quarta-feira, 25 de junho de 2014

A MAIOR FESTA PLANETÁRIA - Por Percival Maricato.


A Copa do Mundo não só está acontecendo, como com maior sucesso que o esperado. Trata-se da maior e mais democrática festa do planeta, que a todos permite participação, um estímulo ao respeito entre etnias, raças, povos.

No campo, nos estádios, nas praças e locais públicos de todos os países, bilhões de pessoas torcem ou apenas admiram a técnica ou esforço dos jogadores. Sabe-se lá porque o futebol se tornou tão popular, um esporte entre tantos outros aparentemente mais complexos e completos.

Os maiores derrotados são os que apostaram no caos, na impossibilidade do Brasil organizar algo tão grande. Além de indigentes culturais e mentais que queriam quebrar estações do metrô como forma de “protesto’, tivemos os políticos, que tudo apostam conforme seus interesses partidários e a imprensa. Para alguns nada ficaria pronto, outros preferiram calar, deixando Dilma sozinha dizendo que haveria sim, a Copa. Entre os mais pessimistas estava a imprensa, inclusive a internacional, e as embaixadas dos EUA e Inglaterra, que recomendaram que os turistas não viessem para o Brasil, pois correriam perigo de vida. Forte pressão também veio da mídia interna, que ainda dá mais atenção a manifestação de 200 gatos pingados em alguma cidade (algo como a torcida do Flamengo da Vila Carrão) do que às muita milhões de pessoas que comemoram nas ruas, estádios e nas fan fests.

Os turistas aqui estão, mais de 600 mil, passeando, gastando e gostando do país. Milhares de chilenos, japoneses, coreanos, africanos, holandeses...seriam o dobro não fosse a campanha terrorista. Mas importante mesmo é o fato que bilhões de terráqueos (falam em mais de 3 bilhões) acompanham os jogos pela TV, envolvidos por emoção e admiração.

Como já argumentei, o país perde bem mais de US$ 2 bilhões por mês na balança turística, apesar das suas decantadas maravilhas (em abril foram US$ 2,34 bi). Os brasileiros, inclusive muitos que marcharam contra a Copa, gastam no exterior, a cada dois meses, mais do que se gastou nos estádios para os jogos, mas não se vê ninguém marchando contra essa sangria de divisas. Na hora de ir a Miami fazer compras ninguém pensa em poupar os tão preciosos dólares para a Saúde e Educação, em fazer turismo internamente, poupando as divisas e aumentando nossas reservas.

Tão importante como realizar a Copa, e como ganhar a Copa, é a imagem que o país está enviando para o exterior, de competência e capacidade de realizar um grande evento, de manter a ordem, mobilizar a sociedade, de construir infra-estrutura para receber com respeito e carinho e permitir que circulem pelo pais milhões de turistas (somemos os domésticos). Por todo o planeta as pessoas estão sabendo mais de São Paulo, Manaus, Campo Grande e etc, nosso povo, nossas belezas naturais. Isto ajudará a aumentar o fluxo turístico para o país. Se 0,001% das pessoas que estão vendo os jogos pela TV concretizarem o desejo de conhecer o Brasil nos próximos anos, já teremos outra grande vitória, acabaremos com o déficit referido, os brasileiros que gostam podem continuar fazendo compras em Miami.

O sucesso da Copa não significa que não se tem que apurar as acusações de corrupção ou desperdício, tanto como a de violência nas ruas, no devido tempo, devido lugar, pelos devidos métodos e instituições, com base na legislação existente em nosso Estado Democrático de Direito. Nem deixar de se estudar e debater como conter as exigências abusivas da FIFA, verdadeira máfia, que agora serão dirigidas contra os demais países que se propuserem a fazer as próximas Copas. Ao contrário, a festa tem que ser completa.