sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Trabalhos da CNV prosseguirão por tempo indeterminado.


Vítimas da ditadura militar, mesmo sem atuar nem ter nada a ver com a luta contra o regime de exceção. A página dessa história é longa e está sendo escrita pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) no Araguaia, que ouviu esta semana relatos de pessoas que sofreram torturas no período da Guerrilha do Araguaia, na primeira metade dos anos 70. 

A CNV anunciou ontem uma boa nova: seu trabalho vai continuar por tempo indeterminado. Assim que ela entregar à presidenta Dilma Rousseff o relatório final dos seus 2,5 anos de trabalho – o que está programado para ocorrer até 16 de dezembro próximo – as investigações passarão para a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Uma excelente notícia.

Ontem, em Marabá, no Sul do Pará – área palco da guerrilha – conduzidos pelos irmãos Ivan Jorge Dias e Ivaldo José Dias, os membros da CNV seguiram pelo Cemitério da Saudade. Os dois irmãos apontaram os locais onde foram obrigados a levar os corpos dos militantes da Guerrilha do Araguaia.

Obrigados a levar corpos para o cemitério

Nascidos no Rio, os dois irmãos chegaram ao Pará em 1972. Iam comprar terras, mas foram imediatamente capturados pelo Exército. Não tinham nenhuma relação com a resistência à ditadura, mas eram fisicamente diferentes dos paraenses e por isso foram presos e torturados física e psicologicamente. Ivan e Ivaldo contaram que foram obrigados pelos militares a carregar 15 corpos para o cemitério.

Outra vítima ouvida pelos representantes da CNV foi Abel Honorato. Ele foi torturado apenas porque conhecia um dos militantes, aliás um dos mais conhecidos do grupo de guerrilheiros, o Oswaldão. Honorato contou que sua família também foi presa e torturada psicologicamente.

Ele foi preso na Casa Azul, centro de tortura que, como aponta o reitor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do pará (UNIFESSPA), Maurílio de Abreu Monteiro, poderá se transformar em um museu em memória das vítimas da ditadura.Segundo a CNV, ainda hoje existem ameaças e pressões veladas contra as vítimas que decidem colaborar com as comissões Nacional e Estadual da Verdade.