sábado, 19 de julho de 2014

Desconhecimento e demagogia na fala de Aécio sobre Mais Médicos.


Em sua tentativa de convencer a população que irá manter – e “aperfeiçoar” – os programas do governo federal, o candidato tucano Aécio Neves vem cometendo uma gafe atrás da outra. Fala abobrinhas e mostra desconhecimento sobre o funcionamento desses programas, chegando até a colocar em risco o Bolsa Família, com um projeto sem pé, nem cabeça, que o descaracteriza por completo (leiam mais).

A bola da vez, agora, é o Programa Mais Médicos. Aécio disse, em sabatina à Folha, que pretende garantir salários integrais aos profissionais cubanos. Das duas uma: ou se trata de tergiversação, já que o candidato tucano não tem nenhuma alternativa melhor e nenhum projeto para a apresentar ao setor. Ou é desconhecimento mesmo sobre um dos maiores programas em funcionamento no país, com aprovação da maioria dos brasileiros.

Ao dizer que pretende aumentar os salários dos médicos cubanos, o candidato do PSDB mostra não ter a menor ideia de como funciona o programa da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) – a entidade mediadora do convênio que viabilizou o funcionamento do programa Mais Médicos e responsável pela interlocução com o governo cubano.

Desinformação de Aécio é preocupante

Mas, sabem o que mais nos preocupa, e deve preocupar a todos? será que os brasileiros já perceberam que o candidato Aécio, ao tirar os médicos cubanos do programa, deixara milhões de cidadãos sem assistência médica? É isso, nada mais, nada menos o que Aécio propõe ao começar a propor marolas em torno do programa. Inviabilizar seu funcionamento e deixar sem atendimento 50 milhões de brasileiros que já foram atendidos no 1º ano de funcionamento do Mais Médicos.

Outra preocupação que deve levar à uma reflexão a todos os brasileiros é o grau de desinformação de Aécio Neves. Sobre tudo. Como é que pode um candidato a presidente da República, classificado em 2º lugar nas pesquisas, com chance de vir a disputar um segundo turno ser tão desinformado sobre pontos básicos da vida nacional como programas como o Mais Médicos, o Bolsa Família, a economia? Há semanas ele comete gafes, dá informações erradas, elabora projetos absurdos…

Nota de esclarecimento do Ministério da Saúde sobre o Programa Mais Médicos:

O Ministério da Saúde esclarece que a participação de profissionais cubanos no Programa Mais Médicos ocorre por meio de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde, responsável pela interlocução com o governo de Cuba. Esses profissionais atuam no Brasil em modelo similar ao adotado em convênios com outros 63 países. Todos os acordos são coletivos e o pagamento dos médicos é feito pelo governo cubano. Não existem convênios internacionais disponíveis sem a intermediação de Cuba.

Com mais de 14,4 mil profissionais, o Mais Médicos atinge 50 milhões de brasileiros. Os médicos cubanos representam quase 80% do total de profissionais e mais de 2.700 cidades são atendidas exclusivamente por eles. No Mais Médicos, a atuação dos estrangeiros está prioritariamente nas regiões de maior necessidade, como no interior e nas periferias, e nas Unidades Básicas de Saúde que não tinham médicos.

Os médicos estrangeiros que participam do Programa são formados por instituições reconhecidas por seus países e, especificamente sobre os cubanos, a maioria deles possui experiência em outras missões e são especialistas em saúde da família.

A submissão dos médicos estrangeiros ao exame de revalidação de diploma prejudicaria a fixação dos profissionais no interior e nas periferias, bem como a atuação exclusiva na atenção básica. Isso porque os profissionais aprovados pelo Revalida estão autorizados a exercer a medicina livremente, ou seja, concorrem com os profissionais brasileiros no mercado nacional e poderiam se fixar em qualquer região do país, nos serviços públicos ou privados. Dessa forma, pelo histórico de fixação dos médicos no Brasil, eles também se fixariam nos grandes centros urbanos e não nos locais de maior necessidade.

O Programa possui 14,4 mil médicos. Se inscreveram por adesão, 1.846 brasileiros e outros 1.187 médicos formados fora do Brasil, o que representa apenas 20% dos profissionais. Somente dois médicos de nacionalidade cubana se inscreveram individualmente, representando menos de 0,01% da oferta. O acordo internacional supre 80% da ação. Portanto, se o programa contasse apenas com inscrição individual de médicos, cerca de 40 milhões de brasileiros continuariam sem acesso à atenção médica.