No Carnaval de 1959, os chefes da Pacheco Fernandes tomaram medidas para evitar que os operários deixassem os alojamentos. A água foi cortada para que, sem banho, não fossem buscar diversão na Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante). O pagamento do salário no sábado ficou retido.
No domingo, dia 8 de fevereiro, a cantina serviu comida estragada. Os operários reclamaram, os ânimos se exaltaram e começou um quebra-quebra. A Guarda Especial de Brasília, a temida GEB, foi chamada para reprimir o tumulto e passou a espancar os envolvidos. A violência revoltou até mesmo os trabalhadores que não haviam participado da quebradeira, e todos partiram para cima dos policiais.
Os homens da GEB se retiraram, prometendo retaliação. Voltaram à noite ao acampamento, em número maior e com mais armamento — inclusive metralhadoras —, entraram nos alojamentos e começaram a disparar contra trabalhadores que dormiam nos beliches.
O número de vítimas nunca foi oficialmente revelado, nem a identificação dos corpos. O enorme canteiro de obras da nova capital estava longe dos olhos da imprensa, da Justiça e da opinião pública dos grandes centros.
O episódio ocorreu antes do golpe militar de 1964 e é considerado por pesquisadores como um dos primeiros grandes conflitos trabalhistas da capital recém-inaugurada. O massacre revelou tensões sociais existentes na construção de Brasília, marcada por migração intensa, desigualdade e precarização das condições de trabalho.
Esse fato permanece como um marco na história dos movimentos trabalhistas brasileiros e da própria formação social de Brasília.

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