terça-feira, 18 de junho de 2013

A VELHA CAIXA PRETA - POR FRANCISCO PRACIANO*



Desde a semana passada, uma série de protestos contra aumentos dos preços de passagens de ônibus tem tomado conta de várias capitais brasileiras.

Os protestos, ora pacíficos, ora com algum grau de violência (violência cometida, diga-se, tanto por parte dos manifestantes quanto das polícias militares), aconteceram, por exemplo, em Manaus, Curitiba, Maceió, São Paulo, Porto Alegre, Goiânia, Natal e Rio de Janeiro.

Embora as manifestações – dependendo da cidade onde elas estão ocorrendo – reúnam diferentes números de pessoas, elas têm em comum, no fundo, a mesma origem, que é o fato das prefeituras dessas cidades não abrirem, para a sociedade, as planilhas de custos das empresas que prestam os serviços de transporte coletivo, ou seja, o fato das planilhas de custos continuarem a ser uma caixa preta inacessível àqueles que pagam pelas passagens.

Qual o motivo pelo qual o prefeito de São Paulo (do meu Partido, PT) não abre as contas do transporte da cidade? Quais os motivos pelos quais também não são abertas as contas do transporte no Rio de Janeiro (que tem prefeito do PMDB), em Natal (prefeito do PDT) ou em Manaus (prefeito do PSDB)?

Como é possível alguém aceitar - sem conhecer as planilhas de custos desses serviços - aumentos que são concedidos acima da inflação? Como alguém pode aceitar, ainda, qualquer aumento, se os serviços continuam precários e, na verdade, a cada aumento eles ficam piores do que antes?

Após recente manifestação de protesto realizada em Manaus, um dos estudantes disse em entrevista: “Aceitaria os R$ 3,50 ou os R$ 3,00 se o serviço prestado fosse de qualidade. Mas não é”. Tem razão o estudante, pois não se trata do valor da passagem em si, mas de como se chegou ao valor que foi estabelecido.
Os protestos, como afirma o escritor Inácio de Loyola Brandão em artigo publicado ontem no jornal “O Estado de São Paulo” não são políticos coisa nenhuma. São contra as condições de qualidade medíocre de vida e, essencialmente, da indigência dos transportes coletivos.

* Francisco Praciano é deputado federal