sábado, 13 de julho de 2013

As ruas expressam muitas vozes e diferentes demandas

A disputa política passa pela narrativa dos fatos recentes: as manifestações de junho e agora as das centrais sindicais. Ambas com muitas vozes, demandas e formas de organização. O que não pode se aceitar é a legitimação acrítica das primeiras e a tentativa de deslegitimar as do dia 11.

Não é a primeira vez que as centrais ocupam as ruas e protestam, com greves, passeatas e interrupção de estradas. A pauta e a agenda também são conhecidas; as divergências entre as centrais, também. Mas a unidade nos protestos e na pauta comum é o mais importante.

As ruas e as demandas sociais e políticas de junho, e agora das centrais, são legítimas e expressam diferentes setores e classes sociais. O que não podemos é aceitar a tentativa de desqualificar as manifestações de ontem e manter as ruas apenas como espaço das manifestações de junho. Ou pior: a narrativa da mídia conservadora impondo às manifestações palavras de ordem e sentidos próprios delas – da mídia – em oposição ao PT e ao governo Dilma Rousseff.

Como é da democracia, a disputa política e a luta social se deslocaram para as ruas, a fim de não ficarem prisioneiras das declarações das instituições, que não davam respostas, e das eleições periódicas.

Governo reconheceu e busca atender demandas

Isso revela que há forças sociais dispostas a pressionar por mudanças mais rápidas ou outras agendas que estarão ou não no voto em 2014, quando a sociedade poderá expressar sua aprovação ou não aos 12 anos do governo do PT. Poderá refazer inclusive o pacto social da Constituição de 1988, ou não, via plebiscito e/ou constituinte.

De imediato, o governo reconheceu e busca atender as demandas. O Congresso Nacional, com suas contradições, idem. Daí a importância da presença das centrais e dos sindicatos nas ruas com suas pautas. Sejam a redução da jornada, o fim do fator previdenciário, os 10% do PIB para a educação, os 10% do orçamento para a saúde, o plebiscito pela reforma política – defendido pela CUT –, a reforma agrária, melhores transportes e a regulamentação da terceirização.

São agendas e demandas que confluem com as das manifestações de junho, mas que expressam os interesses da classe trabalhadora organizada nos sindicatos, que, como a maioria da sociedade insatisfeita com o atual sistema político, apoia uma constituinte e/ou um plebiscito para a reforma política, sem a qual todo discurso contra a corrupção cai no vazio ou no oportunismo.

É preciso esperar para ouvir outras vozes deste imenso Brasil, dos que saíram da miséria, dos que hoje trabalham e estudam, dos que hoje têm acesso aos serviços públicos, dos que hoje têm dignidade. E não apenas dos que legitimamente se expressaram nas últimas manifestações, que em boa hora devolveram às ruas e ao povo o poder de pressionar e exigir dos seus representantes mudanças. Começando pela forma de fazer política e de governar.