domingo, 8 de junho de 2014

Artista que costurou vagina em performance polêmica recebe ameaças.


A performance 'Xereca Satânik', apresentada no campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras, continua gerando polêmica.

A artista que costurou a própria vagina com uma bandeira do Brasil durante uma performance intitulada de 'Xereca Satânik', campus de Rio das Ostras (RJ) da Universidade Federal Fluminense (UFF), está sofrendo ameaças. Segundo o jornal Extra, de sexta-feira (6), Raíssa Vitral, uma das integrantes do Coletivo Coyote, voltou para Minas Gerais, onde mora, e evita dar entrevistas por conta do assédio.

A manifestação artística foi realizada no dia 28 de maio e gerou polêmicas após ser divulgada na internet. Na performance, a artista insere uma bandeira do país no órgão genital, costura, com a ajuda de colegas, e queima a flâmula em uma fogueira.

"As pessoas dizem que vão matar e dar tiros. Ameaçam os filhos dela. Ela corre riscos brabos mesmo, recebe ameaças pela internet. As pessoas são malucas. A Raíssa põe o corpo dela como forma política, ela é uma guerrilheira dos nossos dias. Eu a admiro por isso. Espero que não haja uma caça às bruxas", defendeu o chefe do Departamento de Artes e Estudos Culturais do Instituto de Humanidades e Saúde da UFF, Daniel Caetano, em entrevista ao Extra.

Segundo os organizadores, a performance fazia parte da festa de confraternização do "II Seminário de Investigação e Criação do Grupo de Pesquisas UFF/CNPq: Cultura e Cidade Contemporânea - arte, política cultural e resistências" e se tratava de um protesto contra a violência e os estupros registrados na região da própria universidade.

Em nota, eles se dizem espantados com a reação ao 'Xereca Satânik'.

“Causa-nos espanto o grau de estranheza e criminalização com a qual tanto a performance da artista Raíssa, quanto a própria universidade foram tratadas nos últimos dias. Por se tratar de um espaço de experimentação de linguagens e reflexão - com seus evidentes riscos de choque à moral e ao senso comum -, é justamente na universidade onde devem ser expostos os descontentamentos, estimulados os debates, e negados quaisquer vícios de censura”, diz nota.

Vejam o vídeo: http://youtu.be/K_QBkK2B9YE