quinta-feira, 18 de abril de 2013

MST promove manifestações em 17 Estados brasileiros


Uma série de manifestações em todo o país, promovidas pelo MST, marcou os 17 anos do Massacre de Eldorado do Carajás nesta quarta-feira (17.04). As ações fazem parte de uma intensa programação que acontece todo o mês de abril, o Abril Vermelho, e da Jornada de Luta pela Reforma Agrária.

Elas aconteceram em 17 estados brasileiros e no Distrito Federal, e 60 rodovias foram fechadas pelos manifestantes. Apenas em Pernambuco, foram 12. Já em Porto Alegre, os manifestantes ocuparam a Secretaria Estadual de Educação, exigindo maior investimento para a área.

Em Fortaleza, por sua vez, eles ocuparam o DNOCS para pressionar pela negociação da situação dos camponeses afetados pela estiagem. No Rio, o protesto aconteceu na frente da Superintendência Estadual do Incra. Os sem-terra exigem um plano emergencial do governo para o assentamento de 150 mil famílias em todo o país.

Já em Brasília, em parceria com servidores do INCRA, os sem-terra distribuíram duas toneladas de alimentos. Todos produzidos em acampamentos e projetos de assentamentos. Marcelo Durão, representante do diretório nacional do MST, comenta as manifestações:

"Estamos neste mês de abril inteiro cobrando da presidenta Dilma Rousseff uma medida em relação aos assentamentos. A discussão pela reforma agrária está parada, então é importante nós acionarmos, tanto o Poder Judiciário como o governo para termos a obtenção de terras e a realização desses assentamentos".

Execução Sumária em Carajás

Eldorado do Carajás foi uma verdadeira execução sumária. Em 1996, os sem-terra protestavam contra a demora na desapropriação de terras em uma marcha que chegou a reunir 1.500 pessoas na BR-155. Quando chegou ao local, a PM paraense portava armas de fogo, bombas de gás lacrimogênio e outros aparatos de repressão e foi para cima dos trabalhadores. Eles só tinham foices, facões, enxadas e pedaços de pau para se defenderem.

Nesta quarta-feira, segurando caixão e cruzes, os sem-terra marcharam na Esplanada dos Ministérios em memória aos trabalhadores assassinados. Eles cobram “agilidade nos processos do julgamento e a condenação dos mandantes e executores de crimes no campo”, explica Diego Moreira, representante do MST no DF.

Integrantes do MST foram recebidos pelo Ministério da Justiça, que se comprometeu a conversar com tribunais e com o Conselho Nacional de Justiça.