento de quase 400%). O montante desviado ilegalmente chega a superar R$ 112 milhões.

“Por isso diziam que não havia dinheiro para os hospitais e a manutenção das unidades de saúde. Esta aí a razão pelo qual o Governo do Estado propôs o fechamento dos Caics, Caimis, Policlínicas, Maternidades. Não tem dinheiro para a saúde porque os recursos estavam sendo desviados para favorecer estas empresas, que prestavam o serviço cobrando valores bem superiores aos praticados no mercado, e, que segundo as investigações, há casos em que pagamentos foram efetuados em duplicidade, e outros repassados a serviços não prestados”, criticou José Ricardo que, em maio de 2016, ingressou com representações no Ministério Público do Estado (MPE) e no Ministério Público Federal (MPF)para denunciar a proposta de “reordenamento” no sistema de saúde proposto pelo governo estadual, que consistia no fechamento de diversas unidades, e a precariedade desta área.

Como presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa, José Ricardo realizou Audiência Pública no Parlamento, que discutiu esse reordenamento com várias entidades como Defen­soria Pública do Estado (DPE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM), Conselhos Estadual e Municipal de Saúde, Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Sindicato dos Cirurgiões Dentistas, Cáritas Arquidiocesana. Neste debate, não estiveram presentes nem os secretários Municipal e de Estado da Saúde (Semsa) e (Susam) e nem representantes destas pastas apesar de terem sido convidados.

Fonte: Assessoria de Comunicação

sábado, 17 de setembro de 2016

Governo Melo: Terceirizados do '28 de Agosto' e Samu paralisam atividades devido salários atrasados.

Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto (Foto: Divulgação/Agecom)

Funcionários terceirizados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus, afirmam que estão a mais de três meses sem receber salários. Segundo a denúncia feita, a falta de pagamento inclui auxiliares de serviços gerais, enfermeiros, recepcionistas e técnicos de enfermagem. Procurada, a empresa responsável não se manifestou sobre o caso. O serviço de mamografia do 28 de Agosto está paralisado. 

Conforme uma funcionária, sempre que procuram a empresa D Flores, são informados de que o estado e município não fizeram os repasses de verbas para o pagamento de salários.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

TV Itacoatiara/ Rede Amazônica boicota pleito eleitoral?


Itacoatiara - AM: Uma das três maiores cidades do Amazonas, vive uma situação inusitada. É o único lugar do Brasil em que os eleitores têm menos informação de uma eleição para outra. Isto porque, a TV Itacoatiara, da Rede Amazônica, uma concessão pública - diga-se de passagem, resolveu não transmitir os programas eleitorais obrigatórios e gratuitos. E o mais curioso: alegando incapacidade técnica.

A emissora esteve presente na audiência pública do dia 19/8/16, realizada pelo Juízo Eleitoral da 3a Zona de Itacoatiara, do TRE Amazonas. Foi a única a não assinar a ata da reunião realizada. Seria algo premeditado?

Em 2012 a mesma emissora participou de audiência similar e não só assinou como gerou a transmissão dos programas eleitorais. Seria o primeiro caso de emissora que regride ao longo do tempo. A alegação: incapacidade de gerar, pois a mesma seria apenas retransmissora. Com esse frágil argumento, a Rede Amazônica entrou com um Mandado de Segurança contra o Juiz Eleitoral, Dr. Jorge Hamilton Barroso, pedindo a suspensão dos programas eleitorais obrigatórios, mesmo depois de já haver transmitido três programas dos candidatos a prefeito e suas inserções.

Ora, o que dizer então dos 660 mil reais recebidos pela emissora, pagos pela prefeitura para sua propaganda institucional, nos últimos anos. São quase 200 mil por ano para apenas retransmitir? Não houve uma propaganda oficial gerada a partir da cidade? A que corresponde estes valores então?

E sabe o que mais? O Dr. Abraham Campos Filho, juiz do TRE, deu provimento ao pedido do Mandado de Segurança, decretando a incapacidade da emissora e a falta de informação ao eleitorado de Itacoatiara, suspendendo os programas

Resta saber porque a emissora regrediu tecnicamente, o que ela veiculou para fazer jus ao pagamento de mais de 660 mil nos últimos quatro anos e qual o verdadeiro interesse por trás deste desserviço.

Outro fato muito comentado na cidade é a não realização do tradicional debate entre os candidatos a Prefeito, feito esse transmitido pela Rádio Difusora/CBN. A razão para a não realização do debate: motivo de "Força Maior".

Ao procurarmos alguns moradores, eles alegam que: "todos sabem aqui que o atual prefeito, Mamoud Amed, nunca comparece aos debates. Ele falta todos!!! Todo mundo sabe..."

Para quem teve a propaganda institucional paga e transmitida ao longo de mais de três anos, sem qualquer contestação, certamente não sentirá a ausência do programa eleitoral obrigatório, mas seus adversários sim.

Na verdade, ao que tudo indica, parece que o atual gestor não gosta de debater nada mesmo, inclusive não tem muito traquejo diante da telinha.

Ele gosta mesmo é de resolver "as coisas" nos últimos dias, no "apagar das luzes".

Mas, ao que tudo indica, dessa vez será diferente. Tem muita gente de olho em suas ações. É esperar para ver os próximos capítulos…

Fonte: http://blogdopavulo.blogspot.com.br/2016/09/tv-itacoatiara-da-rede-amazonica.html?m=1

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Vendendo churros a R$ 1 por 7 anos, mulher conclui faculdade de direito.


Depois de sete anos vendendo churros a R$ 1, uma moradora de Brasília realizou nesta terça-feira (13) o sonho de se tornar bacharel em direito. Maria Odete Silva, de 46 anos, trabalha 12 horas por dia na Rodoviária do Plano Piloto para garantir o dinheiro, que também banca a escola dos dois filhos adolescentes e mantém a casa da família. Em meio a outros 80 formandos, ela foi homenageada por um professor e ganhou um anel de formatura de uma amiga.

A mulher, que chegou a passar por imprevistos ao longo do curso por dificuldades financeiras, já traçou novas metas. “Ainda tenho o sonho de conquistar a OAB e ir para promotoria. Assim que Deus me permitir, [vou] estudar mais três anos e chegar à tão sonhada promotoria”, diz.

Para ela, o sucesso só foi possível por ter acrescentado amor e carinho à receita tradicional do doce – que leva farinha de trigo, sal, margarina, açúcar e baunilha. O produto é vendido nos sabores goiaba, chocolate, doce de leite e misto.

O início não foi fácil. Maria Odete chegava a ir para a faculdade só para assinar chamada e então ir para a rodoviária para começar a vender os churros, para não deixar de ganhar dinheiro. Por vezes, funcionários da loja de calçados do irmão precisaram socorrê-la enquanto ela corria para fazer provas. Os estudos e exercícios eram feitos em um banco atrás do carrinho. Os livros eram todos da biblioteca. A mulher passou a contar com a ajuda do marido na venda dos 10 kg de churros fabricados por dia.

“Tive medo de não conseguir. Entre o sétimo e o oitavo semestre, eu quase desisti. Eu achava que não dava conta, porque as matérias estavam cada vez mais difíceis e eu pensava ‘eu não vou dar conta, não vou dar conta’. Teve um semestre que fiquei todinho sem pagar, que tive dificuldade financeira”, lembra. “Minha professora me viu falando isso, entrou e disse: ‘se você chegou até aqui, você consegue muito mais’. Ela dizia que seria uma honra entregar minha carteirinha da OAB e que ainda iríamos advogar juntas. Isso me incentivou ainda mais.”

Maria Odete conta que sempre teve o apoio dos colegas, que emprestavam anotações e a lembravam das datas de prova e trabalhos. O filho caçula, que sonha em seguir a mesma carreira, e a filha mais velha, que pretende fazer medicina, também estimulavam a mulher nos momentos de dificuldade. Ela diz que a única pessoa que a questionou sobre a necessidade do estudo foi o marido, durante uma discussão.

“Ele falou em um momento estressado, disse que não sabia o porquê desse curso que faço, não sabia o porquê, desculpa pela expressão, essa ‘merda’ de faculdade. Mas nunca fui por ele, sempre quis crer que eu era capaz. Não sei se ele achava que eu não tinha capacidade ou que era fogo de palha. Mas eu sei para quê eu faço. Eu sei, quero provar não só para ele mas para mim mesma que sou capaz”, disse a vendedora de churros.

A mulher afirma que outra razão para insistir no curso foi a crença de que estudar liberta. “Você aprende muito, você cresce muito, você aprende a ver as coisas de outro jeito, abre sua mente. Sempre pensei isso, mas não tinha oportunidade. Pelo cansaço, sabe. Aí um dia pus na minha mente e pensei: ‘não, vou estudar agora’. Se eu não arranjasse esse agora logo, ele nunca viria. Fiz o EJA e pensei que era a minha hora de vencer.”

Na plateia durante a formatura, a família estava orgulhosa. “Ela merece, é uma guerreira e estamos aí junto com ela”, disse o gerente comercial Marcos Dias. “Muito importante para ela. Ela conseguiu tantas coisas. Conquistou e foi muita luta, então foi bem legal isso aí para ela”, afirma a filha, Mayara Cristina da Silva. “É muito legal ver isso tudo que ela passou, que vem passando, e [ela] estar aí agora”, completou o filho, Marcos Dias Júnior.

Entre os sonhos de Maria Odete junto à carreira de direito estão conseguir levar os filhos à Disney, viajar pelo Brasil e trocar o carro da família. “Eu também queria ter uma casa. Eu pensava, quando trabalhava nas casas de família, via aquelas salas bonitas, pensava ‘um dia vou ter uma sala dessas, uma casa desse jeito’. A casa do meus sonhos é com uma sala bonita, confortável, que eu me sinta bem. Nunca tive privacidade. Meus filhos também querem ter o canto deles. Eu queria uma casa com um quarto para cada, em Vicente Pires mesmo. E uma casa com piscina, já imaginou? Aí é sonho demais, é bom nem pensar, porque o tombo é alto.”.

Trajetória difícil
A vendedora de churros Maria Odete Silva, que pagou a faculdade de direito e escola dos filhos comercializando doces a R$ 1 em Brasília (Foto: Raquel Morais/G1)

Maria Odete passou os quatro primeiros anos de vida com a avó em Araçuaí, no interior de Minas Gerais. A mãe era doméstica em São Paulo e mandava dinheiro todo mês para os gastos com ela e os dois irmãos. Depois, as crianças foram morar com a mulher, na casa de uma tia.

Quando Maria Odete tinha 7 anos, a mãe decidiu voltar para MG com os dois meninos. A despedida foi também a última vez que ela viu a mulher, que morreu quatro anos depois ao cair e ser atropelada por um caminhão de boias-frias. Aos 12, ela abandonou a escola e passou a trabalhar como doméstica.

“A vida foi boa não, mas o mundo nos criou. Agradeço a Deus que, tínhamos tudo para ir para o lado errado, mas Deus nos orientou e nos criou certinho”, diz.

Aos 17 anos, Maria Odete decidiu fazer o supletivo até a 8ª série. Dois anos depois ela se casou e se mudou para o interior, onde passou a trabalhar na colheita de algodão e amendoim. O relacionamento acabou três anos e meio depois, por causa de ciúmes, e a mulher voltou para São Paulo para voltar a ser empregada.

Anos depois ela conheceu o atual marido e teve os filhos – Mayara, com atualmente 17 anos, e Júnior, com 15. Uma enchente destruiu tudo o que eles tinham em casa, e a então patroa os ajudou emprestando um apartamento e dinheiro para a reforma.

“Ela pagava as contas, não precisei me preocupar com nada. Ela foi uma mãezona, a mãe que eu não tive. Ela pegou minha roupa toda cheia de lama, lavou tudo para mim, me ajudou a lavar a enchente. Eu trabalhava para pagar. Ela ia descontando o valor”, lembra.

Já de volta à casa da família, Maria Odete se viu incomodada. “Um dia eu acordei de manhã, meu filho queria pão. Eu não tinha dinheiro para comprar pão. Minha tia [com quem morou na infância] me deu R$ 10. Eu pensei bem e decidi comprar bala, pirulito e chiclete. Peguei um caixote, de uma tampa de guarda-roupa que eu perdi na enchente, forrei e comecei a vender meus docinhos. Fazia isso à tarde, na porta de casa, depois de chegar do trabalho.”

A mulher viu que a ideia funcionava e passou também a vender espetinhos. O dinheiro continuava no limite da necessidade. A vendedora de churros conta que um dia conseguiu juntar uma quantia para comprar pastel, mas acabou desistindo ao ser abordada por uma criança com fome.

“Ele era mais carinho e bem gostoso. Eu estava toda animada, peguei o dinheirinho pensando ‘hoje vou levar meu pastelzinho, uma delícia’. Mas aí um menino me abordou porque queria comida, uma bolacha recheada. Aí dei o dinheiro para ele. Fui com ele comprar uma bolacha para ele no mercado. Fiquei sem meu dinheiro, mas achei melhor dar para ele do que para mim. Pensei: ‘depois eu como’. Mas não comi até hoje”, ri.

Maria Odete diz não se lembrar de passar fome, mas afirma que a tia costuma contar algo diferente. “Ela fala que, quando eu era pequenininha, não tinha comida para me dar. Aí ela fazia uma chupetas com açúcar ou rapadura e farinha e punha na minha boca, para eu parar de chorar.”

A vendedora de churros, que já precisou esperar dois meses para juntar dinheiro suficiente para comprar um livro de menos de R$ 100 para a faculdade, afirma ter orgulho da própria trajetória.

“Acho que a gente trabalhando a gente vence. E é o que quero deixar para os meus filhos, que você só vence com luta. Sempre falo para eles que a mãe não pode deixar nada para eles, só o conhecimento, o estudo. Isso ninguém pode roubar deles. Não quero que eles passem o que eu passei. Estudo é a única herança que consigo deixar para eles, nem se alguém puser uma arma na cabeça deles consegue roubar isso”, conclui.

Vinda para Brasília e escolha do curso
Maria Odete morava com o marido e os filhos em São Paulo, mas decidiu se mudar para a capital federal em busca de tratamento médico para o caçula, que tinha problemas para respirar e precisava viver em um lugar com menos poluição. A mulher viu na mudança uma oportunidade de romper com a rotina de empregada doméstica e deixar para trás todas as limitações da vida “sem nada além de arroz e feijão” que a família levava.

Ela passou então a viver com a família na casa do irmão mais novo, em Vicente Pires – a 20 quilômetros do local onde trabalha. O único quarto, que a obriga a dividir a cama com a filha mais velha enquanto o marido e o filho dormem no chão, virou sinônimo de conquista e estímulo. Maria Odete passou a vender calçados na loja do irmão na rodoviária. Uma colega deu então a ideia de aprender a fazer os doces, que ela abraçou sem ressalvas.

“Ela [a colega] me levou, me ensinou a fazer a massa. Foi assim”, lembra sorrindo. “Desde então eu acordo às 5h40 para preparar as coisas e trabalho de domingo a domingo, de 8h às 20h. Sou cheia de calos e queimaduras, aqui não tem espaço para mão lisinha. E sou muito feliz. Aos poucos, dentro do que alcanço com meus passos, tenho conseguido alcançar tudo.”
No contato com os clientes, Maria Odete imaginou como seria se tivesse curso superior.

Depois de conciliar o trabalho com as aulas do Ensino para Jovens e Adultos (EJA), ela entrou para uma faculdade particular de direito na Asa Sul aos 41 anos. As atividades aconteciam pela manhã. A mulher já apresentou o TCC, sobre as dificuldades do governo em lidar com invasões de áreas de proteção permanente, e atualmente refaz quatro matérias.

“Eu escolhi esse curso pela minha idade, já estava em uma idade avançada, e o campo de direito é amplo. Para trabalho, quero passar em concurso público. Penso em ser promotora de Justiça. Quero fiscalizar leis. Quero ser uma fiscal das leis. Quero ajudar um pouco as outras pessoas”, explica.

Fonte: http://www.livrosepessoas.com/2016/09/14/vendendo-churros-a-r-1-por-7-anos-mulher-conclui-faculdade-de-direito/

Lula: Perseguição a mim é pelas coisas boas que fizemos.

Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Na avaliação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram os sucessos das gestões do PT que motivaram o ódio ao partido. A declaração foi dada durante pronunciamento na tarde desta quinta-feira (15), um dia após a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

Em um discurso emocionado, que durou mais de uma hora, o ex-presidente destacou que a lógica de parte do Poder Judiciário “não é mais os autos do processo” e sim das manchetes dos meios de comunicação, interessados em ter alguém para “criminalizar e demonizar”.

“Conquistei o direito de andar de cabeça erguida nesse País. Tenho convicção que quem mentiu está num enrascada. Provem uma corrupção minha, que eu irei a pé para ser preso”, afirmou.

Lula começou sua fala dizendo que não faria um pronunciamento como ex-presidente, como alguém perseguido ou que reivindica algum favor, mas como um “cidadão indignado”.

Lula afirmou que respeita as instituições do estado brasileiro e lembrou que foi em seu governo e no da presidenta Dilma Rousseff que o Ministério Público e a Polícia Federal foram fortalecidos.

“Quero o Ministério Público e a Polícia Federal cada vez mais fortes, mas cada vez mais responsáveis. Ninguém acredita na instituições fortes mais do que eu, porque somente com instituições fortes a gente garante a democracia”, afirmou.

E pediu que os membros do Ministério Público tenham atenção, para que “meia dúzia de pessoas não estraguem uma instituição tão importante”.

Convicção

Lula chamou a denúncia apresentada pelo MPF de “espetáculo de pirotecnia” para justificar a mentira que foi construída, “como se fosse um enredo de uma novela” e que agora precisam concluir a história, escolhendo os bandidos e os mocinhos.

“Ontem eu não quis ficar zangado, mas não compreendia aquilo. Como você convoca uma coletiva, gasta dinheiro público, para dizer que não tem prova, mas tem convicção?”, indagou.

O ex-presente comparou com o caso dos mais de 400kg de cocaína encontrados em um helicóptero que pertencia à família do senador Zezé Perrella (PTB-MG).

“Tenho a convicção que é possível mudar esse País e tenho prova, porque mudei o País. Promovi a maior inclusão social que este País já viu sem dar um tiro, usando os instrumentos da democracia”, destacou.

E garantiu: “Não tenho a vocação do Getúlio para me dar um tiro, nem a do Jango para sair do Brasil. Se quiserem me tirar, vai ter que ser na urna”.

Desvio de conduta

Ainda nesta quinta-feira (15), os advogados de Lula informaram que dariam entrada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em acusação de desvio de conduta de membros do MPF no caso da coletiva de ontem.