quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pimenta da Veiga é indiciado por suspeita de lavagem de dinheiro

Pimenta da Veiga [à esquerda] é lançado como pré-candidato ao governo de Minas Gerais (Foto: Pedro Triginelli/G1)

A Polícia Federal indiciou o ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga por lavagem de dinheiro. O pré-candidato ao governo de Minas Gerais pelo PSDB, segundo inquérito, é suspeito de receber R$ 300 mil das agências de publicidade de Marcos Valério, condenado pelo mensalão. A notícia foi publicada quarta-feira (9). O delegado responsável pelo inquérito na Polícia Federal disse que a investigação segue em sigilo e que, por isso, não poderia revelar detalhes.

Pimenta da Veiga confirmou, nesta quinta-feira (10), ter recebido o valor da agência de publicidade SMP&B, mas que este se refere a pagamento de serviços prestados pelo do escrtório de advocacia dele, em 2003. "Os pagamentos eram feitos através de depósitos conta corrente. Dois anos depois houve uma devassa na vida da empresa e eu prestei todos os esclarecimentos, que foram satisfatórios na época. O assunto ficou aparentemente resolvido", respondeu.

Pimenta disse que 11 anos depois um inquérito foi aberto "sem nenhum fato novo, sem nenhuma razão". Ele falou ainda que não foi notificado e que nesta quinta-feira vai constituir um advogado para fazer a defesa dele. Pimenta se disse admirado em saber pela imprensa que foi indiciado. Para o pré-candidato, esta acusação é fruto de uma perseguição política.

Aberto em 2013, o inquérito da Polícia Federal ainda não foi concluído. Após a conclusão, o resultado da investigação será enviado ao Ministério Público Federal (MPF) em Minas que, por sua vez, decidirá se encaminha ou não processo contra o ex-ministro à Justiça.

A apuração da PF contra Pimenta da Veiga foi originada a partir da denúncia oferecida em 2007 pela Procuradoria-Geral da República, com base no inquérito do mensalão tucano.

Quinze pessoas foram denunciadas à época, dentre elas o então deputado-federal Eduardo Azeredo (PSDB), que renunciou em 2014 para se dedicar à sua defesa, o senador Clésio Andrade, também pré-candidato ao governo de Minas pelo PMDB, e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que teve o processo prescrito em janeiro deste ano ao completar 70 anos.

Outro denunciado, o ex-tesoureiro Cláudio Mourão também completa 70 anos em abril deste ano e deve ter seu processo também prescrito.

O processo contra o senador Clésio Andrade permanece no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo foro privilegiado. Os demais, nove pessoas atualmente, serão julgados pela Justiça Mineira, inclusive o ex-deputado Eduardo Azeredo, que perdeu o foro ao renunciar.

Mensalão tucano

O esquema, segundo a Procuradoria-Geral da República, envolveu uma empresa de publicidade de Marcos Valério, a SMP&B, que obteve empréstimos no Banco Rural e repassou para a campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. Além disso, três estatais teriam repassado mais de R$ 4,5 milhões a Valério a título de pagamento para patrocínio de eventos esportivos. No entanto, o custo do serviço foi de R$ 98,9 mil, conforme a Procuradoria. O restante foi usado para a campanha de Azeredo.

O esquema envolveu ainda a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge).

Fonte: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2014/04/pf-indicia-pimenta-da-veiga-por-lavagem-no-mensalao-tucano.html