sábado, 21 de junho de 2014

Em novo encontro da família Boateng, Alemanha e Gana duelam no Castelão.

Kevin-Prince Boateng Schalke 04 e Jerome Boateng bayern de munique (Foto: Agência Getty Images)

Um deles leva Boateng nas costas. O outro é apenas Prince. Um deles é pontual, discreto, centrado tal qual um alemão – e é zagueiro. O outro acumula 13 tatuagens, tem a carreira acompanhada por indisciplinas e polêmicas – e é um meia habilidoso, talvez menos do que já pensou algum dia. Jérôme e Kevin-Prince estão separados mais do que por um país, mas quis este grande evento que é a Copa do Mundo produzir um segundo encontro da única família a ter se enfrentado com tamanha relevância. O confronto deste sábado, às 16h (de Brasília), na Arena Castelão, pode valer a vaga nas oitavas de final para a Alemanha. Ou um suspiro para Gana na segunda rodada do Grupo G. Pode valer, quem sabe, uma dose apimentada numa relação que já foi bastante estremecida.

Kevin, 27 anos, defende Gana desde 2010. Enfrentou o irmão dois anos mais novo no Mundial da África do Sul, em 2010 – um gol de Mesut Özil deu a vitória aos alemães naquele 23 de junho em Joanesburgo. Os dois mal se falaram em campo depois de Prince tirar Michael Ballack da Copa no mês anterior. Uma entrada desleal sobre um dos ícones daquela seleção na final da Copa da Inglaterra entre Portsmouth e Chelsea rendeu pesadas críticas. Jérôme, quando se pronunciou, não agradou o irmão, massacrado pela imprensa alemã.

– Depois das coisas que ele disse sobre a falta em Ballack, nós brigamos. Nós vimos o lance de maneira diferente. Eu disse a ele que deveríamos seguir caminhos diferentes – contou Kevin à época.

O irmão respondeu num tom ainda mais pesado.

– Eu não quero mais contato com ele. Kevin pensou que eu deveria defendê-lo e criticar Ballack. Agora eu não ligo para o que ele faz ou diz. Realmente não me interessa.

Eles fizeram as pazes no ano seguinte e estiveram juntos em duas rodadas do último Campeonato Alemão – o Bayern aplicou 9 a 1 no placar agregado sobre o Schalke de Kevin. O relacionamento hoje é dos melhores, com provocações sadias (Jérôme se considera melhor no videogame, basquete e tênis de mesa, por exemplo), apesar de ambos terem evitado contato durante o período no Brasil. "Estamos concentrando em nós mesmos", afirmou o jogador do Bayern.

Não foi assim na infância. Filhos do mesmo pai (Prince, um ganês), mas de mães alemãs diferentes, ambos cresceram em Berlim, onde começaram a carreira na base no Hertha – apesar das idades diferentes, estiveram no mesmo ambiente entre 2000 e 2007. A dupla também defendeu as divisões inferiores da Alemanha até a sub-21, quando Kevin acabou cortado da Eurocopa da categoria em 2009, semanas antes do torneio. Ali, sem perspectivas de jogar pela seleção principal (somou 41 partidas na base), viu-se com alternativas reduzidas. Pediu o passaporte de Gana e iniciou sua trajetória como cidadão africano.

Recentemente, Kevin apimentou sua relação com a Alemanha ao criticar de certa maneira a seleção rival deste sábado.

– A Alemanha tem jogadores de primeira-classe em todas as posições, e esse é o grande problema dela. Mas não vejo nenhum grande craque para carregar a seleção com tamanha pressão nas costas. Eu vejo um time excepcional, mas quando algo está em jogo eles não conseguem dar o passo final. Eles simplesmente sentem a falta desse cara.

Para Matthias Sammer, diretor da DFB (Federação Alemã de Futebol) em 2009, este jogador certamente não seria Kevin.

– A falta de disciplina e o egoísmo podem ser reconhecidos em Kevin. Quando a análise vai para o lado atlético e mental, Jérôme é um jogador mais forte – comparou.


O pai prefere ficar em cima do muro.

– É o jogo mais fácil para mim, sempre. Aconteça o que acontecer, eu só posso vencer. O meu único desejo é que ninguém se machuque.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2014/06/em-novo-encontro-da-familia-boateng-alemanha-e-gana-duelam-no-castelao.html