sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Negativa de registro à Rede: oportunismo contagia tucano e ex-comunista

O oportunismo é uma doença política incurável. Vejam as declarações publicadas hoje do candidato tucano ao Planalto, senador Aécio Neves (PSDB-MG), e de outros como o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), egresso do antigo PCB. Aécio se diz solidário à ex-senadora Marina Silva. Freire e outros dizem que é lei (o fundamento da negativa do registro da Rede Sustentabilidade), mas não devia ser cumprida.

Lamentam que a lei tenha inviabilizado a concessão do registro da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, na noite de ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ora, então por que não votam a reforma política, como bem lembrou e cobrou o deputado e secretario geral do PT, deputado Paulo Teixeira (SP)? Aécio e Freire, por exemplo, de forma velada ou ostensiva – depende do momento – trabalham contra a reforma política e seus partidos jamais se empenharam para valer para que ela fosse aprovada.

Mas, indeferido o registro da Rede de Marina Silva, vêm com notas e declarações típicas de quem chora lágrimas de crocodilo. Aécio – que, parece, já tinha nota pronta contando com o indeferimento – solidariza-se: “Acompanhamos desde o início o esforço de Marina Silva para formação da Rede, e fomos solidários a ela, inclusive, quando a truculência do PT se fez mais presente na tentativa de impedi-la de alcançar seu objetivo no Congresso. Lamentamos a decisão do TSE, mas temos que aceitar e respeitar a decisão da Justiça. Mantemos a posição que já externamos em outras oportunidades: a presença de Marina Silva engrandece o debate democrático de ideias.”

Lágrimas de crocodilo?

Freire foi na mesma toada, alguns tons acima: “Foi uma violência, não contra a Marina em especial, mas contra a cidadania. (…) A eleição ainda está muito longe, a única certeza que a gente tem é que Rede não vai participar. Daqui até 2014, vamos ter ainda muitas reviravoltas. Eu defendi a candidatura de (José) Serra, porque nos ajudaria a levar a eleição para o 2º turno. Da mesma forma que a candidatura da Marina seria importante. Nós (Brasil) estamos cometendo um erro, porque esse governo não tem escrúpulos. Por isso o 2º turno seria importante.”

O secretário-geral do PT, deputado Paulo Teixeira, deu a resposta na medida certa: “O TSE cumpriu a lei, porque a rede não conseguiu dar conta do número de assinaturas (filiações). A decisão demonstra que é preciso fazer a reforma política. A criação de partidos é uma coisa cartorial no Brasil, e isso não é bom. Lamento pela Marina, porque é uma pessoa de conteúdo”.

Lamentável, ainda, que certa mídia e articulistas escrevam que a decisão favorece o Planalto (sic) e o PT. Dizem que a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição, o Palácio do Planalto e o partido torciam para que Marina ficasse de fora da disputa presidencial do ano que vem.

Dizer que Dilma, Planalto e PT torciam contra Marina é bobagem

Bobagem, já que Marina pode decidir hoje apoiar um candidato da oposição ou filiar-se a outro partido. E a Rede Sustentabilidade, mesmo sem obter o registro agora, é uma força real social, política e eleitoral. Continuará seu processo de constituição e legalização, continuará cumprindo seu papel.

Marina, mais do que isso, indiscutivelmente é uma liderança nacional e exercerá esse papel. Nem está, absolutamente, fora de páreo nenhum. Pelo que noticiam os jornais, ela atravessou a madrugada em reuniões com os dirigentes e líderes de seu partido grupo político.

Faz mais reuniões, nesta manhã – é o que publicam os jornais – e à tarde, provavelmente anuncia seu destino. E se anunciar filiação a algum dos 7 ou 8 partidos que lhe ofereceram legenda para concorrer a presidente da República em 2014? Ou que se resguarda para apoiar algum candidato ou partido no ano que vem? É aguardar.