A divulgação do Enem trouxe à tona o abismo educacional entre o Amazonas e polos de excelência do país. Enquanto as escolas líderes nacionais ultrapassaram 800 pontos de média geral, a melhor instituição amazonense não atingiu 700 pontos. Essa diferença de mais de 100 pontos retrata a distância que separa o estado dos centros mais competitivos.
Segundo o levantamento, os colégios líderes, no Ceará, mantiveram a hegemonia com até 801,30 pontos. Em seguida, surgem Piauí, São Paulo, Pará e Rio de Janeiro, acima de 758 pontos. No Amazonas, a maior média foi de 698,60 pontos.
Hoje, o acesso ao conhecimento não é privilégio dos grandes centros. Estudantes amazonenses usam as mesmas ferramentas digitais, videoaulas e inteligência artificial que os primeiros colocados. A tecnologia deveria reduzir desigualdades, mas o Enem mostrou que o acesso aumentou e os resultados continuam desiguais. O debate se amplia pelo valor das mensalidades em Manaus, semelhantes ou superiores às de instituições de destaque no Nordeste e Sudeste.
O Ceará se consolidou como potência em vestibulares devido a uma cultura de alta performance, simulados e gestão por resultados. O Amazonas enfrenta dificuldades para estruturar um modelo competitivo, cenário agravado após o fim da bonificação regional da Ufam no Sisu, derrubada pelo STF. Sem o bônus, os alunos locais disputam vagas concorridas, como Medicina, em igualdade com estados de histórico superior.
Diante das dificuldades, o Amazonas tem destaques individuais. O caso mais comentado foi o de Marlo Feitosa, aprovado em primeiro lugar em Medicina na Ufam pelo Sisu. Para alcançar a nota de excelência em meio à desigualdade, além da escola regular, ele buscou suporte no contraturno na Casa do Reforço. Essa preparação extra foi fundamental para estruturar seu método de estudo e a alta performance que garantiram a vaga.
O exame evidencia que internet não substitui uma preparação eficiente; o desafio atual é transformar informação em desempenho acadêmico real.
Fonte: Manaus Alerta.









