China propõe área de livre-comércio com Mercosul


A reunião dos presidentes dos países membros do Mercosul, a realizar-se em Mendoza, Argentina, nesta sexta (29), terá outro assunto importante além da suspensão do Paraguai. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, propôs nesta segunda (25), que o Mercosul estude a possibilidade da criação de uma área de livre-comércio comum.

A proposta foi feita em videoconferência ancorada em Buenos Aires da qual participaram os presidentes dos três países membros: Dilma Rousseff e os chefes de governo da Argentina, Cristina Kirchner, e do Uruguai, José Mujica (o Paraguai está temporariamente suspenso por causa do golpe que afastou Fernando Lugo da presidência, aguardando uma decisão da reunião de Mendoza).

O premiê chinês propôs aos líderes assinar uma declaração conjunta sobre o fortalecimento das relações mútuas. "Devemos realizar estudos de viabilidade sobre o estabelecimento de uma zona de livre-comércio entre China e Mercosul", disse Jiabao ao enumerar suas propostas ao bloco sul-americano.

A declaração feita pela China inclui ainda um compromisso mútuo de "reforçar a comunicação e confiança estratégicas" e "aprofundar a cooperação" em todos os campos, incluindo o comercial, com vistas a duplicar o volume de trocas comerciais para 2016 em relação às do ano passado.

Em 2011, a China exportou para o Mercosul US$ 48,4 bi em produtos, 34,5% a mais que em 2010, e importou US$ 51 bi, com uma alta anualizada de 37,9%. Embora o balanço tenha superávit para o Mercosul, isso se deve ao volume de comércio da China com o Brasil, pois os outros três membros do bloco tiveram em 2011 déficit em seu comércio com o gigante asiático.

Brasil – China

A proposta ao Mercosul vem na esteira de um acordo recém-assinado entre Brasil e China, durante a realização da Rio+20, de intensificação das relações bilaterais, no sentido da constituição de uma parceria estratégica global. Dois resultados sobressaíram do acordo: um plano decenal de cooperação, aproximando os dois países nos campos comercial, tecnológico, cultural e agrícola; e um acordo de “swap”, criando um fundo comum de crédito de R$ 60 bi a ser utilizado pelos dois países.

A China já é o maior mercado das exportações brasileiras. Representa 17,3% do total. Os chineses são grande consumidores de commodities brasileiras (minério de ferro e grãos, principalmente). Nós temos duas expectativas principais em relação ao estreitamento das relações com a China: ampliar ainda mais o comércio bilateral (em 2011 alcançou US$ 77 bi e este ano deve bater nos US$ 100 bi) e agregar mais produtos industrializados do nosso lado, além de ganhar novos conhecimentos em tecnologia a partir de acordos para transferência dessas tecnologias para o Brasil. Os chineses têm interesse de investir nos setores automobilístico, na construção civil, na infraestrutura e na cadeia de petróleo e gás brasileiros.

Concordo com a presidenta Dilma Rousseff para quem a cooperação com a China é estratégica para o Brasil. Traz mais uma defesa para que a crise atual não nos contamine.

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