sexta-feira, 18 de outubro de 2013

“A exumação de João Goulart é a exumação da ditadura no Brasil”, afirma Maria do Rosário



Agora a data está marcada. Dentro de menos de um mês, dia 13 de novembro, começa a exumação do corpo do ex-presidente João Goulart, o Jango, em sua terra natal, São Borja (RS), anunciou a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) nesta 4ª feira (16.10). Trata-se do primeiro e mais consistente passo – fundamental e aguardado há décadas – da investigação sobre as verdadeiras causas da morte de Jango, em dezembro de 1976.
“A exumação de João Goulart é a exumação da ditadura no Brasil”, afirmou muito corretamente a ministra Maria do Rosário, conferindo a exata medida ao significado desta investigação em termos históricos e de justiça neste país. No foco está a Operação Condor e as suspeitas de que Jango tenha sido assassinado quando cumpria seu exílio na Argentina ao invés de ter sofrido um ataque cardíaco, como alega a versão oficial da ditadura militar.

“O presidente morreu na Argentina na vigência da Operação Condor, um pacto de terror e morte das ditaduras do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, e do Paraguai com o apoio dos Estados Unidos e de outros países que tinham interesses regionais no nosso país”, contextualizou a ministra. “Nós estamos atendendo esse pedido da família porque hoje podemos dizer com segurança que ele foi perseguido por agentes da ditadura todos os dias da sua vida”, complementou.

Em busca desta verdade, exames antropológicos e de DNA serão realizados no Instituto Nacional de Criminalística da PF, em Brasília; e toxicológicos em laboratórios internacionais contratados pelo governo. “Estamos contando com peritos de várias regiões que trabalham na busca da verdade, da memória, nos caminhos da justiça que vivenciaram e vivenciam ainda as marcas da Operação Condor”, afirmou Maria do Rosário.

Ela também garantiu que o Brasil tem “plenas condições de realizar esse procedimento em busca da verdade do que ocorreu com o presidente”. Uma busca fundamental para que a verdade venha à tona – e ela há de vir – e para que a justiça seja feita neste país.