quinta-feira, 28 de março de 2013

LULA: Um balanço da sucessão presidencial


Embora fizesse a ressalva quanto à sua condição de ex-mandatário da nação e que a hora é de ficar quieto, o ex-presidente Lula abordou os mais diversos temas na entrevista ao Valor Econômico, como economia, sua participação na vida política nacional agora e em 2018 e a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.

Em outro trecho, citou o governador de Pernambuco e virtual candidato ao Planalto no próximo pleito, Eduardo Campos. "Ainda é cedo para falar de Eduardo candidato, mas se ele for não é da minha índole tentar demover candidaturas". Ao falar da eventual candidatura Eduardo Campos, o ex-presidente fez um verdadeiro balanço do quadro sucessório presidencial. Disse achar cedo tratar da candidatura de Campos neste momento.

Para o ex-presidente, o fato de Eduardo Campos estar se aliando adversários do PT como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), e o ex-presidenciável paulista José Serra (PSDB) não afeta a sua relação com o político pernambucano. Uma relação que sempre foi próxima quando o ex-presidente e a atual presidenta viabilizaram com apoio e recursos federais para diversos projetos para Pernambuco como a Refinaria Abreu e Lima, uma fábrica da Fiat e o polo petroquímico.

Cedo para falar de candidatura Eduardo Campos

"Minha relação de amizade com Eduardo Campos e com a família dele, que passa pela mãe, pelo avô e pelos filhos, é inabalável, independentemente de qualquer problema eleitoral. Eu não misturo minha relação de amizade com as divergências políticas", disse o ex-presidente.

"Acho muito cedo pra falar da candidatura Eduardo. Ele é um jovem de 40 e poucos anos. Termina seu mandato no governo de Pernambuco muito bem avaliado. Me parece que não tem vontade de ser senador da República nem deputado. O que é que ele vai ser? Possivelmente esteja pensando em ser candidato para ocupar espaço na política brasileira, tão necessitada de novas lideranças."

"Se tirar o Eduardo - prosseguiu Lula em seu balanço do atual estágio da sucessão presidencial - tem a Marina que não tem nem partido político, tem o Aécio que me parece com mais dificuldades de decolar. Então é normal que ele se apresente e viaje pelo Brasil e debata. Ainda pretendo conversar com ele. A Dilma já conversou e mantém uma boa relação com ele", afirmou o ex-presidente.

Ex-presidente não costuma demover ninguém de sair candidato

O ex-presidente adiantou que, se Campos for candidato, não irá procurá-lo para demovê-lo."Não faz parte da minha índole pedir para as pessoas não se candidatarem porque pediram muito para eu não ser. Se eu não fosse candidato eu não teria ganho. Precisei perder três eleições para virar presidente."

"Eu não pedirei para não ser candidato - adiantou o ex-chefe do governo - nem para ele nem para ninguém. A Marina (Silva) conviveu comigo 30 anos no PT, foi minha ministra o tempo que ela quis, saiu porque quis e várias pessoas pediram para eu falar com ela para não ser candidata e eu disse: 'Não falo'. Acho bom para a democracia. E precisamos de mais lideranças."

"O que acho grave é que os tucanos estão sem liderança. Acho que Serra se desgastou. Poderia não ter sido candidato em 2012. Eu avisei: não seja candidato a prefeito que não vai dar certo. Poderia estar preservado para mais uma. Mas Serra quer ser candidato a tudo, até síndico do prédio acho que ele está concorrendo agora. E o Aécio não tem a performance que as pessoas esperavam dele", emendou Lula.