sábado, 25 de outubro de 2014

Movimento Indígena de Rondônia denuncia repressão ao Povo Tenharim


Lideranças da Articulação do Movimento Indígena de Rondônia, noroeste do Mato Grosso e sul do Amazonas, em visita aos Povos Tenharin e Jiahui no sul do Amazonas, denunciam que a repressão a estes povos continua e de forma cada vez mais contundente.

Em visita às Aldeias Bela Vista (Jiahui) até o Mafuí (Tenharin), entre os dias 17 a 19 de outubro, as lideranças encontraram estes povos acuados nas aldeias. Este sentimento foi compartilhado pela equipe composta de quatro pessoas ainda na travessia da balsa em Humaitá, quando um indivíduo fez questão de fotografar a equipe e o carro que utilizava, retornando em seguida para um aglomerado de pessoas que conversavam apontando para estes, o que os deixou inseguros. A situação é grave:
  • Nas aldeias, nos três dias de convivência e reuniões, o relato de diversas pessoas dá conta de que o medo e a insegurança rondam as comunidades. Ninguém se sente seguro em andar pela rodovia ou fazer compras no Km 180 e mesmo em Humaitá, onde ameaças de morte a lideranças foram registradas em boletim policial;
  • De um povo livre, hoje os Jiahui e Tenharin externam sentimento de isolamento por parte da sociedade local e pelos órgãos governamentais que até agora NÃO IMPLANTARAM as barreiras de fiscalização para os veículos que transitam pela Transamazônica, que corta o território desses povos. Poucos são os não-indígenas que dialogam com os indígenas, com receio de repressão;
  • Os cinco Tenharin detidos acusados da morte dos três não-índios no final do ano passado continuam em prisão pública, mesmo que a lei brasileira conceda o direito ao habeas corpus, negado a todos eles. Eles relataram a familiares que se sentem ameaçados por estranhos que transitam na unidade prisional;
  • Por fim, as lideranças do Movimento Indígena Regional afirmam que estão acompanhando de perto a situação e denunciando junto aos órgãos públicos e imprensa a violação de direitos dos quais os Jiahui e Tenharin são vítimas, ao mesmo tempo em que ocorre de forma intensa o avanço do agronegócio, da soja e boi ao longo da BR Transamazônica, do KM 180 rumo a Apuí e Jacareacanga, onde o trânsito de camionetas de luxo com placas do Mato Grosso é intenso; e
  • O avanço do poder econômico do agronegócio é sinal inequívoco de que seus interesses se sobrepõem com força na região, produzindo estratégias ofensivas aos direitos indígenas, reprimidos e acuados em seu próprio território.
Fonte: Comissão de Articulação do Movimento Indígena de RO, noroeste do MT e sul do AM.