quinta-feira, 27 de junho de 2013

Manifestações agora tem nova forma e objetivos


As autoridades - à frente a presidenta Dilma Rousseff, e em São Paulo o prefeito Fernando Haddad (PT) - já atenderam boa parte das reivindicações trazidas as ruas, mas como vocês acompanham pela mídia entramos na terceira semana de manifestações e elas continuam a ocorrer em todo país. Mas, as atuais, são pequenas e violentas em diversas capitais e cidades. Fica evidente a mudança da natureza e dos objetivos comparados com as massivas manifestações da semana passada. Merecem, assim, uma nova e boa reflexão.

Sem questionar a legitimidade da maioria dos participantes, em muitos protestos eles se reduzem a centenas - às vezes, como a última na av. Paulista, a dezenas. O que termina se destacando, agora, é o seu caráter violento e cada vez mais disperso em termos de demandas, quando não dominados por gangues de direita e saqueadores.

Das manifestações atuais, a última realizada em Belo Horizonte, por exemplo, contou com mais de 10 mil pessoas, mas nunca com as 50 mil que somente os jornais e a PM do governo tucano de Minas Gerais viram.

MPL muda o formato das manifestações

Nessa nova fase, o Movimento Passe Livre (MPL) - que convocou sete protestos na capital paulista e se incorporou a duas pequenas manifestações ontem na Zona Sul paulistana - inova mais uma vez: ele mudou o formato de seus atos nesta 5ª feira e em vez das grandiosas e longas passeatas cidade afora, organiza uma "aula pública" em frente à Prefeitura de São Paulo.

Será no viaduto do Chá (centro de São Paulo), logo mais às 17h, sobre o tema "tarifa zero e como ela se liga contra o aumento e às mobilizações que tem balançado o país." Estão convidados para ministrar a aula o engenheiro Lúcio Gregori, ex-secretário dos Transportes na gestão da prefeita paulistana Luíza Erundina (1989-1992), e o filósofo marxista Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado do Departamento de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo).

De acordo com as informações na página do evento no Facebook mais de 1.600 pessoas já confirmaram presença. Gregori foi o idealizador da tarifa zero e é a principal referência no assunto para os militantes do MPL. Em 1990, no 2º ano da gestão Erundina, ele propôs a gratuidade nos ônibus municipais, a ser custeada pela ampliação progressiva do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) para grandes propriedades, mas os conservadores foram até a Justiça para inviabilizar sua proposta.

Arantes apoiou o PT até o início do 1º governo Lula, quando se tornou crítico da sigla e do governo por discordar dos rumos implementados. Um dos fundadores do PSOL em 2004, Arantes foi o orientador de Haddad quando o prefeito fez doutorado em Filosofia na USP com a tese "De Marx a Habermas – O materialismo histórico e seu paradigma adequado".