quinta-feira, 26 de junho de 2014

10 anos sem Brizola.


Esta semana assinala a passagem dos 10 anos – completados no último fim de semana – da morte de Leonel Brizola, um dos gigantes da política nacional, falecido em 21 de junho de 2004, aos 82 anos, após internação com problemas gástricos em um hospital no Rio.

Trajetória ímpar

Deputado estadual gaúcho e federal (pelo Rio de Janeiro), prefeito de Porto Alegre, governador de dois Estados – foi único político brasileiro a se eleger governador três vezes pelo voto direto em dois Estados, o Rio Grande do Sul (1959-1962) e o Rio de Janeiro (1983-1986 e 1991-1994) – Brizola é autor de uma trajetória ímpar iniciada no PTB pelas mãos do então presidente Getúlio Vargas.

Defensor das grandes reformas de base do Governo João Goulart, Brizola liderou em 1961 a “Campanha da Legalidade” pelo respeito à Constituição, garantindo a posse de João Goulart, enfrentando as Forças Armadas, contrárias à posse do vice-presidente após a renúncia do presidnete Jânio Quadros. Em 1964, quando do golpe cívico-militar que depôs Jango, sua voz ainda se fez ouvir em todo o país pela “Cadeia Rádio da Legalidade” denunciando o golpe militar. Ao cunhado Jango, ele propôs a resistência, mas o presidente recusou por temer que provocaria uma guerra civil.

Um dos principais líderes da resistência ao golpismo, Brizola foi eleito, em 1962, deputado federal pelo então Estado da Guanabara, com a maior votação do país. Exilado, continuou a luta no exterior e voltou ao país após a Anistia. Em 1980, fundou o seu PDT, pelo qual foi duas vezes candidato à presidência da República.

Firme em suas posições e princípios e adepto de uma boa polêmica política, sabia como ninguém ceder quando o momento o exigia. Assim, em 1998, fechou uma aliança de seu partido, o PDT, com o PT, e foi candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo então candidato Lula.

Sem medo de comprar brigas, Brizola enfrentou várias vezes os monopólios de comunicação que denunciou durante toda a vida.