quarta-feira, 4 de junho de 2014

A cobertura negativa da Copa na mídia vai até quando?


Continua, em seu mais alto grau, se podemos dizer assim, a má vontade da mídia, particularmente da Folha de S.Paulo e de O Globo, na cobertura da Copa do Mundo que se avizinha e começa dentro de 10 dias no Brasil. Só preveem desastres: que nada vai funcionar, que as obras em termos de infraestrutura estão inacabadas… É a forma de jogar de forma negativa nas costas do governo.

Em sua manchete de hoje, “A 10 dias da Copa, aeroportos de 11 sedes têm falhas”, a Folha dá o tom da cobertura. Destaca que há obras inacabadas, que em três locais só será possível terminá-las após a competição e, nesse jogo, a mídia termina dando escondido uma garantia repetida ainda ontem pela presidenta Dilma Rousseff.

Ao receber a taça da Copa do Mundo, em cerimônia oficial no Palácio do Planalto, a presidenta assegurou aos dirigentes da FIFA e aos brasileiros em discurso: “Vamos fazer juntos o máximo para que esta seja a melhor Copa da história”. A mídia registrou o evento, mas tem veículo de comunicação que preferiu apostar no apocalipse, prevendo até que o Brasil pode importar e exportar doenças durante esta Copa – como se o risco existisse só nesta que se realiza em nosso país.

Escondem os que investem numa Copa pacífica

Com essa linha editorial que prioriza as manchetes negativas com relação ao evento, a imprensa tradicional termina relegando a um segundo plano as manifestações crescentes de pessoas que não só defendem a realização do evento no país, como clamam para que ele se desenvolva sem tumultos ou protestos violentos.

Mas há, sim, cidadãos se manifestando nesse sentido. Como o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, que no artigo que publica às terças-feiras na Folha de S.Paulo, hoje sob o título “Violência e direitos“, conclama que “o verdadeiro cidadão não pode se deixar levar por movimentos que incitam práticas violentas”.

Enquanto isso, o Estadão prefere transformar seu principal editorial de hoje, “Ameaça real e presente” num alerta aos riscos representados por uma pseudo aliança entre black blocs e o PCC – Primeiro Comando da Capital para promoverem atos violentos durante os 40 dias da Copa do Mundo no Brasil.

Uma inexistente aliança entre black blocs e PCC

O editorial se fundamenta numa entrevista publicada domingo pelo jornalão com 16 black blocs, que teriam garantido ter uma aliança com o PCC para “provocar o caos” durante o evento quando, na verdade, lendo-se a reportagem constata-se: os black blocs que deram a entrevista em nenhum momento confirmam essa aliança. Pelo contrário, até a desmentem em um trecho quando afirmam: “A gente tem certeza de que o crime organizado, o PCC, vai causar o caos na Copa, e a gente vai puxar para o outro lado. Não temos aliança nem somos contra o PCC.”

O Globo e Estadão à parte, em se tratando da Folha essa linha editorial se explica por características próprias e tradicionais do jornal. Explicadas, aliás por sua própria Ombudsman, Vera Guimarães Martins, ao falar recentemente do habitual mau humor do jornalão. Vera disse: “o azedume é parte da alma da Folha. Costumo brincar dizendo que, se fosse noticiar a ressurreição, o título do jornal seria “Nazareno leva três dias para ressuscitar”. Correto, mas parcial. Sobretudo se a cena tiver sido vista por outros fiéis.”