terça-feira, 16 de abril de 2013

GO: matança sem fim dos sem-teto. MPF e Perillo cruzam os braços



Procede muito bem e merece todo apoio a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, ao pedir a federalização de todo o processo de denúncia, investigação e julgamento dos crimes praticados contra a população moradora de rua em Goiânia. Ela tomou a decisão depois que neste início de semana (ontem) foi registrada mais uma morte, elevando para 29, em menos de oito meses, o número de assassinatos de pessoas que vivem nas ruas da capital de Goiás.

Vejam vocês, até a semana passada já eram 26. De lá para cá mais três, sinal de que a matança prossegue impunemente e nada detém nem assusta seus executores.“Vou registrar junto ao procurador-geral da República um pedido de federalização, porque não basta federalizarmos nesse caso (apenas) a investigação. Não se trata de a Polícia Federal (PF) entrar ali para dar apoio ao Estado. Trata-se de verificarmos se em Goiânia e em Goiás nós temos no tecido do Estado o envolvimento de pessoas com estes crimes”, disse a ministra.

MPF precisa fazer denúncias para as autoridades federais poderem investigar


“Não basta pensarmos em federalizarmos a investigação. Precisamos que o inquérito seja federal. Nós precisamos que a denúncia seja por parte do Ministério Público Federal (MPF) e que o julgamento seja pelas autoridades federais”, insistiu a ministra Maria do Rosário. Aliás, ministra, o MPF o que faz neste caso, o que fez até agora diante destes e de tantos outros crimes provados em Goiás?

Esta matança tem sido denunciada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Goiás, deputado Mauro Rubem (PT). Há a suspeita de que estes moradores de rua sejam executados por grupos de extermínio incrustrados nas polícias goianas. Estes crimes já foram denunciadas por Mauro Rubem inclusive ao governador do Estado, Marconi Perillo (PSDB) em outubro do ano passado, quando ele liderou uma audiência de toda a comissão com o governador. Nenhuma providência. Único resultado é que o deputado petista sofreu várias ameaças de morte - antes e desde então continuou recebendo.

Diante dessa matança de sem teto em Goiânia as grandes e principais perguntas que ficam são: onde está o MPF? Por que ele protege o governador Marconi Perillo? O que eles (o MPF e o governador Perillo) têm a dizer, como andam as investigações sobre o grupo de extermínio Sétimo Mandamento descoberto no Estado? Foi, pelo menos instaurado algum inquérito, algum tipo de processo investigatório?

E como andam o processo, as investigações sobre o crime organizado no Estado, sobre organização criminosa que se infiltrou e capturou a máquina pública goiana? Como andam as apurações sobre o conluio envolvendo o empresário da contravenção Carlos Cachoeira, o ex-senador Demóstenes Torres e o próprio Governador do Estado, Marconi Perillo?