quinta-feira, 4 de abril de 2013

"Este País não é sério!" - Por Fred Passos


Certa vez, o grande filósofo do caos, Tim Maia, mais conhecido pela alcunha de “Síndico”, proferiu a seguinte pérola sobre o Brasil: “Este País não é sério, aqui prostituta se apaixona, traficante se vicia e cafetão sente ciúme.

Com a frase, Tim Maia estava apresentando as contradições que existem neste extenso e populoso País, que cultua futebol, bunda, cerveja e, agora, elege políticos evangélicos que imaginam um Estado repleto de pessoas comungando o mesmo credo, a mesma fé e os mesmos dogmas. E ai de quem se opuser a isso!

Já estive em uma academia onde o instrutor de exercícios físicos tinha 1,70m e quase 100 quilos. Justificava sua falta de forma por ter se descuidado do corpo após sair da faculdade de educação física. Mas, segundo ele, o importante era o ensinamento e não o exemplo.

E por que estou falando sobre isso? Porque a última contradição deste País foi escancarada nacionalmente, tendo como origem a Câmara dos Deputados. Sim, caros leitores e únicos amigos, a Casa do povo, como dizem os magnânimos deputados, promoveu uma das maiores contradições da história daquele parlamento ao eleger, para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), o deputado pastor Marco Feliciano, do PSC (SP).

Mas, que diabos fez o pastor Marco Feliciano para merecer tantos protestos de ativistas de movimentos sociais, contrários a sua posse? O deputado Marco Feliciano, assim como Tim Maia, proferiu algumas pérolas sobre os mais diversos assuntos que causaram o maior furor entre os ativistas de direitos humanos e minorias. Ou seja, Feliciano provocou quem deveria defender.

Por conta de seus comentários, Feliciano foi denunciado junto ao STF, em janeiro desse ano, pelo Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, enquadrando seus atos homofóbicos como crime de discriminação, já que não existe crime de homofobia. 

Quanto ao comentário sobre os negros, Gurgel disse que Feliciano não poderia responder por racismo porque a frase estaria "no limite entre a ofensa à raça negra e a liberdade de expressão". Preto sofre nesse País!

O deputado, além de polêmico, gosta do vil metal. Não são poucos os vídeos disponíveis na internet nos quais Feliciano induz seus seguidores a botar a mão no bolso para contribuir com a Igreja. Em um dos vídeos, Feliciano fala sobre a benção da prosperidade, que, segundo ele, está no bolso (homens) e na bolsa (mulheres) de cada fiel. Em seguida, ele pede aos fiéis que contribuam com o que tem: cheque pré-datado, cartão de crédito, jóias etc.

Na sexta feira, dia 29, em Minas Gerais, Feliciano aprontou nova polêmica, ao criticar, em culto evangélico, os antigos membros da CDHM, afirmando que: "Pela primeira vez na história desse Brasil, um pastor cheio de Espírito Santo conquistou um espaço que até ontem era dominado por Satanás!"

Espero que os ativistas dos movimentos sociais consigam obter êxito em seus protestos e possam retirar Feliciano da presidência da CDHM, que não merece ser conduzida por alguém que deveria presidir um clube neonazista.

Mas, cuidado! Segundo as más línguas, caso Feliciano renuncie, Jair Bolsonaro vai colocar seu nome à disposição para concorrer ao cargo! Silas Malafaia já disse que o apóia. É pagar pra ver...