segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Meio século depois, Organizações Globo reconhecem que erraram ao apoiar golpe de 64 e ditadura militar


Acossadas pelas cada vez maiores e mais constantes manifestações contra seu monopólio e histórica posição política antidemocrática, de direita e golpista, suas reiteradas manipulações e controle da informação, as organizações Globo, em editorial na semana passada, reconhecem que foi um erro – histórico, dizem – apoiar o golpe e a ditadura militar no Brasil.

O jornal O Globo, no fim de semana (ontem), publicou texto com a confissão. “À luz da história”, diz o texto, “não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro.” Segundo o comunicado, as Organizações Globo há muitos anos têm promovido discussões internas a respeito do tema, mas só agora teriam encontrado uma oportunidade para tornar pública a mudança de opinião.

A ocasião para isso foi o lançamento do site Memória, que conta a história do jornal. Além disso, o comunicado afirma que as manifestações de junho confirmaram que “a avaliação que se fazia internamente era correta”.

Sempre foram de direita, conservadores e golpistas

Mas a verdade – e para registrá-la nem é preciso gastar muito espaço – é que as Organizações Globo sempre apoiaram a direita e todas as tentativas de golpe de Estado no Brasil. Sempre foram cabeça de ponte de todas as campanhas contra governos democráticos.

Não apenas em 1964. Foram contra Getúlio Vargas e seu governo democrático de 1951 a 1954; contra a posse, em 1955, do presidente Juscelino Kubitschek; apoiaram os militares em 1961, quando eles, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, impediram a posse do vice-presidente João Goulart e só a admitiram retirando-lhe poderes com a instituição do parlamentarismo.

Apoiar golpes, a direita e o conservadorismo em geral faz parte da alma e da natureza das organizações Globo, de seu DNA, como se diz hoje. Por isso eles apoiaram a campanha e a eleição do presidente Fernando Collor de Mello. Por isso as Organizações Globo fizeram de tudo para a campanha das Diretas-Já não ter o apoio popular e nacional que teve. Daí o grito de guerra do povo nas ruas, naquela campanha e em muitas outras, “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

Globo manipula campanhas, noticiário, debates

A Globo apoiou e manipulou como quis e pôde o noticiário e até debates para impedir a vitória do presidente Lula. Apoiou a era FHC (1995-2002) e apoiou os tucanos com tudo. Aliou-se ao PFL (mudou de nome, hoje se chama DEM – Democratas) sob a liderança do falecido ministro Antônio Carlos Magalhães – o ACM – e juntos consolidaram o monopólio da família Marinho, que a ditadura lhes deu.

Por isso, a Globo fez oposição aos governos de Lula e ao PT. Também fez da Ação Penal 470 (mensalão) sua razão de ser, mesmo ao preço de violar a Constituição e os mais elementares princípios do direito, como a presunção da inocência, o ônus da prova da acusação e o direito de defesa.

Sustentou e deu apoio ao uso da teoria do domínio de fato (condenação em cima de uma tese e não de provas) e à farsa do dinheiro público e do desvio dos recursos da Visanet. E o fez mesmo sabendo da mentira, que era uma farsa, uma vez que a TV Globo foi uma das contratadas que prestou o serviço, recebeu e ainda pagou o bônus de volume (BV) – por sinal, uma invenção dela para continuar monopolizando o mercado publicitário.

E as Forças Armadas, quando vão reconhecer erro?

Espero que, a exemplo da família Marinho – acossada também por acusações de sonegação fiscal, cartel e monopólio -, as Forcas Armadas reconheçam o erro histórico não apenas do golpe de 64, mas dos crimes praticados em seu nome.

Reconheçam crimes como a tortura institucionalizada nos quartéis e os assassinatos políticos e ocultação de cadáveres dos desaparecidos políticos, entre outros crimes, fazendo pelo menos justiça às famílias daqueles que lutaram e morreram pela liberdade e a democracia contra a ditadura militar sustentada e apoiada pela rede Globo.