sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Jango: verdade cada vez mais próxima


Na próxima semana, no dia 13.11, começam os trabalhos de exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart. O grupo destacado para levar à frente a investigação sobre a morte do ex-presidente acabou de ser constituído pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Exames e atividades periciais vão responder, finalmente, uma das grandes dúvidas da nossa história recente: Jango foi assassinado pela Operação Condor? O grupo, composto por representantes da Secretaria, da Comissão Nacional da Verdade (CNV), da Polícia Federal e por especialistas designados pelos familiares do ex-presidente, vai entregar o laudo conclusivo da exumação para a ministra Maria do Rosário e para a CNV.

Deposto pelos militares, Jango morreu em 1976 – no mesmo ano em que o ex-presidente Juscelino Kubitschek -, durante seu exílio na Argentina. Por imposição dos militares, seu corpo foi enterrado sem passar por autópsia, em São Borja (RS). As suspeitas de que ele foi assassinado pela Operação Condor atravessam décadas.

Na semana em que se descobriu a grande probabilidade – 83%, segundo os cientistas suíços – do líder palestino, Yasser Arafat, ter morrido por envenenamento, em 2004, fica clara a necessidade de investigarmos as mortes dos presidentes e líderes da oposição dos regimes militares que cobriram o Cone Sul.

Vários líderes e presidentes da Bolívia, Chile e Argentina foram assassinados em atentados no exterior ou no próprio país. No Brasil, os militares podem ter recorrido a acidentes forjados. Até hoje, a OAB-MG e outras entidades questionam a morte do ex-presidente Juscelino, atribuída oficialmente a um acidente na Via Dutra, em 1976.