quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Congresso da Fetraf debate desafios do campo


“A hora é de reduzir o superávit primário para ampliar os investimentos na produção. A população foi às ruas por saúde, educação e transporte públicos de qualidade e nós não podemos ficar guardando dinheiro para rolagem de dívida”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, nesta terça-feira (13), em Luziânia (GO), durante a abertura do III Congresso da Fetraf/CUT (Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar/Central Única dos Trabalhadores).

Na avaliação do líder cutista, o momento é de “tributar as grandes fortunas, pois precisamos de recursos públicos para o desenvolvimento, para construir um país diferente”. “Rico no país não paga imposto e esse governo não pode compactuar com isso”, assinalou Vagner, sob aplausos dos cerca de 800 delegados de 18 estados.

Saudando a ação da Fetraf/CUT como um símbolo da luta por liberdade e autonomia sindical, o presidente cutista conclamou os presentes a fortalecerem a pressão por mudanças, “pois precisamos ir além do crescimento econômico, necessitamos lutar para mudar o Estado brasileiro, burguês e concentrador de renda”. Entre as prioridades do momento, apontou, a CUT está nas ruas e no Congresso Nacional para barrar o PL 4330, que aprofunda a precarização e a terceirização. “Querem que o trabalhador ganhe a metade, trabalhe duas vezes mais e fique sem direito nenhum”, condenou.

Para o país avançar, acredita Vagner, além das reformas política, tributária e agrária, é necessário garantir um novo marco regulatório para as comunicações, “ou não vamos ter democracia nunca”. “Não há liberdade de expressão no Brasil, pois ela fica restrita ao dono da Globo, da Folha. Nós não queremos censura, queremos regulação”, sublinhou.

A presidenta da Fetraf-CUT, Elisângela Araújo, destacou o papel dos cutistas na disputa por um modelo de desenvolvimento inclusivo, “de um mundo rural com gente vivendo com qualidade de vida”. Ela apontou a relevância de maiores investimentos na agricultura familiar e camponesa, na reforma agrária e na distribuição de terra.

“Fortalecer a agricultura familiar é defender a soberania nacional, alimentar e nutricional, é defender um projeto sustentável no plano econômico, social e ambiental”, declarou Elisângela, que encerra no Congresso o seu segundo mandato.

Para Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da CUT e também dirigente da agricultura familiar, a ação coletiva, comandada por Elisângela, potencializou a unidade e enraizou a organização da Fetraf, fortalecendo a participação feminina e da juventude, “essenciais para avançarmos rumo à construção de uma sociedade e um país mais justos e igualitários”.

Prestigiando o evento, o vice-governador do Maranhão, Washington Luiz defendeu a importância estratégica da agricultura familiar para o projeto de desenvolvimento nacional e a relevância para o Brasil de que os trabalhadores tenham atendidas as suas reivindicações “no campo e na cidade”.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, relembrou a afirmação de direitos e inclusão social. “O movimento da classe trabalhadora permitiu avanços e conquistas para toda a sociedade. Enfrentamos desafios e alcançamos uma melhor garantia de renda, além da assistência técnica rural e da reforma agrária. No momento, o desafio maior é garantir os direitos da juventude no meio rural. Tenho certeza que a Fetraf irá estabelecer essa pauta de luta para o próximo período”.

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, lembrou o que significou para o campo brasileiro a existência da Fetraf nos últimos oito anos, desde a luta pela consolidação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), até a política de construção de habitações rurais. “Graças ao trabalho, ao empenho e à mobilização da Fetraf avançamos muito em várias áreas como o acesso à educação e à saúde no campo”, disse.

O diretor de negócios agrícolas do Banco do Brasil, Clenio Severio Teribele, falou da admiração e do respeito pelos trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar e por sua entidade. Ressaltou também o compromisso do Banco do Brasil com os agricultores. “Com a parceria do Banco do Brasil com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, cerca de 70% dos empréstimos realizados são voltados para essas famílias. Com o apoio da Fetraf, até o final do evento irão surgir novas sugestões para aprimorar o crédito no meio rural”, acrescentou.

Fonte: Fetraf