quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Descoberto mais um crime bárbaro e covarde da ditadura


Sob a coordenação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) começou nesta 3ª feira (ontem) o processo de exumação de mais uma vítima da ditadura: o dos restos mortais que podem ser do líder camponês Epaminondas Gomes de Oliveira, morto na década de 70 quando ele já estava sob custódia do Exército.

A CNV – que investiga violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, o que engloba, portanto, o período da ditadura, 1964/1985 – descobriu documentos que mostram o local onde o corpo de Epaminondas foi sepultado, informação desconhecida há pouco por seus familiares. Os restos mortais do camponês foram descobertos pela Comissão no cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Os trabalhos para retirar os restos mortais da terra para a exumação começaram na manhã de ontem e a previsão é de que se estendam pelo dia, hoje, de acordo com a Polícia Civil de Brasília. Epaminondas foi do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) e do PC do B.

Atestado fala de morte por anemia. A família nunca acreditou

Pelo que apuraram seus familiarea e organizações de direitos humanos, Epaminondas foi morto em 20 de agosto de 1971, aos 68 anos, sob custódia do Exército. Havia sido preso dias antes em um garimpo na cidade de Ipixuna do Pará em decorrência de uma operação do Exército para prender lideranças políticas da oposição na região, segundo levantou a CNV.

Há registros de que ele passou pelos municípios de Jacundá (PA) e Imperatriz (MA), até ser levado a Brasília. A certidão de óbito do camponês indica que ele morreu no Hospital da Guarnição Militar, na capital federal, de anemia e desnutrição. A família nunca acreditou nessa versão.

“Uma pessoa que estava com ele contou que ele foi torturado até a morte”, disse o neto do camponês, Epaminondas Neto. “O atestado de óbito nunca convenceu a família. A gente sabia que ele foi espancado em Imperatriz”. Com a exumação, a família espera a revelação de vestígios que mostrem eventuais marcas de tortura.

E nós ainda temos que suportar os Bolsonaros da vida…

“Queremos esclarecer, ver de que forma é possível identificar marcas de tortura, esclarecer essa verdade. A gente quer saber a verdade porque se comprovar que os restos mortais realmente são do meu avô, vamos fazer o sepultamento junto com a minha vó”, disse Epaminondas Neto, presente no Campo da Esperança durante a escavação.

Temos, assim, a descoberta de mais um crime bárbaro e covarde da ditadura. Até quando a impunidade? Até quando a mentira vai prevalecer? E nós ainda temos que suportar os Bolsonaros da vida com mandato parlamentar e imunidade para agredir seus próprios colegas, violar a lei Afonso Arinos e pregar a ditadura…

Como fez neste início de semana o deputado capitão Jair Bolsonaro (PP-RJ) – integrante do Bloco das Trevas, como diz hoje o colunista Ancelmo Gois, em O Globo – com provocações e agressões (até físicas, um soco no senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) à delegação que foi visitar as antigas instalações do DOI-CODI-Rio.