segunda-feira, 21 de abril de 2014

Entrevista com o deputado Francisco Praciano

Deputado federal Francisco Praciano é considerado um 'rebelde' dentro do PT - Foto: Diego Janatã
Deputado federal Francisco Praciano é considerado um 'rebelde' dentro do PT 
Com uma história política voltada para o combate à corrupção, o deputado federal pelo Amazonas, Francisco Praciano (PT), é uma figura à parte no partido do qual é membro. Considerado um dissidente, Praciano enfrenta por conta das suas convicções políticas desprezo da legenda não só em Brasília, mas também no Estado.

A última polêmica envolvendo a ‘rebeldia’ do petista foi seu voto favorável à instalação da Comissão Externa de Investigação, na Câmara dos Deputados, que vai acompanhar as apurações a respeito das transações comerciais da Petrobras. Ele foi o único petista da casa – partido da presidente Dilma Rousseff - que se colocou contra o governo.

Francisco Praciano recebeu a reportagem do jornal Amazonas EM TEMPO em sua residência em Manaus e fez revelações sobre os motivos que o levam a querer ficar “livre do PT” nos próximos anos.

EM TEMPO - O que levou o senhor a votar contra o seu partido no caso da comissão externa para investigar a Petrobras?

Francisco Praciano - Eu poderia dar um voto diferente? Decidi votar e não perder radicalmente a coerência. Na semana seguinte eu coordenei junto com o deputado Mendes Thame (PSDB/SP) um seminário internacional de combate à corrupção, ele preside Organização Global de Parlamentares de Combate à Corrupção (Gopac) aqui no Brasil e eu sou secretário. Como é que eu iria sentar numa mesa onde existiam, contas abertas, transparência internacional, jornalistas? Então, foi um voto coerente com toda a minha história de combate à corrupção. Não é nada de moralismo. A corrupção está dando ao Brasil um prejuízo de R$ 100 bilhões por ano, quase dez orçamentos do Amazonas por ano. O cálculo foi feito pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). 

EM TEMPO - A sua iniciativa lhe rendeu a alcunha de rebelde. O senhor é um rebelde dentro do Partido dos Trabalhadores?

FP - Quando um companheiro da nacional me ligou perguntando o porquê do meu voto, eu lhe respondi: porque sou petista. Continuo sendo petista.

EM TEMPO - O senhor concorda com o jeito Dilma de governar?

FP - Concordo com o jeito de Lula e Dilma. Todo mundo fala em Produto Interno Bruto (PIB), que precisa crescer o PIB, que precisa alavancar o PIB. Mas, para quê crescer o PIB? É para ajudar gente, não é? E qual foi o PIB Lula e Dilma, algo um pouco maior do que o do Fernando Henrique Cardoso, mas será que merece tanta crítica esse pequeno? Se hoje não se eliminou a miséria, mas se obteve uma redução muito grande. O que eu acho é que um país não cresce com um povo miserável. O cidadão que não tem um café da manhã, um almoço, um jantar é um cidadão que colabora pouco ao desenvolvimento do país. E Lula e Dilma estabeleceram projetos que resolveram os problemas de gente. Para mim, foram e são um bom governo, porque mesmo com um PIB pequeno tiveram a coragem de tratar de ‘gente’ e não de coisas.

EM TEMPO - Existem rumores de que o senhor estaria desestimulado ao ponto de querer se aposentar da vida política. Francisco Praciano será candidato a algum cargo eletivo em 2014?

FP - Eu amadureci nos quatro mandatos de vereador e nos dois de deputado federal e, com 62 anos de idade, não tenho mais a ‘noia’ de ganhar ou não ganhar. Já estou tranquilo. A sociedade amazonense, pelos mandatos que me deu, me fez feliz. Eu decidi me candidatar e fazer meu último mandato de parlamentar. Quero fazer o parlamento dos meus sonhos: livre total, inclusive do PT. Eu acho que o PT não acreditou em mim, não me usou como deveria e teria sido interessante. A partir desta última tentativa para o parlamento, devo focar em candidaturas locais. Não quero mais gritar, quero ter uma caneta nas mãos para realizar sonhos.

EM TEMPO - As críticas à bancada federal do Amazonas, da qual o senhor faz parte, surgem de várias frentes. Em sua opinião elas são corretas? O que falta para a nossa bancada ganhar a confiança da opinião pública?

FP - Uma bancada de 11 parlamentares nunca vai ser forte frente ao conjunto de 513 políticos. Mas, tenho que reconhecer que nossa bancada pouco se reúne e que não pensa o Estado. Cada um trabalha dirigido para seu foco de atuação, mas o tema Amazonas é pouco discutido. Nossos coordenadores nunca conseguiram reunir fácil essa bancada. E como a bancada do Norte é ao contrário da bancada do Nordeste, que sempre está reunida. Sei que existem temas que poderiam ser mais explorados, como o imbróglio da BR-319 (Manaus-Porto Velho) que ninguém mais fala.

Fonte: http://www.guiademidia.com.br/acessar-jornal.htm?http://www.emtempo.com.br