quinta-feira, 16 de maio de 2013

Femen articula protestos no Rio contra turismo sexual nas Confederações

por Larissa Araújo - Coletivo Rodamoinho
Os olhos do mundo começam a se voltar para o Brasil em junho, quando a Copa das Confederações abre uma temporada de grandes eventos esportivos no país. E é dentro deste contexto de exposição internacional massiva que o Femen promete agir para articular seus protestos, que tradicionalmente usam corpos femininos nus para chamar atenção de causas sociais. O braço brasileiro do movimento assegura que planeja incomodar autoridades com ações no Rio de Janeiro durante a competição.

Com pouco mais de 20 ativistas no Brasil, sem contar com colaboradores como designers e advogados, o Femen se prepara para ser visto no evento da Fifa com atos em inglês, para aproveitar o potencial global do torneio.

Na pauta de debate prometida para a Copa das Confederações estará principalmente o turismo sexual, questão que envolve algumas das seis sedes da disputa [Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio e Salvador]. Tudo apesar da expectativa da Fifa de presença reduzida de estrangeiros no evento deste ano.

"Nos preocupa o turismo sexual, o aumento prostituição, principalmente de meninas lindas do Norte e do Nordeste. A gente já fez um ato no Copacabana Palace em relação a isso. A gente também conversou com garotas de programa, que esperam que a clientela, entre aspas, vá aumentar. São muitas vezes mulheres que não têm escolha. A Copa nunca foi para a gente, não é para benefício do Brasil. O lucro vai para quem já tem dinheiro, para quem tem o bolso cheio", afirma Natália Totta, uma das líderes do movimento no Brasil.

"Este é o principal foco. Quanto mais exposição, mais existirá a venda e a compra desses corpos. Para que lado do Brasil isso vai ser bom?", acrescenta a ativista.

A questão da prostituição e turismo sexual já foi tratada pelo Femen Brasil em um protesto no aeroporto internacional do Rio, no desembarque de um voo vindo da Itália, em fevereiro passado.

Recentemente as ativistas do Femen também estiveram envolvidas em protestos durante o conturbado processo de remoção de indígenas de um terreno ao lado do Maracanã [o antigo Museu do Índio, que servirá ao complexo do estádio]. No ato uma das integrantes se feriu sem gravidade ao circular entre carros da uma avenida da região.

Líder do grupo no Brasil, Sara Winter traz no currículo de ativista a participação em atos durante a Eurocopa do último ano. Misturada a manifestantes do Femen original, da Ucrânia, a jovem chegou a ser detida pela polícia do país antes da partida entre Itália e Inglaterra, em Kiev.

Sara Winter já é uma cara ilustre na atuação do Femen no Brasil, há pouco mais de um ano. Por isso, acaba lidando com alguns reflexos da notoriedade, advindas de atos controversos, até contra o Big Brother na TV. Na última semana, a ativista disse ter sido agredida por um simpatizante do neonazismo em São Carlos, onde reside. 

GRUPO ROMPE COM MATRIZ UCRANIANA APÓS POLÊMICA COM ISLÃ

Com o esboço de ação na Copa das Confederações diante da atenção internacional, o braço brasileiro do Femen anuncia que a partir de agora agirá com independência. O grupo nacional alega que não opera mais alinhado à matriz do movimento, nascido na Ucrânia.

Tudo em razão da polêmica internacional causada por um ato global do Femen. Em abril passado o grupo saiu em defesa da tunisiana Amina Tyler, que postou imagens seminuas na internet para protestar contra a condição da mulher no mundo árabe. A jovem acabou ameaçada por segmentos ultraconservadores de seu país [um líder salafista sugeriu que a garota deveria ser apedrejada até a morte].

No entanto, as manifestações do Femen em apoio à Amina ao redor do mundo contaram com exageros em relação ao islã, com direito a referências jocosas a Maomé. A linha de atuação das feministas neste caso gerou uma onda de contrariedade, inclusive de mulheres muçulmanas, em debate sobre como falar em nome do feminismo.

As ativistas do Femen no Brasil também enfrentaram críticas e dizem reconhecer o "erro" de conduta. Depois do episódio, as brasileiras do grupo decidiram repensar o senso de alinhamento com a matriz ucraniana. 

"Cortamos o cordão umbilical com a Ucrânia. Temos o mesmo nome, os mesmos jeitos, mas os protestos pela coletividade serão avaliados pelo tipo história, se entendermos serem corretos", argumenta Natália Totta.

As meninas do Femen Brasil dizem que mantêm o grupo financeiramente através de venda de camisetas e coroas fabricadas artesanalmente, além de doações de pessoas simpáticas ao grupo.