terça-feira, 5 de agosto de 2014

Com cessar-fogo, Gaza recebeu 300 caminhões de abastecimento e ajuda humanitária.


Em meio à torcida e a uma tênue esperança de que seja respeitado o novo cessar fogo de 72 horas iniciado hoje entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza, na Palestina, 300 caminhões entraram em Gaza, com abastecimento e ajuda humanitária internacional para a população. Os danos materiais na Faixa já somam mais de US$ 5 bi. Em três semanas da ofensiva desencadeada por Israel, já são 1,8 mil mortos e mais de 9,5 mil feridos, a maioria palestinos e o maior número de vítimas está entre crianças, mulheres, adolescentes e idosos.

Os hospitais de Gaza estão lotados. Segundo o Ministério da Saúde palestino, 9.563 pessoas ficaram feridas desde o início da ofensiva e 1.867 palestinos, a maioria civis, foram assassinadas. Cerca de 64 militares israelenses morreram. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), os bombardeios mataram 392 crianças e feriram 2.502. O número de menores que necessitam de cuidados psicológicos chega a 370 mil segundo a entidade.

Como explica Pernille Ironside, chefe da UNICEF em Gaza, “a ofensiva teve um impacto catastrófico e trágico nas crianças. Se levarmos em conta o que estes números representam para a população de Gaza, é como se tivessem morrido 200 mil crianças nos Estados Unidos”.

A mais recente trégua

Com o estabelecimento da trégua de 72 horas, mediada pelo vizinho Egito, as tropas terrestres de Israel saíram da Faixa de Gaza e se encontram, mobilizadas, atrás da cerca fronteiriça. A maior parte do efetivo israelense deixou a Faixa de Gaza, após as Forças de Defesa de Israel (IDF) terem destruído 32 túneis utilizados pelo Hamas para chegar ao território israelense.

O Egito pediu o cessar-fogo após o consentimento das principais milícias palestinas, para a negociação de um documento que leve ao fim do bloqueio israelense sobre a Faixa de Gaza, em vigor há 7 anos. Se a trégua não for rompida nas próximas 72 horas, a negociação do fim do conflito poderá ser iniciada.

Nesta 3ª feira, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou em comunicado que Israel deve assumir suas responsabilidades pelas “crescentes evidências de crimes de guerra” cometidos pelo seu Exército na região. O documento enfatiza “a necessidade agora mais do que nunca para que se assumam responsabilidade pelas crescentes evidências de crimes de guerra e um número nunca visto de vítimas civis, incluindo crianças”.

Saldo trágico

Ela questiona: “se os civis não podem se refugiar em escolas da ONU, onde podem estar a salvo? Abandonam suas casas para se salvar e são atacados onde se refugiaram. Esta é uma situação grotesca”. Nos últimos dias ocorreram seis ataques (bombardeios) de Israel a escolas da ONU (mais de 50 mortos) onde se abrigam, em cada uma, entre 1.800 e 2 mil pessoas, além da população infantil.

“Seis escolas da ONU foram atacadas. Os bombardeios de escolas da ONU, que causaram a morte de mulheres e crianças assustadas e homens civis, incluindo funcionários das Nações Unidas, que buscavam refúgio do conflito e de atos horrorosos podem ser considerados crimes de guerra”, complementou Pillay. “O que estamos vendo é o assassinato de famílias inteiras, de crianças que brincam nas ruas ou que estão tentando buscar refúgio”, criticou.

Financiador do sistema antimísseis Domo de Ferro, de Israel, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama assinou neste início de semana (ontem) uma lei que permite o aporte US$ 225 milhões para financiar o projeto. A lei foi aprovada no Congresso na última 6ª feira, o último dia antes dos legisladores americanos iniciarem o recesso parlamentar de verão.

“Os Estados Unidos têm orgulho do Domo de Ferro, desenvolvido conjuntamente com Israel e financiado pelos EUA. Ele salvou incontáveis vidas em Israel”, afirmou em comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

Rede da Bolívia condena ofensiva de Israel em Gaza

A Rede da Bolívia em Defesa da Humanidade (REDH) divulgou, neste início de semana, comunicado em que repudia os ataques de Tel Aviv contra a Faixa de Gaza. “Nós reconhecemos e expressamos nossa solidariedade para com a heróica luta do povo palestino e suas organizações de resistência, especialmente em Gaza, contra a tentativa de Israel de exterminar e arrancar os pedaços restantes de que era sua terra natal”, afirma o documento.

Personalidades, intelectuais, lideranças políticas e de movimentos sociais assinam o manifesto, expressando sua “oposição absoluta ao genocídio sofrido pelo povo palestino” e clamando por sanções contra o governo de Jerusalé/Tel-Aviv, única forma que veem, de o país cumpra resoluções do Conselho de Segurança da ONU que, sucessivas vezes pediu cessar-fogo, suspensão da ofensiva militar israelense e negociações que levem à paz. .

O manifesto também cumprimenta a posição dos governos da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA), do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e de outros governos da América do Sul que se posicionaram contra a conduta israelense em Gaza.