segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Busto de Rubens Paiva é inaugurado em frente ao antigo DOI-Codi


À frente e de costas para o 1º Batalhão da Polícia Militar, antigo DOI-Codi nos anos da ditadura, agora se encontra um busto de Rubens Paiva, torturado e morto pelos militares naquele local. A inauguração da estátua, sexta-feira, na Praça Lamartine Babo, na Tijuca, serviu para recordar também a profissão de engenheiro do deputado federal, que atuou na Câmara por dois anos, antes de ser sequestrado em sua casa no Leblon, em 1971, e nunca mais ser visto.

— Resolvemos resgatar não somente o Rubens Paiva político, mas também o engenheiro, e a família gostou muito, ele tinha muito orgulho da profissão — explicou Agamenom Oliveira, diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ).

Os membros do Senge-RJ e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (FISENGE) prestaram a homenagem e defenderam a ação como um marco de lembrança e não de cobrança. O presidente do Senge-RJ, Olímpio Alves dos Santos, comentou a escolha do local e da posição da estátua:

— Não é uma provocação. É apenas o resgate da memória, para que ela fique sempre presente naqueles que fizeram isso, e naqueles que não sabem o que foi isso. A estátua não está de frente para o Batalhão por nenhum motivo especial. Não recebemos nenhuma pressão do Exército e também não iríamos nos curvar a nenhuma pressão. Esperamos apenas que as Forças Armadas tenham a coragem de limpar essa mancha na sua história, para que não haja conivência e repetição — explicou o presidente.