segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sindicato diz que operário morreu na Arena sem equipamento de segurança

Presidente de sindicato diz que operário morreu na Arena sem equipamento de segurança.

De acordo com Cícero Custódio, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil, fotos tiradas pelos operários comprovam irregularidade na obra.

Cícero Custódio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil de Manaus e do Amazonas, afirmou que fotos tiradas pelos operários comprovam que Marcleudo de Melo Ferreira não usava o equipamento de segurança adequado no momento do acidente que o matou na madrugada de sábado (14), na Arena da Amazônia.

A declaração foi dada durante visita da perícia técnica para investigar as causas do acidente e as condições de trabalho. Ainda na noite de sábado, a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), a Justiça do Trabalho interditou parcialmente as obras na parte de cima do estádio. Segundo Cícero, em solidariedade ao operário morto, outros trabalhadores paralisaram outros pontos da obra.

O sindicalista denunciou ainda o excesso de horas trabalhadas. "Tem trabalhador que entra 7h30 e sai 1h30 da manhã. O certo é entrar às 7h e sair às 17h. Tem trabalhador trabalhando 50 horas por semana. O operário não pode trabalhar à noite em área de risco. Ele estava sem cinto e em serviço num turno que não tinha acordo. ", afirmou Cícero.

Uma fiscal da Justiça do Trabalho analisa os cartões de ponto dos operários, mas ainda não se pronunciou se há excesso de horas trabalhadas. Cerca de 1800 trabalhadores atuam na construção da Arena da Amazônia, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

Operários pedem mais segurança

Vanderlei Assunção, de 43 anos, trabalha no setor de acabamento da Arena da Amazônia e denunciou que a Construtora Andrade Gutierrez não repõe Equipamento de Proteção Individual (EPI), quando o operário perde ou danifica. "Se perder, já era. Ficamos trabalhando sem. E à noite não temos técnico de segurança do trabalho", reclamou.

O encanador Rosinaldo de Sá também reclamou a falta de um técnico de segurança. "Foi lamentável o que aconteceu. Podia ter sido com qualquer um". 

Em nota, a Construtora Andrade Gutierrez afirmou que vai fazer uma investigação interna para apurar as causas do acidente que causou a morte do operário Marcleudo de Melo Ferreira, 23 anos.

UGP visitou obra no domingo

Na tarde de domingo (15), o Governo do Amazonas, por meio da UGP Copa, esteve no canteiro de obras da Arena da Amazônia acompanhando as perícias realizadas no local.

Em nota, a unidade gestora informou que a construtora Andrade Gutierrez está promovendo a revisão dos procedimentos de segurança, treinamentos e equipamentos disponibilizados e exigidos pela empresa para o trabalho de seus funcionários e prestadores de serviços.

A assessoria da UGP COPA disse que os procedimentos de segurança são continuamente exigidos na construção da Arena da Amazônia e que o impacto desta paralisação será mensurado após a suspensão do embargo parcial da obra.