quinta-feira, 11 de abril de 2013

Só 200 grandes empresas financiam a democracia brasileira

Todos os que há tantos anos lutam pela reforma política e a entendem necessária e indispensável ao país com certeza subscrevem as críticas do relator da reforma política, deputado Henrique Fontana (PT-RS), ao lamentar a decisão do colégio de líderes da Câmara de suspender esta semana a votação dos projetos.

A maioria dos líderes partidários decidiu apenas que o único dispositivo da reforma a ser votado agora seria uma proposta de emenda constitucional (PEC) estabelecendo eleição apenas de quatro em anos com a coincidência de todos os mandatos eletivos, de vereador a presidente da República.

Mesmo assim, a tentativa de começar a votar a reforma pela votação dessa PEC fracassou na última 3ª feira. Henrique Fontana considera que tem de haver um acordo de procedimento para votar todos os itens previstos na reforma, como financiamento público exclusivo para as campanhas, fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais (vereadores, deputados estaduais e federais), voto em lista flexível e maior democracia popular.

Henrique Fontana“Eu lamento a decisão da maioria dos líderes partidários, que mais uma vez, impede o país de ver, assistir e acompanhar uma reforma do sistema político brasileiro. Eu defendi uma proposta que na minha concepção vai melhorar o sistema eleitoral brasileiro", destacou o relator Henrique Fontana.

"Para votar a reforma - prosseguiu - precisamos do compromisso das bancadas de entrarem no plenário e apresentarem propostas alternativas. Se for o caso, contrárias, por exemplo, ao financiamento público de campanha e se querem defender a continuidade do atual sistema de financiamento privado onde as grandes empresas é que financiam a maior parte das campanhas.

Fontana terminou suas declarações com um levantamento sintomático a respeito do financiamento privado de campanhas eleitorais existente no Brasil hoje: "Posso dizer com segurança que as 200 grandes empresas do país é que financiam a democracia brasileira na atualidade, e isso é muito ruim para o sistema democrático republicado brasileiro.”