terça-feira, 29 de novembro de 2016

Avião com equipe da Chapecoense cai na Colômbia e deixa mortos

Rota da aeronave que transportava o time da Chapecoense até Medellín (Foto: Editoria de Arte/G1)

O avião que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, sofreu um acidente na madrugada desta terça-feira (29), informam autoridades colombianas. Segundo autoridades colombianas, há 76 mortos e cinco sobreviventes. O avião da LaMia, matrícula CP2933, decolou de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com 81 pessoas a bordo: 72 passageiros e 9 tripulantes.

Segundo o Aeroporto Internacional José Maria Cordova, de Medellín, os cinco sobreviventes são os jogadores Alan Ruschel, Danilo e Follmann, o jornalista Rafael Henzel e a comissária Ximena Suarez.

O ex-jogador Mario Sergio, comentarista do canal FoxSports, está entre as vítimas, segundo o Bom Dia Brasil.

Os jogadores da equipe de Santa Catarina são os goleiros Danilo e Follmann; os laterais Gimenez, Dener, Alan Ruschel e Caramelo; os zagueiros: Marcelo, Filipe Machado, Thiego e Neto; os volantes: Josimar, Gil, Sérgio Manoel e Matheus Biteco; os meias Cleber Santana e Arthur Maia; e os atacantes: Kempes, Ananias, Lucas Gomes, Tiaguinho, Bruno Rangel e Canela.

O acidente

Segundo a imprensa local, a aeronave com o time catarinense perdeu contato com a torre de controle às 22h15 (local, 1h15 de Brasília) e caiu ao se aproximar do Aeroporto José Maria Córdova, em Rionegro, perto de Medellín.

O Comitê de Operação de Emergência (COE) e a gerência do aeroporto informaram que a aeronave se declarou em emergência por falha técnica às 22h (local) entre as cidades de Ceja e La Unión. Anteriormente, a imprensa colombiana informou possível falta de combustível como causa do acidente. Mas a mídia local informou que o piloto despejou combustível após perceber que o avião iria cair.

Final de campeonato

O time da Chapecoense embarcou para a Colômbia na noite de segunda (28), para disputar a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, na quarta (30). Inicialmente, a delegação embarcou em um voo comercial de São Paulo até a Bolívia. Lá, o grupo pegou um voo da LaMia.

Em comunicado, o clube de Santa Catarina informou que espera pronunciamento oficial da autoridade aérea colombiana sobre o acidente.

Em seu perfil no Twitter, o Atlético Nacional lamentou o acidente e prestou solidariedade à Chapecoense: "Nacional lamenta profundamente e se solidariza com @chapecoensereal pelo acidente ocorrido e espera informação das autoridades".

O primeiro jogo da decisão, marcado para esta quarta-feira (30), foi cancelado, segundo a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A CBF adiou a final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético Mineiro, que também estava prevista para quarta-feira.

O Itamaraty, pelo telefone, informou que a embaixada do Brasil em Bogotá está em contato com as autoridades colombianas para obter informações sobre o acidente. A assessoria informou que as notícias ainda chegam desencontradas.

O Ministério das Relações Exteriores vai esperar um posicionamento oficial sobre vítimas e circunstâncias do acidente para se pronunciar. Está previsto que divulguem uma nota oficial ainda agora de manhã. O embaixador em Bogotá se chama Julio Bitelli.

A companhia

A LaMia (Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación) é uma companhia de aviação que foi inicialmente constituída na Venezuela no ano de 2009 e depois mudou sua sede para a Bolívia (Santa Cruz de la Sierra). A empresa vem sendo desenvolvida para voos não regulares (charter), com o objetivo de permitir o desenvolvimento de atividades no país e no exterior, com aeronaves de grande porte - de passageiros e de carga.

Veja, abaixo, a relação de quem estaria a bordo, segundo a rádio Caracol:

Delegação da Chapecoense:
Alan Ruschel
Ananias Monteiro
Arthur Maia
Bruno Rangel
Aiton Cesar
Cleber Santana
Marcos Padilha
Dener Assunção
Filipe Machado
Jakson Follmann
José Paiva
Guilherme de Souza
Everton Kempes
Lucas da Silva
Matheus Btencourt
Hélio Zampier
Sérgio Manoel Barbosa
William Thiego
Tiago da Rocha
Josimar
Marcelo Augusto
Mateus Lucena dos Santos
Luiz Saroli
Eduardo Filho
Anderson Araújo
Anderson Martins
Marcio Koury
Rafael Gobbato
Luiz Cunha
Luiz Grohs
Sérgio de Jesus
Anderson Donizette
Andriano Bitencourt
Cleberson Fernando da Silva
Emersson Domenico
Eduardo Preuss
Mauro Stumpf
Sandro Pallaoro
Gelson Merísio
Nilson Jr.
Decio Filho
Jandir Bordignon
Gilberto Thomaz
Mauro Bello
Edir De Marco
Daví Barela Dávi
Ricardo Porto
Delfim Pádua Peixoto Filho

Profissionais de imprensa
Guilherme Marques, da Globo
Ari de Araújo Jr., da Globo
Guilherme Laars, da Globo
Giovane Klein Victória, da RBS
Bruno Mauri da Silva, da RBS
Djalma Araújo Neto, da RBS
André Podiacki, da RBS
Laion Espíndola do Globo Esporte
Victorino Chermont da Fox
Rodrigo Santana Gonçalves da Fox
Devair Paschoalon da Fox
Lilacio Pereira Jr. da Fox
Paulo Clement da Fox
Mário Sérgio da Fox
Rafael Valmorbida - Rádio FM
Renan Agnolin - Rádio FM
Fernando Schardong - Rádio AM
Edson Ebeliny - Rádio AM
Gelson Galiotto - Rádio AM
Douglas Dorneles - Rádio AM
Jacir Biavatti - Rádio FM
Ivan Agnoletto - Rádio AM

Tripulação:
Miguel Quiroga
Ovar Goytia
Sisy Arias
Romel Vacaflores
Ximena Suarez
Alex Quispe
Gustavo Encina
Erwin Tumiri
Angel Lugo

Fonte: G1.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

PSOL protocola pedido de impeachment contra Temer


Parlamentares do PSOL protocolaram hoje (28) um pedido de impeachment do presidente da República Michel Temer. O documento argumenta que Temer incorreu em crime de responsabilidade contra a probidade na administração pública durante o episódio envolvendo os ex-ministros da secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e da Cultura, Marcelo Calero.

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero pediu demissão do cargo no último dia 18 e alegou que o ministro Geddel Vieira Lima o pressionou a intervir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador, onde ele adquiriu um imóvel. Segundo depoimento prestado por Calero à Polícia Federal, o presidente Michel Temer também o teria abordado a respeito da situação. Ontem, Temer argumentou que estava apenas "arbitrando conflitos" entre decisões divergentes de um órgão público.⁠⁠⁠⁠

CALERO, O CAVALO DE TROIA - Por Bruno D'Almeida


Marcelo Calero, que já foi Secretário de Cultura do Rio de Janeiro, foi Ministro da Cultura de Temer por uma indicação política do PSDB. O cara chegou chegando, com provas gravadas de corrupção envolvendo Geddel e Michel Temer, com direito à cobertura da mídia. Isso explica muita coisa no processo de tentativa de higienização do golpe e retirada do PMDB do comando. 

A briga agora não é mais entre esquerda e direita. Essa briga já perdemos desde a deposição de Dilma. A disputa pelo poder é entre as forças políticas que engendraram o golpe. Três setores da direita agora se digladiam: o PMDB, PSDB e conservadores evangélicos. 

Parece que o PSDB encontrou um caminho para sacar Temer do poder, e o Congresso ser obrigado a realizar eleições indiretas para presidente da república no início de 2017. Um caminho melhor do que a anulação da chapa Dilma-Temer no TSE. Se conseguir, o golpe vai ficar mais perfumado, sem a cara feia bostética de Gilmar Mendes dando canetada. E Sérgio Moro vai continuar fazendo sua parte dentro do consórcio: está prendendo meio mundo de políticos do PMDB para pagar de imparcial. Serão poupados os ladrões do PSDB, que serão incensados nessa ópera bufa como heróis da salvação nacional.

Estamos assistindo impávidos ao desmonte da democracia. Uma novela eletrizante, que vai continuar destruindo direitos do trabalhador e vendendo ao capital estrangeiro as riquezas do estado. Que morte horrível, Brasil. A questão fundamental é se continuaremos meros expectadores das cenas dos próximos capítulos, ou se teremos capacidade de reação para tomar o protagonismo.

TEMOS QUE IR PRA RUA!!! É agora ou nunca!

domingo, 20 de novembro de 2016

José Ricardo e Alessandra Campêlo realizam Sessão Especial para tratar da Campanha Estadual de Combate à Violência contra a Mulher com 16 dias de ativismo

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Será realizada no próximo dia 24, às 11h, no plenário da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Sessão Especial para tratar da Campanha Estadual de Combate à Violência contra a Mulher com 16 dias de ativismo, que começa dia 20 de novembro e vai até 10 de dezembro. A autoria da discussão é do deputado José Ricardo Wendling (PT) e da deputada Alessandra Campêlo (PMDB).

Na semana passada, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Aleam aprovou Projeto de Lei de autoria de José Ricardo que institui a Campanha Estadual de Combate à Violência contra a Mulher com 16 dias de ativismo como parte do calendário oficial de eventos do Estado. Essa propositura, que foi apresentada em outubro do ano passado, passará agora para a apreciação de outras comissões técnicas da Casa até seguir para votação em plenário.

“Esse movimento tem o objetivo de imprimir na população uma cultura de proteção à mulher e, com isso, reprimir a violência e garantir o direito ao respeito à vida, à dignidade, à cidadania delas”, explicou o parlamentar, destacando ainda que é importante envolver a população nesta campanha, porque, infelizmente, a violência contra as mulheres ainda é uma realidade e precisa ser combatida. “Lutar para assegurar os direitos das mulheres é proteger mais da metade da população brasileira. Reconhecer o papel da mulher na sociedade significa está em sintonia com os avanços da sociedade moderna. Por isso, é muito importante discutirmos mais esse assunto nesta Casa, que é do povo, e, da mesma forma, pedir o apoio dos parlamentares para que esse projeto seja aprovado nas demais comissões da Assembleia e também no plenário”. 

A campanha foi criada no âmbito internacional em 1991 por 23 feministas de diferentes países. No Brasil, a campanha começa no dia 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra, e termina no dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em junho de 2013, um terço das mulheres de todo o mundo é, ou, já foram vítimas de violência física ou sexual. Em 2013, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) registrou uma média de 157 denúncias de crimes contra mulher diariamente. E, nos últimos 30 anos, cerca de 91 mil mulheres foram assassinadas no País.

Fonte: Assessoria de Comunicação

MORADORES DA VILA DE LINDÓIA FECHAM AM-010 EM PROTESTO PELO ABANDONO NA SAÚDE


Com sentimento de revolta e desesperados pelo abandono total na área de saúde, os moradores da Vila de Lindóia (169 quilômetros de Manaus), fecharam Rodovia Estadual AM-010 (Manaus-Itacoatiara) na tarde de hoje (20), alegando que só irão liberar a estrada com a presença do prefeito de Itacoatiara ou governador do Estado. Os moradores exigem um posicionamento de alguma autoridade sobre a falta de políticas públicas para a vila. A gota d'Água foi a morte ontem de um garoto por falta de atendimento. A Vila de Lindóia tem cerca de 4.000 moradores.


A comunidade de Lindóia desenvolveu-se à margem direita do Rio Urubu. Os primeiros moradores viviam da caça e da pesca que na região era abundante, atualmente com o crescimento da população e o aumento da caça e pesca predatória houve uma diminuição enorme sobre esses animais.Com a diminuição da fonte de alimento os ribeirinhos migraram para a comunidade em busca de melhores dias, o que trouxe pobreza e miséria para muitos, pois a ajuda do governo não é suficiente para suprir as necessidades dos moradores da comunidade que dependem do assistencialismos governamental

Com a chegada da “urbanização” vieram também as doenças, pois algumas pessoas passaram a jogar o lixo nos igarapés, somado a isso veio a malária que provocou pânico na comunidade. As moradias eram construídas próximas aos igarapés. O crescimento da comunidade baseou-se em um projeto da Emater-Am com a plantação de seringueiras para a extração do látex (que fracassou) o solo não fértil para o cultivo de seringa e como sempre os projetos do governo sem a preocupação da correção do solo para que o projeto obtiver-se sucesso.

RACISMO E PRECONCEITO - Por Carlos Santiago*


A cultura racista e de preconceitos contra negros no Brasil é imensa. É um absurdo e também contraditória: nunca se falou tanto em Deus Salvador como nos nossos dias, nunca se abriu tantas igrejas, jamais tivemos um povo com tamanha instrução superior, nunca tivemos uma população majoritária na classe média como agora e muita distribuição de renda, as informações nunca foram tão esclarecedora como nos nossos tempos, jamais na história da humanidade se produziu tecnologias usadas para interação social. No entanto, a ignorância, o crime de racismo e os preconceitos contra os negros só crescem!

Quando criança, morador de uma lixeira, eu tinha dezenas de crianças negras como coleguinhas, na hora da chegada do caminhão para despejar o lixo, presenciei que os operadores dos carros sempre entregavam os melhores descartáveis para os meninos (as) brancos (as).

Cresci testemunhando vários casos de preconceitos e racismo contra negros. Entrei nas faculdades e não vi meus coleguinhas de infância, nem no curso de Ciências Sociais (Ufam), nem o Curso de Letras (UEA) e de Direito (Martha), nas pós-graduações jamais.

Não tenho orgulho desse tipo de Brasil. Não posso esquecer que dos 500 anos do País, 380 anos foram de escravidão, uma época em que um Ser Humano era apenas propriedade do outro.

Precisamos entender que todos somos Seres Humanos. A grande riqueza da vida está justamente nas diversas culturais dos Humanos: suas origens, credos, sentimentos e .....
Não suporto um povo que ainda é incapaz de entender isso.
Não estou feliz!

*CARLOS SANTIAGO é Sociólogo e advogado.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ex-governador Sérgio Cabral é preso no Rio em operação da PF ligada à Lava Jato

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB) foi preso na manhã desta quinta-feira (17), em sua casa, no Leblon, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, durante operação deflagrada pela Polícia Federal, em ação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal do Brasil (RFB).

A Operação Calicute é resultado de investigação em curso na força-tarefa da Operação Lava jato no Estado do Rio de Janeiro em atuação coordenada com a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, e tem o objetivo de investigar o desvio de recursos públicos federais em obras realizadas pelo governo do Rio. O prejuízo estimado é superior a R$ 220 milhões.

A apuração identificou fortes indícios de cartelização de grandes obras executadas com recursos federais mediante o pagamento de propinas a agentes públicos, entre eles, Sergio Cabral, que foi conduzido para a Superintendência da PF, na Praça Mauá, zona portuária da cidade.

Outras prisões

No início da manhã também foi preso o assessor de Cabral, Wagner Jordão Garcia, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Duzentos e trinta agentes cumprem 38 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisões temporárias e 14 mandados de condução coercitiva expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, além de 14 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e um mandado de prisão temporária expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

O nome da operação é uma referência às tormentas enfrentadas pelo navegador Pedro Álvares Cabral a caminho das Índias.

A operação é mais uma etapa ligada à delação premiada da Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia. Ela ocorre um dia após a prisão do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, mas as prisões não têm ligação.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Tereza de Benguela, uma heroína negra

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Dia 25 de julho é data para celebrar o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. O nome é, segundo a ex-senadora e autora do texto Serys Slhessarenko, uma forma de criar um ícone para as mulheres negras do país. “É preciso criar um símbolo para a mulher negra, tal como existe o mito Zumbi dos Palmares. As mulheres carecem de heroínas negras que reforcem o orgulho de sua raça e de sua história”, afirmou Serys.

“Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Ela liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados. Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século. Tereza foi morta após ser capturada por soldados em 1770 – alguns dizem que a causa foi suicídio; outros, execução ou doença.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais. Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo”.

Após ser capturada em 1770, o documento afirma: “em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem”. Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777 foi novamente atacado pelo exército, sendo finalmente extinto em 1795.

Injustiças centenárias

Números do IBGE apontam que ser mulher negra no Brasil significa sofrer com uma intensa desigualdade, como no campo profissional por exemplo. 71% das mulheres negras estão em ocupações precárias e informais, contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos. O salário médio da trabalhadora negra continua sendo a metade do salário da trabalhadora branca. Mesmo quando sua escolaridade é similar à escolaridade de uma mulher branca, a diferença salarial gira em trono de 40% a mais para esta.

A história da “Rainha” foi relembrada em 1994 pela escola de samba Unidos da Viradouro no samba-enredo “Tereza de Benguela, uma rainha negra no Pantanal”.

Fontes da pesquisa

CRUZ, Tereza Almeida. Um estudo comparado das relações ambientais de mulheres da floresta do Vale do Guaporé (Brasil) e do Mayombe (Angola) – 1980 – 2010. 2012. 367 f. Tese (Doutorado em História) – Curso de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012.

FARIAS JÚNIOR, Emmanuel de Almeida. Negros do Guaporé: o sistema escravista e as territorialidades específicas. Revista do Centro de Estudos Rurais – UNICAMP, v.5, nº2, setembro de 2011. Disponível em . Acesso em 25 de julho de 2014.

Anthony Garotinho é preso pela PF

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Ex-governador do Rio e atual secretário de Governo de Campos do Goytacazes, no Norte Fluminense, Anthony Garotinho foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira. Garotinho estava envolvido em um esquema de compra de votos, de acordo com o delegado responsável pela investigação, Paulo Cassiano Junior.

Uma associação criminosa foi montada para fraudar as últimas eleições no município de Campos dos Goytacazes, segundo a polícia. A prisão ocorreu por volta das 10h, no apartamento do político, na Rua Senador Vergueiro, número 154, no Flamengo, Zona Sul do Rio.

Ele foi alertado que policiais estavam na portaria do edifício para cumprimento do mandado de prisão, desceu e se entregou. Na garagem, uma viatura da PF já o aguardava. A PF informou que cumpriu mandado de busca e apreensão no imóvel. 

Anthony Garotinho foi levado para a superintendência da Polícia Federal no Rio, na Praça Mauá. A deputada federal Clarissa Garotinho está no local acompanhando o pai. 

O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, na Operação Chequinho da Polícia Federal, que investiga o uso eleitoral do programa "Cheque Cidadão".

Em outubro, a PF prendeu três vereadores de Campos por suposto envolvimento no esquema - Kellenson Ayres Figueiredo de Souza (PR), Miguel Ribeiro Machado (PSL) e Ozeias Martins (PSDB). Outro alvo da Operação Chequinho é a secretária de Desenvolvimento Humano e Social da prefeitura de Campos Ana Alice Ribeiro Lopes de Alvarenga.

O criminalista Fernando Fernandes, defensor de Garotinho, afirmou que "prisão é ilegal". O advogado vai recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para tentar revogar o decreto de prisão expedido pelo juiz da zona eleitoral de Campos. Um argumento da defesa é que o ex-governador não foi candidato nas eleições municipais. Garotinho governou o Rio entre 1999 e 2002.
 
Fonte: http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2016-11-16/anthony-garotinho-e-preso-pela-pf.html

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Cheque de 1 milhão de reais para Temer joga holofotes em ação do TSE.

Cheque de 1 milhão de reais para Temer joga holofotes em ação do TSE

Um cheque no valor de 1 milhão de reais pago pela construtora Andrade Gutierrez em nome de Michel Temer (PMDB) durante a campanha de 2014 coloca o presidente mais uma vez no raio da Operação Lava Jato e pode complicar seu desejo de desvincular suas contas como candidato a vice das apresentadas por Dilma Rousseff em uma ação que pede a cassação da chapa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

De acordo com Otávio Azevedo, ex-presidente da empreiteira, o repasse de 1 milhão, feito em 10 de julho de 2014, seria referente ao acerto de propina por acordos firmados pela empresa com o Governo. O empreiteiro também ficou em uma situação delicada, uma vez que o cheque em nome de Temer, divulgado nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de São Paulo, contradiz um de seus depoimentos prestados à Justiça em setembro. Na ocasião ele afirmou que o montante equivalia a uma propina de 1% referente a contratos e que a doação teria sido feita ao diretório nacional do PT, e não ao peemedebista. Ele também havia dito que parte dos recursos repassados ao PMDB teriam relação com propinas relativas a contratos da hidrelétrica de Belo Monte.

Para a defesa de Dilma no TSE, que questionou a declaração, o empreiteiro prestou falso testemunho. Diante das versões conflitantes, o TSE chegou a determinar uma acareação entre Azevedo e tesoureiro da campanha petista, Edinho Silva, alvo de processo na Justiça por seu suposto envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras. O encontro acabou sendo cancelado e só Azevedo será ouvido.

Em nota o PMDB afirmou que “sempre arrecadou recursos seguindo os parâmetros legais em vigência no país”, e que “todas as contas do PMDB foram aprovadas não sendo encontrados nenhum indício de irregularidade”. A reportagem não conseguiu entrar em contato com os advogados de Azevedo. Já o porta-voz de Temer, Alexandre Parola, disse que não há nenhum problema com o cheque. "Trata-se de um cheque nominal do PMDB, repassado para a campanha do então vice-presidente Michel Temer na data de 10 de junho de 2014. Basta ler o cheque. Reitere-se, não houve qualquer irregularidade na campanha do então vice-presidente Michel Temer", disse ele.
Risco e dólar

O episódio só reforça os holofotes direcionados para o TSE, que deve analisar, ainda sem data, uma ação do PSDB, de 2014, que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por, entre outros motivos, supostamente ter recebido propinas disfarçadas de doações de campanha. Antes mesmo do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em abril, a defesa do PMDB havia alegado que as contas de Temer deveriam ser julgadas em separado, tese que ainda deverá ser analisada pelo tribunal. Os defensores de Dilma, reforçados pelo cheque, querem derrubar a interpretação, argumentando que foi Temer e o PMDB que centralizaram parte da arrecadação para o fundo comum da campanha.

No Planalto existe o temor de que o ministro Herman Benjamin, que é relator das ações contra a chapa no TSE, recomende a cassação sem separar as contas. Se a cassação da chapa ocorrer após janeiro de 2017, serão realizadas novas eleições diretas. Caso o processo ocorra antes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), assumiria e convocaria eleições indiretas. O aparecimento do cheque foi mais um fator de incerteza nesta quinta-feira para o mercado no Brasil, que reverberava fortemente a eleição de Donald Trump nos EUA. O tema foi arrolado por analistas entre os que contribuíram para que o dólar fechasse com a maior alta em oito anos nesta quinta-feira, ao disparar mais de 4,5 por cento, indo acima de 3,35 reais.

Para o especialista em direito eleitoral Alberto Rollo, mesmo que o PMDB consiga que o tribunal julgue as contas separadamente, se comprovado o pagamento de propina como doação para Temer, na Lava Jato, o presidente também pode se ver em dificuldades. “Se o cheque realmente tem origem ilícita, o crime de abuso de poder econômico vale para ele também”, afirma.

Gilmar Mendes, presidente do TSE, já fez acenos contraditórios quanto à separação das contas de Dilma e Temer. No início do ano ele afirmou que não há “base jurídica” para a desvinculação, mas depois citou o citou o caso do ex-governador de Roraima José de Anchieta Júnior, que conseguiu que o tribunal analisasse sua prestação de contas separadamente. Em palestra realizada em Washington nesta semana Mendes afirmou que o tribunal nunca analisou um caso como esse, e que se trata de um momento “histórico”. “O que vai acontecer no caso atual, eu não sei. Mas o tribunal terá que fazer a avaliação levando em conta um quadro de grande responsabilidade institucional", afirmou. Outro ministro do TSE, Luiz Fux, também mencionou a possibilidade de separar as contas da petista e do peemedebista em entrevista no mês passado.