"Foi bonita a festa, pá". Assim, tomando emprestado um verso da música Tanto Mar, de Chico Buarque sobre a Revolução dos Cravos em Portugal, externo as minhas impressões sobre a 16ª Parada do Orgulho LGBT, que reuniu milhares de pessoas ontem em São Paulo sob o lema "Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização".
Esta 16ª edição não reuniu os milhões de participantes de anos anteriores - e que a transformaram na maior parada do gênero no mundo - o que deve servir de sinal amarelo, de alerta aos organizadores que, segundo leio, têm se dividido e deixado prevalecer divergências.
A Parada realizou-se num momento em que no quadro mundial dos direitos LGBT, o Brasil ocupa posição de destaque em relação à realidade vivida por homossexuais em boa parte do globo. O mais recente relatório da Associação Internacional de Lésbicas e Gays (ILGA, na sigla em inglês) apresenta o nosso país como um dos que mais respeitam a população desse arco.
Realidade não é tão boa para os homossexuais no Brasil
Mas, a gente que acompanha o dia a dia dessa população sabe que não é bem assim. Os próprios responsáveis pela parada distribuiam manifesto ontem no qual apontam que em 2011, um total de 266 LGTB foram assassinados no país. E sabe-se que estes são só os casos que chegam ao conhecimento dos militantes da causa, da polícia, ou se tornam públicos.
Por isso o manifesto de ontem cobra a aprovação do projeto de lei que torna a homofobia um crime no país. E em entrevista ao Estadão, o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays e Transexuais (ABLGT), Toni Reis queixava-se: “o Brasil sentou em cima da lei que criminaliza a homofobia. Ninguém tem coragem de fazer essa reflexão".
É a mesma cobrança feita o tempo todo pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), presente ontem à festa, participante desde a 1ª manfestação 16 anos atrás e autora do projeto de parceria civil de casais do mesmo sexo. Vale a pena, aliás, ler o artigo publicado pela Marta, sábado, na Folha de S.Paulo sob o título O bonde da história.
Mobilização da sociedade é a saída para pressionar Congresso
Esta 16ª edição não reuniu os milhões de participantes de anos anteriores - e que a transformaram na maior parada do gênero no mundo - o que deve servir de sinal amarelo, de alerta aos organizadores que, segundo leio, têm se dividido e deixado prevalecer divergências.
A Parada realizou-se num momento em que no quadro mundial dos direitos LGBT, o Brasil ocupa posição de destaque em relação à realidade vivida por homossexuais em boa parte do globo. O mais recente relatório da Associação Internacional de Lésbicas e Gays (ILGA, na sigla em inglês) apresenta o nosso país como um dos que mais respeitam a população desse arco.
Realidade não é tão boa para os homossexuais no Brasil
Mas, a gente que acompanha o dia a dia dessa população sabe que não é bem assim. Os próprios responsáveis pela parada distribuiam manifesto ontem no qual apontam que em 2011, um total de 266 LGTB foram assassinados no país. E sabe-se que estes são só os casos que chegam ao conhecimento dos militantes da causa, da polícia, ou se tornam públicos.
Por isso o manifesto de ontem cobra a aprovação do projeto de lei que torna a homofobia um crime no país. E em entrevista ao Estadão, o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays e Transexuais (ABLGT), Toni Reis queixava-se: “o Brasil sentou em cima da lei que criminaliza a homofobia. Ninguém tem coragem de fazer essa reflexão".
É a mesma cobrança feita o tempo todo pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), presente ontem à festa, participante desde a 1ª manfestação 16 anos atrás e autora do projeto de parceria civil de casais do mesmo sexo. Vale a pena, aliás, ler o artigo publicado pela Marta, sábado, na Folha de S.Paulo sob o título O bonde da história.
Mobilização da sociedade é a saída para pressionar Congresso
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O projeto de lei 122/06, que criminaliza o preconceito contra homossexuais roda há seis anos. Foi apresentado à Câmara em 2006, entrou e saiu do Senado e segue parado na Comissão de Direitos Humanos, com tramitação empacada na Casa. Os participantes da manifestação de ontem reivindicaram, também, a aplicação do projeto Escola Sem Homofobia, voltado à orientação de professores da rede pública sobre a questão.
Como nem o quadro relativo ao respeito aos direitos dos homossexuais é tão cor de rosa quanto pintam esses relatórios internacionais e o Congresso Nacional realmente emperra a tramitação e aprovação de leis que minorem a situação, é decisivo que haja a mais ampla mobilização da cidadania GLBT e de todos cidadãos que defendem a liberdade, o pluralismo e a diversidade - direitos constitucionais - para pressionar o Congresso Nacional a votar estas leis.
Mobilizar e disputar a opinião pública nacional, conscientizar o país contra a homofobia e a violência contra os homossexuais. Especialmente enfrentando e resistindo às campanhas e pressões feitas contra o governo federal e no Congresso Nacional pelas bancadas múltiplas como a evangélica. São pressões e bancadas legítimas e de direito, mas que podem e devem ser contrapostas com mobilização politica de todos nós que apoiamos os direitos dos homossexuais.
Foto: Antonio Cruz/ABr
Como nem o quadro relativo ao respeito aos direitos dos homossexuais é tão cor de rosa quanto pintam esses relatórios internacionais e o Congresso Nacional realmente emperra a tramitação e aprovação de leis que minorem a situação, é decisivo que haja a mais ampla mobilização da cidadania GLBT e de todos cidadãos que defendem a liberdade, o pluralismo e a diversidade - direitos constitucionais - para pressionar o Congresso Nacional a votar estas leis.
Mobilizar e disputar a opinião pública nacional, conscientizar o país contra a homofobia e a violência contra os homossexuais. Especialmente enfrentando e resistindo às campanhas e pressões feitas contra o governo federal e no Congresso Nacional pelas bancadas múltiplas como a evangélica. São pressões e bancadas legítimas e de direito, mas que podem e devem ser contrapostas com mobilização politica de todos nós que apoiamos os direitos dos homossexuais.
Foto: Antonio Cruz/ABr


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