sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Começaram os trabalhos de exumação de Jango



Que tenha êxito em seu trabalho e consiga trazer esclarecimentos definitivos a equipe de peritos da Polícia Federal (PF), da Comissão Nacional da Verdade (CNV), da Secretaria de Direitos Humanos da Prdesidência da República e do Ministério Público Federal (MPF) que, com uma visita ao jazigo do ex-presidente João Goulart, o Jango, em São Borja (RS), iniciou ontem os trabalhos de exumação dos seus restos mortais. O objetivo é descobrir se ele foi assassinado.

Por enquanto os peritos fazem todo um trabalho de preparação da exumação, ainda sem data para ocorrer. Ao término dos trabalhos, os restos mortais dos ex-presidente serão transferidos para Brasília, para os exames finai no Instituto Nacional de Perícia da PF. Além dos técnicos brasileiros, participam do trabalho peritos argentinos, uruguaios e da Cruz Vermelha.

Parentes do ex-presidente - sua viúva, Maria Tereza fontella Goulart e os filhos Denise e João vicente - também acompanham a investigação. Jango foi o único presidente brasileiro a morrer no exílio. Morreu no dia 6 de dezembro de 1976 em Mercedes, província do Norte da Argentina.

Jango, o menos estudado dos presidentes brasileiros

É, até hoje, o menos estudado dos presidentes brasileiros, principalmente porque a ditadura militar que o depôs no dia 1º de abril de 1964 o estigmatizou. Disseminaram tanto ódio contra ele que em 1976, quando ele morreu, 12 anos depois de ter partido para o exílio, os militares queriam impedir que ele fosse sepultado em sua terra natal, São Borja. Só uma intervenção direta do então presidente, general Ernesto Geisel, permitiu que fosse enterrado no Brasil, mesmo assim com a condição de que seu caixão viesse lacrado e não fosse aberto aqui.

A exumação faz parte da investigação para esclarecer se a causa da morte de Jango foi mesmo um ataque cardíaco, conforme divulgaram na ocasião as autoridades do regime militar, ou se ele foi envenenado, como garantem, dentre outros, um ex-agente da ditadura uruguaia. Também seus parentes e e amigos sustentam esta tese de que a morte pode ter ocorrido em função da substituição de medicamentos rotineiros de Goulart (era cardíaco), feita por agentes da repressão uruguaia.

Seu corpo não passou por autópsia. Investigações conduzidas até agora pela CNV apontam que o ex-presidente foi vítima da Operação Condor, montada pelas ditaduras militares do Brasil, da Argentina e do Uruguai para perseguir e eliminar opositores dos regimes militares do continente.