domingo, 27 de julho de 2014

O LINHÃO E SUAS MAZELAS II - Por Egydio Schwade*.


A Subestação da Linha de Transmissão, Manaus-Boa Vista, a ser instalada no Km 152 da BR-174, se destina a fornecer energia à pedreiras e à madeireiras que são atualmente os maiores instrumentos da depredação nesta área e sem um retorno para o município, além de arruinarem a rodovia, obrigando o povo a pagar permanentemente uma empresa de manutenção. Do município saem diariamente mais de 300 caçambas de minério sem fiscalização alguma. Além das pedreiras de brita ao longo da BR-174, o minério vem do Pitinga, uma das maiores minas de minérios estratégicos atualmente em atividade no mundo. Dela saem ouro, criolita, tântalo, ítrio, columbita, zirconita, estanho ou cassiterita e outros. Desde 1981, todos esses minérios saem desta mina, como cassiterita ou estanho. Entretanto, basta acompanhar a história da Paranapanema no Pitinga, para se constatar que não é só de cassiterita que ela vive. Assim, por exemplo, no dia 21 de setembro de 1989 o jornal A Crítica de Manaus sob o título “Matéria-prima não falta em Pitinga” noticiava: “Segundo o cel. Nelson Dornelles, assessor da presidência da empresa, a Mineração Taboca pretende, ainda, iniciar a exploração de outros minérios existentes na área como a columbita e tantalita, nióbio e terras raras. O custo do investimento, segundo Dornelles, é difícil de ser explicitado em valor estático, ‘embora possamos afirmar que até hoje já foram investidos mais de 180 milhões de dólares de recursos próprios da empresa nesse projeto, de 1982 até hoje” ao revelar que para este ano o nível de investimento está previsto para mais de 45 milhões de dólares e, nos anos subsequentes, os níveis de investimentos serão condizentes com os objetivos de ampliação do complexo.” E o jornal Amazonas em Tempo de 3 de janeiro de 1992, sob o título “Paranapanema investe US$ 22 milhões para produzir Criolita no Pitinga” refere que a empresa objetiva “na implantação de uma unidade com capacidade para produzir aproximadamente 25 toneladas por ano de criolita natural, um mineral utilizado como insumo pela indústria de alumínio e de abrasivos.” Refere ainda que o investimento colocará o Brasil em uma posição de destaque no cenário mundial, uma vez que o país poderá tornar-se o único produtor mundial do minério. A única produtora mundial deste mineral, a Groenlândia, paralisou suas atividades em 1989, devido a exaustão de suas reservas”. “Dentro de seis meses a Paranapanema terá concluído os estudos de pré-viabilidade técnico-econômica para a exploração comercial da reserva”. Até hoje não apareceu nem o volume explorado e muito menos quanto foi pago em royalties e impostos. Mas pode alguém crer que não houve nenhum retorno para a empresa além do estanho ou cassiterita com tanto investimento feito?

No dia 27 de setembro de 1989 o vereador Serafim Corrêa denunciou: “em 1987, a Paranapanema faturou com a nossa cassiterita NCZ$ 1.789.500.069,00 (um bilhão setecentos e oitenta e nove milhões e quinhentos e sessenta e nove mil cruzados novos), enquanto a Prefeitura de Manaus, para dar de comer, beber, vestir, educar e cuidar de uma população acima de um milhão e trezentos mil habitantes recolheu NCz$ 1.300.000.000,00, ou seja, 37,61% a menos. É, portanto, uma cidade dentro da outra”. (Diário do Amazonas – 27-09-89).

Um dia ouvi o Prefeito de Presidente Figueiredo se queixar na Câmara Municipal da nova direção da mineradora, hoje em mãos de estrangeiros, que a mesma já atuava há mais de um ano no município sem sequer se ter apresentado ao mandatário do município. E, na mesma oportunidade, um vereador afirmou que as firmas que exploravam as pedreiras no município não pagavam imposto algum, deixando apenas os buracos na estrada.

Sobre os minérios que saem da mina do Pitinga não existem registros nos informativos nacionais e mundiais. E não existe fiscalização alguma, como refere o geógrafo da Universidade Federal do Amazonas, Professor José Aldemir de Oliveira em sua tese de doutorado, “Cidades na Selva”. Escreve o Prof. José Aldemir:

[...] “o volume arrecadado parece estar aquém do devido, em decorrência da sonegação e da inércia do Estado que não criou mecanismos de fiscalização. Em 1991, a Associação Profissional dos Geólogos do Amazonas estimou a perda de receita, somente no projeto Pitinga, da ordem de US$ 63 milhões.”(p.176).

‘Um funcionário da SEFAZ - prossegue José Aldemir - descreveu o mecanismo de fiscalização: “Não sabemos na verdade quanto nem o que está sendo fiscalizado. Mesmo que parássemos as carretas e fiscalizássemos, teríamos dificuldades para identificar se o minério que a empresa diz ser cassiterita realmente o é. Então não fazemos nenhuma fiscalização. Mensalmente, um funcionário da Taboca nos telefona comunicando o número da guia e o valor correspondente que eles recolheram ao Banco referente ao imposto.” (p.177).

E conclui:

[O] “município de Presidente Figueiredo é sintomático, pois apesar de possuir o maior percentual de arrecadação de todo o interior do Estado, a cidade que lhe serve de sede nada tem, quer do ponto de vista urbanístico, quer do social, que a identifique como tal, sendo tão pobre quanto as demais cidades do interior do Amazonas. Esta contradição deve ser a base da análise dos grandes projetos na Amazônia, especialmente porque é a partir dela que o espaço é produzido.

Há uma grande distancia entre os grandes projetos desenvolvidos na Amazônia e as populações locais. No caso específico aqui analisado, estabeleceu-se um processo de destruição da natureza e das relações sociais preexistentes. Numa primeira visão, pode-se dizer que nada de positivo foi introduzido na vida das pessoas. Ao contrario, retiraram-lhe parte das condições de sobrevivência, não apenas econômica, mas também social, cultural e política. “É como se elas não existissem ou, existindo, não tivessem direito ao reconhecimento de sua humanidade” (JOSÉ DE SOUZA MARTINS).[1]

Ora, se a observação acima se refere ao controle de uma das mais importantes minas do país, que tipo de controle realmente ocorrerá sobre as pedreiras e as madeireiras da BR-174 que serão as favorecidas com a Subestação da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista a ser instalada na BR-174 no Km 152? Assim o Linhão, como a BR-174, são “veias abertas” da Amazônia e o nosso dinheiro vai sendo utilizado para construir absurdos que desde a sua concepção contradizem qualquer princípio humanitário.

O conceito de desenvolvimento na Historia Oficial, portuguesa e brasileira, referente à Amazônia, tem ligação com a alienação dos povos da região, com o (des)envolvimento de sua terra e com a transferência das riquezas naturais para outras partes do mundo, sem objetivar o bem-estar da população local e regional.

* Egydio Schwade é Indigenista e Coordenador do Comitê da Verdade do Amazonas.

Para ex-agente do DOPS, morte de Malhães foi queima de arquivo.


Num dos mais longos depoimentos já prestados à Comissão Nacional da Verdade (CNV) – de dois dias, ontem e anteontem – o delegado Cláudio Guerra, da Polícia Civil capixaba e acusado de ligações com o Esquadrão da Morte durante o regime militar, classificou de “queima de arquivo” a morte do coronel do Exército, Paulo Malhães, ocorrida meses atrás. No depoimento, Guerra apontou o nome do responsável e detalhes do assassinato da estilista carioca Zuzu Angel em 1976. Foi a 1ª vez em 38 anos que um agente da repressão admitiu que Zuzu foi assassinada num atentado arquitetado pela ditadura militar.

Malhães foi o coronel que, em duas entrevistas aos jornais O Globo e O Dia, e à Comissão da Verdade fluminense, afirmou ter desenterrado os restos mortais do deputado Rubens Paiva da areia do Recreio dos Bandeirantes e comandado a operação de lançamento de seu corpo ao mar. Ele também relatou que os mortos da Casa da Morte de Petrópolis eram jogados em rios da serra fluminense.

Um mês após prestar seu depoimento, Malhães foi assassinado. A Polícia do Rio de Janeiro afirma que foi crime comum, durante um assalto a seu sítio na Baixada Fluminense. Mas, a CNV, a OAB pelo presidente da sua Comissão de Direitos Humanos, Wadih Damous, mais organizações humanitárias, pedem a continuidade das investigações sobre a morte de Malhães e que a Polícia Federal (PF)participe das investigações. A polícia fluminense dispensou a participação da PF na apuração. Outro coronel do Exército, Júlio Molina, com atuação na repressão, também morreu num assalto em novembro de 2012 em Porto Alegre.

“Eu olhava os corpos de curiosidade”

Agora neste seu depoimento, Cláudio Guerra, afirmou à CNV que tanto a morte de Malhães, quanto a de Molina, foram “queima de arquivo”. “Não só a morte do Paulo Malhães como a do coronel Molina, que morreu no latrocínio no Rio Grande do Sul, foram execução, queima de arquivo. É o mesmo modus operandi que nós usávamos no passado: simular um assalto, simular um acidente”, afirmou.

No depoimento à CNV, o ex-delegado do DOPS-ES reconheceu a imagem de 19 militantes, vítimas da ditadura. Contou, ainda, que levou 13 corpos para serem incinerados na Usina de Açúcar de Cambaíba, em Campos (RJ). Confessou, inclusive, que um deles foi morto por ele.
Ao todo, Guerra confessou que cometeu “5 ou 6″ assassinatos.

Afirmou, ainda, que os corpos eram retirados de um quartel, onde aconteciam as torturas e da Casa da Morte, em Petrópolis. E que durante dois anos, entre 1975 e 1977, ele retirava os corpos das vítimas desses locais e os levava no porta-mala de seu carro para incineração na usina. Cláudio Guerra é um dos acusados pelo Ministério Público Federal fluminense (MPF-RJ) de integrar uma das equipes encarregadas de prender falsos acusados para encobrir os verdadeiros responsáveis pelo atentado no show de 1º de maio de 1981, no Riocentro.

Outro depoimento que a CNV pretende colher nos próximos dias é o do coronel. Wilson Machado, dono do Puma que levava as bombas que explodiram no centro de convenções cariocas – uma delas no colo do sargento Guilherme do Rosário, morto na hora. O cel. Wilson estava ao seu lado. Mas, sempre que é mencionado para depor, o coronel desaparece. Agora, se não for voluntariamente, será obrigado pela PF.

“Preciso ficar em paz com a minha consciência”

Depois de repetir algumas vezes “não sou dedo-duro, mas preciso ficar em paz com minha consciência”, Cláudio Guerra prestou, também, informações sobre a morte da estilista carioca Zuzu Angel. Ele afirmou que o coronel do Exército, Freddie Perdigão, seu amigo pessoal, confessou-lhe ter planejado o acidente de carro que matou a estilista em um túnel no Rio, em 1976.

Guerra contou que Perdigão – falecido em 1998 – contou-lhe que estava no carro que bateu no da estilista, jogando-o em um precipício e que depois voltou e ficou junto à equipe responsável pelo resgate no local em que Zuzu faleceu. “Foi autoria dele (o “acidente”). Ele não falou qual carro foi usado para bater no dela. Só falou que estava lá. E depois, quando estava lá para conferir e foi fotografado no local”, contou Guerra.

Ele exibiu fotos desse resgate à CNV, mas elas estão recortadas e Freddie Perdigão não aparece com nitidez no local. “Ele me narrava que, obedecendo a ordens superiores, tinha planejado essa simulação do acidente dela. E estava preocupado porque achava que a perícia tinha fotografado imagem dele sem querer”.

Até hoje FFAA negam

Como bem afirma o coordenador da CNV, Pedro Dallari, “é importante o reconhecimento que ele (Guerra) faz da presença de Freddie na cena do acidente de Zuzu. Até hoje, as Forças Armadas (FFAA) negam participação. A figura de Freddie na cena estabelece ligação entre o acidente de Zuzu e o sistema de repressão. Até hoje as FFAA insistem em negar que Zuzu tenha sido vítima de um assassinato”.

Dallari lamentou, novamente, a postura das FAAA, que não abrem seus arquivos da repressão, afirmam não tê-los mais e se recusam a cooperar com as investigações da comissão. “Ao longo do tempo, as Forças Armadas quiseram caracterizar as graves violações de direitos humanos como resultado de excesso de algumas pessoas. O depoimento do ex-delegado Cláudio Guerra mostra que não é assim, que era uma política de Estado”, observou Dallari.

Dentre as novas vítimas reconhecidas por Guerra, está o coronel dissidente Joaquim Cerveira, dado como desaparecido na Argentina: “Quando o coronel Perdigão (influente na área de repressão e informação do regime militar) “entregou”, disse quem era, disse que era um melancia”. Melancia era o nome dado pelos agentes da ditadura aos militares dissidentes, homens que se recusaram a compactuar com a ditadura e as violações aos direitos humanos cometidas – melancia porque “vermelhos” – e no período e que lutaram, bravamente, pela liberdade neste país.

Vejam a que ponto chegou a ditadura da Globo no futebol.


Na noite da última 4ª feira, na partida Corínthians x Bahia, no Itaquerão, boa parte dos torcedores não pode ver o gol de penalti de Renato Augusto, aos 44 m do 2º tempo, completando os 3 a 0 para o timão. É que por imposição da Rede Globo, o jogo só começou às 22 h, depois do término da novela dela no horário nobre e, estes torcedores precisaram ir embora antes do término da partida, para não perder o último trem do metrô que saia à meia noite da estação Corínthians/Itaquera.

Na altura dos 35 minutos do 2º tempo – por volta das 23h40 – estes torcedores começaram a deixar o estádio, com medo de não conseguir entrar no metrô, ou perder o último trem, da meia noite. Quem ficou até o final, já encontrou o metrô fechado e teve de se virar para chegar em casa.

Mas, a Rede Globo, detentora do monopólio dos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, continua intocável. Um de seus principais executivos disse à Folha de S.Paulo, numa declaração de sonso, que a emissora desconhece descontentamento dos torcedores com a mudança de horário do início da partida, que antes começava bem mais cedo.

Comissão da Verdade: “morte de Malhães apavorou muita gente”.


Em pleno mutirão iniciado 2ª feira passada, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) pretende ouvir nesta e nas próximas semanas o depoimento de 41 ex-agentes da ditadura militar. Ontem, inclusive, membros da CNV se reuniram com a ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti e sugeriram a criação de um órgão federal que dê continuidade aos trabalhos do colegiado pós-16 de dezembro, quando ele entrega o relatório final de 2,5 anos de investigação à presidenta Dilma Rousseff.

Dentre eles, estava o ex-coordenador da CNV, José Carlos Dias, que admitir haver impacto da morte do coronel do Exército Paulo Malhães (assassinado em seu sítio no 1º semestre deste ano) em alguns ex-agentes, que ficaram com medo de depor. “A coincidência daquela morte foi estranha e serviu de estímulo para que muitos se recusassem a falar, a comparecer”, lamentou Dias. Os que têm medo acham que a morte de Malhães foi “queima de arquivo”.

“É o medo. Isso é muito significativo. Mas conseguimos saber muitas coisas e, cruzando com documentos, vamos apresentar um relatório substancioso”, complementou. A CNV já conversou, inclusive, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e com o diretor da Polícia Federal (PF), Leandro Daiello, solicitando apoio à condução coercitiva dos ex-agentes que recusarem a comparecer às audiências.

Investigações podem continuar

Já a proposta de um órgão federal para receber os trabalhos das comissões da verdade estaduais, municipais e de instituições, que tiverem prosseguimento após a Nacional encerrar suas atividades em dezembro, será encaminhada pela ministra Ideli a presidenta Dilma. A ideia é que essa entidade reúna as informações coletadas não apenas pela CNV, mas por toda a rede de comissões da Verdade criadas nos últimos anos em nosso país.

Como explica Paulo Sérgio Pinheiro, membro da CNV, também presente na reunião com a ministra, vários países do Cone Sul que passaram por ditaduras contam hoje com órgãos federais semelhantes, voltados a trabalhos desta natureza. “A CNV vai apresentar recomendações em seu relatório, então é importante começar a pensar além do legado para o Arquivo Nacional, para que todo o trabalho possa ser aproveitado”, justificou Pinheiro.

Neste mutirão, a CNV vai se debruçar, também, sobre o relatório da Comissão pela Memória da Província de Buenos Aires (CPM), “Víctimas del Terrorismo de Estado”, que traz informações sobre os desaparecidos brasileiros na Argentina, além de documentos sobre o monitoramento feito pelos órgãos da repressão daquele país sobre o ex-presidente João Goulart – o Jango – e mais seis argentinos presos no Brasil.

Apoio internacional

Outras graves violações contra os direitos humanos praticadas pela repressão, em colaboração, no Brasil e na Argentina, também serão analisadas. Como o desaparecimento dos uruguaios (filhos de brasileiros) Ary Cabrera Prates e Marcos Arocena; e dos brasileiros Daniel José de Carvalho, Joel José de Carvalho e do argentino José Lavecchia, desaparecidos no Parque Nacional de Foz do Iguaçu, em julho de 1974.

Os 43 documentos encaminhados pelos Estados Unidos também foram analisados pelos membros da CNV durante a reunião com a ministra Ideli. Os membros da CNV que foram ao Palácio do Planalto deram uma boa informação à ministra e ao país: os EUA vão continuar desclassificando documentos antes considerados sigilosos para entregá-los ao Brasil. O procedimento vai continuar, mesmo após o fim dos trabalhos da CNV.

“Fomos informados pela embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, que o presidente Barack Obama manifestou interesse em dar continuidade à operação. Então, o processo de desclassificação de documentos nos EUA e envio para nós deve continuar. Devemos receber mais documentos no segundo semestre”, explicou o coordenador da CNV, Pedro Dallari.

Forças Armadas

Segundo os membros da CNV, além dos Estados Unidos e da Argentina, a CNV já recebeu documentos da Alemanha, República Tcheca, Itália, Santa Sé e França, além de organismos internacionais como a ONU e a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).

“É constrangedor para a Comissão Nacional da Verdade ver tantos países cooperando enquanto as próprias Forças Armadas brasileiras se recusam a reconhecer que houve tortura em suas instalações”, criticou, coberto de razão, o professor Paulo Sérgio Pinheiro.

Também o coordenador da comissão, ex-deputado Pedro Dallari, criticou o fato de outros países estarem colaborando mais com a CNV do que as FFAA do Brasil. José Carlos Dias observou que “deveria ser constrangedor” para os militares verem alguns de seus integrantes serem levados coercitivamente para depor quando a instituição deveria ser a primeira a encaminhá-los para depoimento.

Aécio governador assinou decreto dando nome de tio ao aeroporto da família.


Então leva a assinatura do governador Aécio Neves (2003-2010), agora candidato tucano ao Planalto, a promulgação do decreto que deu o nome de “Aeroporto Deputado Oswaldo Tolentino”, um tio-avô seu, ao aeroporto de Cláudio (MG), construído na fazenda do outro tio-avô, Múcio Tolentino? O aeroporto que foi construído ao custo de R$ 14 milhões, por Aécio, em 2010, na fazenda de Múcio, com dinheiro público de Minas Gerais.

O projeto que denominou o “Aeroporto Deputado Oswaldo Tolentino”, transformado em lei pela Assembleia Legislativa de Minas, é de autoria do agora deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), aliado de Aécio. Oswaldo Tolentino era irmão de Múcio Tolentino, o tio-avô de Aécio. Múcio é o dono das terras em que foi construída a obra do governador Aécio em Minas e mantém consigo as chaves do aeroporto, utilizado várias vezes já pelo sobrinho presidenciável, embora ainda não homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

O projeto de denominação do aeroporto, de autoria do deputado Domingos Sávio é ilustrativo do estilo Aécio Neves de administrar: durante os 8 anos em que esteve à frente do Palácio da Liberdade, ele governou por “leis delegadas”, sistema que existe em Minas pelo qual ele mandava os projetos prontos e à Assembleia só cabia aprovar. A sanção dele ao decreto dando o nome do tio-avô ao aeroporto, não tem nada a ver com nepotismo, vá lá, mas tem um certo cheiro de culto à personalidade, ao sobrenome da família, certo? É mistura do público com o privado.

Praciano se solidariza com o presidente do PPS.


O deputado federal Francisco Praciano (PT), candidato ao Senado pela coligação “Renovação e Experiência”, se solidariza com o presidente do PPS, Guto Rodrigues, pela forma como foi exonerado da Secretaria Municipal de Trabalho, Emprego e Desenvolvimento. Praciano afirma que Guto Rodrigues comanda um partido que tem história de luta em defesa dos trabalhadores e estava fazendo na secretaria um trabalho exemplar. “Lamento que o processo eleitoral gere esse tipo de atitude, que resulta na descontinuidade de um trabalho que vem sendo feito em benefício da população”, disse o parlamentar. Praciano afirmou, ainda, que tem orgulho de ter o PPS na coligação para disputar as eleições gerais no Amazonas.

Fonte: Assessoria de Comunicação

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Fazenda de tio de Aécio já foi flagrada com trabalho análogo à escravidão.

Tranquilo: Aécio, ontem (22), quando disse que construção do aeroporto foi legal e usou pareceres de ex-ministros do STF (Foto: OBritoNews)

Oitenta trabalhadores em destilaria da família Tolentino foram resgatados, em 2009, em área ao lado do aeroporto construído por Aécio.

Múcio Guimarães Tolentino, 88 anos, é tio-avô de Aécio Neves. Ex-prefeito da cidade de Cláudio, no interior de Minas Gerais, é dono da fazenda Santa Isabel, que o governo mineiro, em 2010 – então sob a gestão do sobrinho -, escolheu desapropriar uma parcela para construir um aeroporto a um custo de R$ 14 milhões.

O caso revelado até agora pela “Folha” já demonstra que Cláudio pode ser um grande problema para a campanha de Aécio Neves, mas a “ficha corrida” da fazenda Santa Isabel e as relações entre os Tolentino e o ex-governador do Estado trazem outros elementos, que rescendem a uma mistura entre o público e o privado e remontam a tristes lembranças da herança escravocrata que ajudou a consolidar relações de poder no estado mineiro.

Imagem de satélite mostra onde MP fez fiscalização de trabalho escravo (na seta) e o aeroporto construído com dinheiro público, em cinza (Reprodução/Google)
Apoio à família

Em 2005, a Destilaria Alpha, que tinha como representante legal Marcelo de Campos Tolentino, contou com apoio direto do governador para reativar sua atividade industrial de produção de álcool combustível. Consta do Diário Oficial do Estado de Minas, em 28 de setembro de 2005, protocolo de intenções entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais com assinatura do próprio governador Aécio Neves, que previa “viabilizar a reativação da Alpha, de sua unidade industrial localizada no município de Cláudio (MG), destinada à produção de álcool combustível hidratado”.

O documento previa a possibilidade de empréstimos à Destilaria Alpha. O representante legal da empresa foi Marcelo de Campos Tolentino, que embora com telefone e residência na capital Belo Horizonte, tem raízes na cidade de Cláudio. O empresário já contribuiu com campanha eleitoral de Aécio, tendo doado R$ 1 mil na sua primeira eleição para governador, em 2002. Já Marina Tolentino ocupou o cargo de diretora financeira na Alpha Destilaria.

(Reprodução/www.mingote.com.br)

Ministério flagra trabalho análogo à escravidão

Quatro anos depois, a mesma empresa que fora reativada com a ajuda do governador, foi flagrada com trabalhadores em situação análoga à escravidão. Fiscalização do MTE resgatou 80 deles nas fazendas Santa Isabel e Santo Antônio. A notícia, à época, não ganhou as manchetes dos jornais.

Em junho de 2013, a Alpha passou a figurar no cadastro de empregadores flagrados com mão de obra análoga à de escravo, a chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho. Fazer parte dessa lista impede, por exemplo, que empresas contratem empréstimos junto a bancos públicos federais ou que possam fornecer produtos para mais de 400 empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, com a Petrobras.
Aécio na fazenda da Mata (Foto: Reprodução/Instagram)

Cachaça envelhecida na fazenda da Mata, o “palácio de Versalhes” de Aécio

Nem só de álcool vive o emaranhado político-econômico dos Tolentino. Além de outras atividades que demonstram como Cláudio tem no clã uma de suas famílias mais poderosas (com ex-prefeitos, vereadores, deputados e até um governador no seu histórico de relações com o poder), os Tolentino produzem a cachaça Mingote, que tem como sócio Tancredo Tolentino, filho de Múcio.

Foi acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa. Apesar de tal retrospecto – ou por conta disso, já que ocupando cargo público poderia ter mais facilidade de enfrentar ações judiciais – Kedo também já tentou ser candidato a prefeito da cidade, e teve seu registro impugnado.

Outro Tolentino que parece ligado ao negócio de álcool e cana-de-açúcar é Claudio Tolentino, vereador na cidade. Um telefone em nome da Destilaria Alpha remete a seu escritório.

A cachaça Mingote, cujo nome legal é “Tolentino & Tolentino LTDA.”, já assinou Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho por empregar menores de idade, em 2011.

Segundo divulgado em fóruns e sites do mercado de cachaça artesanal, a Mingote – ou apenas uma parte de sua produção – é envelhecida na fazenda da Mata, na qual Aécio passa finais de semana e onde mantém o cavalo Ofegante e um fusca azul 1964.

A história da produção em Cláudio começou, segundo os Tolentino informam no site da cachaça Mingote, com um engenho na própria fazenda da Mata, no século XIX quando os irmãos “Quinca Barão” (Joaquim da Silva Guimarães) e Domingos da Silva Guimarães, o “Mingote” deram início à ocupação e desenvolvimento de Cláudio.

A pinga da família de Aécio Neves é tradicional, e o senador, ao que tudo indica, um entusiasta. Ele é um garoto-propaganda da cachaça Mingote, produzida por Tancredo, Múcio e outros Tolentinos. No site da empresa, mostra-se o desvelo com a versão “Governador’, “cachaça não-comercializada, reserva pessoal, estocada em tonel de amendoim e registrada em homenagem ao ex-governador Aécio Neves”. Segundo informam os donos da cachaça Mingote, a versão Governador é usada para “presentear amigos e visitantes de outras regiões e do exterior”, sendo engarrafada “em louça de primeira qualidade”.

Aécio e "Kedo" Tolentino, filho de Múcio, dono da fazenda onde  foi construído aeroporto (Foto: Reprodução/www.mingote.com.br)

Múcio, o “Paca”, tem também a versão em sua homenagem, embora com menos refinamento. “Cachaça com dois anos de descanso em Jequitiba, suave com pouca coloração”, afirma a família Tolentino na descrição do produto.

Há também a versão do Cruzeiro, clube que tinha como presidente Zezé Perrella, aliado de Aécio Neves. Zezé é aquele cuja família teve um helicóptero apreendido com 400 quilos de cocaína em novembro do ano passado.

Fonte: http://www.entrefatos.com.br/2014/07/23/fazenda-de-tio-de-aecio-ja-foi-flagrada-com-trabalho-analogo-a-escravidao/

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Dois anos após demissão, Flamengo confirma retorno de Luxemburgo.


O Flamengo oficializou na tarde desta quarta-feira a contratação de Vanderlei Luxemburgo como novo técnico da equipe para a próxima temporada, pouco tempo após o anúncio da demissão de Ney Franco. O contrato do comandante é válido até dezembro de 2015.

A comissão técnica será formada pelo auxiliar Deivid, ex-jogador do Flamengo, aposentado desde o início do ano, e pelo preparador físico Antônio Mello.

O ex-atacante volta à Gávea após dois anos. Em sua passagem pelo rubro-negro, entre 2010 e 2012, Deivid disputou 99 jogos e marcou 33 gols, participando da conquista invícta do Carioca 2011. Desde que encerrou a carreira, dedicou-se a aprimorar os conhecimentos futebolísticos realizando estágios no Vitória, Internacional, e mais recentemente no Avaí.

O primeiro treino de Luxa em seu retorno ao Flamengo acontece nesta quinta-feira, e o novotreinador irá liderar a equipe já no domingo, no clássico contra o Botafogo, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro.

“A história do Vanderlei fala por si só. Na última vez em que esteve aqui, conduziu o clube à conquista do carioca invicto e a uma vaga na Libertadores. Conversamos e acreditamos que é a pessoa certa para o cargo”, comentou o gerente de futebol Felipe Ximenes, em entrevista ao Sportv.

É a terceira passagem de Luxemburgo no comando do Flamengo, onde atuou em seus tempos de jogador, na década de 1970. O técnico esteve no clube em 1991 e em 2010, quando saiu de maneira conturbada após dois anos. Sem apoio e se envolvendo em polêmicas com o astro Ronaldinho Gaúcho, o técnico acabou sendo demitido em fevereiro de 2012, ainda na gestão de Patrícia Amorim.

Fonte: http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2014/07/flamengo/dois-anos-apos-demissao-flamengo-confirma-retorno-de-luxemburgo.html

Petistas querem acessibilidade dos deficientes ao transporte público.


Com o objetivo de promover o cumprimento das Leis Federais 10.048 e 10.098, que tratam da acessibilidade aos portadores de deficiência física nos transportes público da cidade, o vereador Waldemir José e o deputado estadual José Ricardo, ambos do Partido dos Trabalhadores (PT), ingressaram, na tarde de ontem, com representação junto Ministério Público Federal (MPF/AM) para que seja realizado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que obrigue as empresas a cumprirem a Lei de acessibilidade aos deficientes físicos no transporte público.

De acordo com o artigo 1o da Lei Federal N. 10.098 e o artigo 3o da Lei Federal N.10.048, ficam estabelecidas as normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida aos espaços públicos, incluindo o transporte público coletivo e, também, as empresas deverão reservar assentos, devidamente identificados, às pessoas portadoras de deficiência.

Durante as fiscalizações realizadas por Waldemir José e sua equipe nas estações de ônibus dos bairros Japiim, Mauazinho, Jorge Teixeira, Mutirão, Novo Aleixo e Petrópolis durante os meses de fevereiro, março e junho deste ano, além dos inúmeros problemas no sistema de transporte, o parlamentar detectou que essas leis não estão sendo cumpridas. Os elevadores que deveriam dar acesso às pessoas portadoras de necessidades especiais aos coletivos não estão funcionando e, em muitos, não há e os assentos, que deveriam ser reservados aos portadores de necessidades especiais, estão sem condições de uso. 

Diante desses fatos, os parlamentares petistas e representantes da Adefa (Associação Deficientes do Amazonas) protocolaram, nesta segunda-feira (22), uma representação junto ao MPF para que a Prefeitura e as concessionárias de transporte público cumpram as Leis Federais, proporcionando acessibilidade dos portadores de necessidades especiais ao transporte coletivo. 

Fonte: Assessoria de Comunicação

CRIME DE GUERRA: Palestinos pedem socorro! - Por Eduardo Galeano.


Pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa. Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria e as suas terras. 

Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido tinha ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.

Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros.

Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar Irlanda para liquidar a IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência 'manda chuva' que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.