Olga Benário, judia, estrangeira, militante política e grávida, foi presa no Rio de Janeiro e deportada para a Alemanha nazista por ordem do governo de Getúlio Vargas.
Olga era esposa de Luís Carlos Prestes e participara de movimentos revolucionários. Para o regime brasileiro da época, ela não era apenas uma prisioneira, era um problema político a ser eliminado, mesmo sabendo que judeus eram perseguidos, presos e mortos na Alemanha de Hitler, o Brasil decidiu entregá-la.
Organizações e intelectuais pediram que Olga permanecesse no país, o pedido foi ignorado.
Na Alemanha, Olga foi encarcerada, interrogada e mantida sob vigilância, em 1937, deu à luz sua filha dentro da prisão.
Pouco depois, foi separada da criança, que só sobreviveu graças à pressão diplomática internacional e acabou enviada ao Brasil anos mais tarde.
Olga permaneceu presa até 1942, quando foi assassinada em uma câmara de gás no campo de concentração de Ravensbrück, destinado principalmente a mulheres.
Sua morte não foi um acidente histórico, foi o resultado direto de uma decisão estatal consciente.
Durante décadas, o episódio foi silenciado, tratado como detalhe inconveniente da política brasileira.
Hoje, Olga Benário é lembrada como símbolo de resistência, dignidade e alerta: quando o Estado escolhe a conveniência política em vez da vida humana, todos perdem.

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