quinta-feira, 16 de maio de 2013

DEFESA DA HISTÓRIA E DA VERDADE

Por Joviniano Neto 

Agressão ao exercício da função de jornalista, e a liberdade de manifestação e expressão; tentativa de se recusar a responder diante de acusações de tortura e ações policialescas, praticadas durante a Ditadura Militar. Estes são os significados do processo instaurado pelo ex policial e atualmente pastor, Átila Brandão contra o professor e jornalista Emiliano José, de reconhecida atuação na área de Direitos Humanos e na reconstituição do período militar. 

É esta tentativa que denunciamos ao povo brasileiro, em momento no qual o Brasil, com a Comissão Nacional da Verdade, vive momento da reconstituição de sua verdadeira história. 

Jornalista e pesquisador, Emiliano José, publicou no Jornal A Tarde (11/02/2013), matéria “A Premonição de Dª.Yaiá” na qual cita depoimento de Maria Helena Rocha Afonso de Carvalho (Dª Yaiá) que lhe transmitira informação do filho Renato Afonso de Carvalho de que fora torturado por grupo comandado pelo então policial Átila. É nesta matéria que o ex policial se baseia para processar o jornalista. 

Um jornalista tem direito de elaborar matérias e reportagens sobre temas relevantes. E tentar incriminá-lo por isto é ameaçar o próprio exercício do direito à informação. Jornalista experimentado e fiel as suas fontes, Emiliano não deixa de verificar cuidadosamente as informações em que se baseia. Na análise do caso, publicou, inclusive, matéria (Corpo Amputado querendo se recompor) na conceituada Carta Maior (08/04/2013) em que o próprio Renato Afonso confirma as agressões sofridas por parte de Átila com o qual já se havia defrontado quando estudante na Faculdade de Direito. 

Quando alguém tenta “tapar o sol com a peneira” chama a atenção para si e para a força do sol que a atravessa. 

A malfadada ação do ex - policial exige a reação das entidades que defendem os direitos humanos e o trabalho dos jornalistas e coloca como prioritária o exame e a reconstituição da ação do acusado que ora pretende se transformar em acusador. 

* Joviniano Neto é membro do Comitê Baiano pela Verdade