sexta-feira, 11 de julho de 2014

BRICS se reúne em Fortaleza.


Fortaleza, uma das cidades-sede da Copa do Mundo que termina domingo, abrigará nos dias 15 e 16 da próxima semana uma reunião de peso – a da Cúpula dos BRICS, que, tudo indica, marcará avanço no processo de constituição do bloco que detém 43% da população mundial e 1/4, cerca de 25%, da riqueza global.

Na pauta do bloco – formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – nesta reunião da capital cearense, a continuidade da formalização do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e do Mecanismo Contingente de Reservas (CRA), visando garantir condições a estes países para que possam enfrentar eventuais crises de liquidez.

Com capital inicial de US$ 50 bi, o NDB terá como objetivo financiar projetos de infraestrutura e para o desenvolvimento do bloco e, também, para outros países emergentes. Já o Acordo de Reservas de Contigências funcionará como um fundo de estabilização econômica voltado a ajudar países em crise.

Erros que devem ser evitados

Participam da reunião dos BRICS, além da presidenta Dilma Rousseff, os presidentes de China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; e da África do Sul, Jacob Zuma; e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

A continuidade na linha de criação do Fundo de Estabilização e a criação de um banco sempre foram cobranças aqui no blog do ex-ministro José Dirceu. Até para evitar erros e evoluir na direção daquilo que o economista Marcos Troyjo, aponta hoje, em seu artigo “Erros que os BRICS têm de evitar”, publicado na Folha de S.Paulo.

Troyjo enfatiza ainda a necessidade do bloco ousar mais e se conscientizar da importância que têm na economia, partindo para iniciativas além das do G7, com seus “encontros protocolores para a discussão de questões econômicas internacionais”. Ele adverte, ainda, que os BRICS não podem errar em dois pontos principais: na condução do NDB e nem se deixar paralisar pela heterogeneidade das economias dos países que foram o bloco.

O perigo de outro erro

O articulista acrescenta que os BRICS não podem “pilotar o NDB com a bússola da retórica Sul-Sul”, ou seja, inserindo-se como um contraponto ao FMI e ao Banco Mundial. “Há pouco a opor e muito a acrescentar”, comenta Troyjo. Ele pondera que estas “instituições de Bretton Woods estão defasadas em termos de governança” e que hoje tanto o FMI quanto o Banco Mundial “não passam de leões sem dentes”.

Outro erro a ser evitado, segundo o economista, é “paralisar-se ante a heterogeneidade dos BRICS”. Troyjo avalia que a cúpula deve apostar em pontos coincidentes, como o “financiamento do desenvolvimento e instrumentos mais modernos de governança”. Ele enfatiza, ainda, a necessidade do bloco ousar mais e se conscientizar da importância que têm na economia, partindo para iniciativas além das do G7, com seus “encontros protocalores para a discussão de questões econômicas internacionais”.