segunda-feira, 30 de abril de 2012

TRABALHO PARA VIVER OU VIVER PARA TRABALHAR? - Júlio Lázaro Torma*

"Vaidade das vaidades,Tudo é vaidade.Que proveito tira o homemde todo o trabalho com que afadiga debaixo do sol"( Eclesiastes 1,2-3)

Está é a grande pergunta, que nos chama a reflexão,neste 1º de Maio, dia da classe trabalhadora,em que o capital e o empresariado,quer transformar em dia do " trabalho".

Nós " vivemos para trabalhar ou trabalhamos para viver?",diante deste ritmo frenético,em que vivemos na nossa sociedade e no mundo do trabalho.Mesmo com os avanços tecnológicos, que segundo o discurso dos capitalistas, que " iria ajudar o trabalhador/a,que este teria mais tempo livre"...

O que vimos foi um lado o aumento do desemprego e do outro o aumento da sociedade de resultado e da super exploração do trabalhador e da trabalhadora.O resultado dos lucros,o resultado da produção...incentivando a concorrência dentro do local de trabalho,onde o outro/a trabalhador/a, não é amigo/a e companheiro/a,mas se converte em um adversário que deve ser combatido e vencido.

Enquanto isso as empresas organizam premiação de empregados que melhor/a se destacam na competição na produção dentro das empresas.

Onde mil pessoas mais ricas do mundo têm equivalente em riqueza aos 2,5 bilhões mais pobres do mundo.

Diante da sociedade de resultados e do consumismo desenfreado, tem se exigido cada vez mais da classe trabalhadora.Tal quadro da sociedade de resultado e do consumismo,tem se trabalhado muito e cada vez mais.

Nunca na história da humanidade e do trabalho, se trabalhou mais como em nossos dias.E nunca a classe trabalhadora adoeceu mais, como agora e cada vez mais tem aumentado as doenças geradas pelo ritmo e excesso de trabalho.Para que serve os avanços tecnológicos e a rebotização nas últimas décadas?

Podemos dizer para nada e para aumentar o desemprego, pois tem aumentado a super exploração do trabalhador.

" Trabalhar para Viver ou Viver para Trabalhar?", está é a pergunta da Pastoral Operária, uma pergunta simples de responder, mas não é.Trabalhar para viver é se preocupar com o necessário para viver.

Agora vivemos para trabalhar e viver a lógica capitalista de que deve fazer mais riqueza, consumir mais, mesmo que isso destrua a vida do planeta, dos trabalhadores/as e das familias...

Hoje se vive e se trabalha para gerar lucros.As empresas querem que o trabalhador fica exclusivamente vivendo para a empresa.Ai acabam o convívio familiar, o trabalhador não tem tempo para a familia,contemplar a natureza e nem para Deus.

Pois o capital exige que se trabalhe todos os dias da semana e até supre os domingos e feriados.

Eis que somos chamados a formas coletivas de organização.Como o Povo de Deus, através de Abraão e Moisés,organizado se libertou da escravidão do Egito,conquistou a terra prometida e as primeiras comunidades apóstolicas,viviam em comum e " não havia necessitados entre eles".

Devemos buscar formas coletivas e de organização.para mudar a sociedade,pois vivemos para trabalhar e enriquecer uns poucos,devemos trabalhar para viver e conviver com a humanidade e a criação.

Onde possamos conviver e dialogar com a familia,amigos/as, vizinhos, comunidades,sobre a vida,problemas e buscando saídas e alternativas...

Só através da organização da classe trabalhadora da cidade e do campo,de forma organizada e coletiva,poderemos achar saídas concretas para as armadilhas que o sistema capitalista nos impõe.
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* Membro da Equipe da Pastoral Operária da Arquidiocese de Pelotas/ RS.