terça-feira, 18 de junho de 2013

Após maior ato, Passe Livre tem reunião com Haddad e nova manifestação

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No Conselho da Cidade, representantes do movimento vão expor propostas para reduzir valor da tarifa e chegar a longo prazo à gratuidade do serviço. Expectativa é voltar a reunir multidão nesta tarde.

Após realizar o maior ato de sua história na capital paulista, o Movimento Passe Livre inicia a terça-feira (18) reunido com o prefeito Fernando Haddad (PT) e encerra o dia com mais uma manifestação que promete ser multitudinária. Agendada durante as marchas desta segunda-feira, a mobilização desta terça já tem a confirmação, pelo Facebook, da participação de quase 90 mil pessoas.

Tradicionalmente, o número de usuários da rede social que dizem que estarão em um evento não se confirma integralmente, mas o bom desempenho do ato desta segunda garante confiança ao MPL. Foi o maior ato da história do movimento na capital paulista, motivado pela repressão policial da semana passada e pelo momento de insatisfação com o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô, que passaram de R$ 3 para R$ 3,20 no último dia 2. “Foi importante. Foi lindo. Simbolicamente, tanto do ponto de vista numérico como por ter esse aspecto de vir à sede do governo estadual”, afirma Artur Sales, de 20 anos, estudante do curso de Ciências Sociais na USP e integrante do Passe Livre.

O ato de segunda-feira, que não sofreu repressão policial, pôde se dividir em várias marchas ao longo da noite com as 100 mil pessoas que estiveram presentes, nos cálculos do movimento. Uma parte da manifestação foi à Avenida Paulista, tradicional ponto de concentração de protestos, e de lá um grupo foi em direção à Avenida 23 de maio, importante via de ligação do centro com outras regiões da cidade. Pela Avenida Faria Lima, ponto de concentração, caminharam outros manifestantes, que subiram à Ponte Estaiada, local em que se encontraram com os que decidiram seguir pela Marginal do Rio Pinheiros. De lá uma parte dos manifestantes tomou a direção do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Alguns dos integrantes do protesto decidiu forçar um dos portões do palácio, e a Tropa de Choque lançou bombas de "efeito moral".

É bem verdade que surgiram na manifestação outras bandeiras e temáticas, mas a questão da mobilidade urbana manteve centralidade nas marchas, que se dividiram por várias das principais avenidas da cidade. “Preocupa o movimento passar a pauta com qualidade. Essa pauta é transporte. É a tarifa. Claro que com essa quantidade de gente não conseguimos passar a pauta com a qualidade necessária, mas também é uma maneira de atingirmos mais gente”, diz Mateus Freis, de 19 anos, um dos integrantes do movimento.

Antes do novo protesto, os representantes do MPL têm um encontro marcado com Haddad. Não é a reunião privada que o movimento gostaria, mas, por ora, é o possível. O prefeito convocou na sexta-feira uma sessão extraordinária do Conselho da Cidade, um colegiado de caráter consultivo instalado no último dia 26 de março e formado por sindicalistas, integrantes de movimentos sociais, líderes religiosos e empresários. Na abertura, às 9h, na sede da administração municipal, o Passe Livre poderá apresentar suas propostas para garantir a redução do preço do ônibus, primeiro, e a gratuidade do serviço no longo prazo. Depois disso será a vez de o petista apresentar seus argumentos, e por fim os conselheiros poderão fazer perguntas.

Na visão do movimento, porém, o encontro no Conselho da Cidade não é o ideal. Eles gostariam de uma conversa particular com Haddad, e lamentam a posição da gestão municipal de afirmar que o aumento da tarifa é irreversível. Na segunda-feira de manhã, ele apareceu de surpresa em uma reunião entre o secretário de Governo, Antonio Donato, e Nina Campelo, para informar que há motivos técnicos que o impedem de recuar na decisão. "Contudo, os aumentos de tarifa não se tratam de uma questão técnica, mas política, como provam os diversos lugares em que a pressão popular conseguiu reverter”, diz nota emitida pelo movimento.

Durante o encontro, Nina aproveitou para convidar Haddad a comparecer a uma reunião na quarta-feira na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, na região central, mas o prefeito não se comprometeu a atender o pedido.