Projetos esportivos de alcance social, aproveitando a Copa de 2014, não passam de ideias vagas e não estão na lista de prioridades

Legado. A palavra vira moda em época de preparação para grandes eventos esportivos. Quando se trata da Copa do Mundo de 2014, muito se fala dos possíveis benefícios futuros para a infraestrutura do país – mobilidade urbana, geração de empregos, turismo, marketing... Mas, ao se tratar do legado específico para a área esportiva, o cenário torna-se repleto de incertezas.

Em Curitiba, a realidade não é diferente. O palco da Copa na capital é a Arena da Baixada, um espaço particular. Após o torneio, o Atlético terá um estádio reformado. No entanto, apesar de dois terços das obras serem bancados com dinheiro público, as eventuais vantagens esportivas que a população ganhará com o Mundial não são claras.

Segundo o secretário mu­­­nicipal da Copa, Luiz de Carvalho, o que há de concreto, por ora, são os compromissos previstos em um convênio firmado entre prefeitura, governo estadual e Atlético no segundo semestre de 2010.

“O clube vai ceder uma área física para a instalação da secretaria municipal de Esportes e vai participar de programas sociais voltados para a população de baixa renda”, cita Carvalho. “Teremos essa sede na Arena e o planejamento com as escolinhas de futebol para atender meninos carentes”, complementa o secretário estadual da Copa, Mario Celso Cunha. Ambos, porém, não se aprofundam nas explicações.

O documento ainda prevê que o Atlético disponibilize espaços para eventos da prefeitura ou do governo. Entretanto, o texto deixa claro que o clube não precisa ceder a Arena da Baixada – apesar do aporte de recursos públicos na reforma – ou o CT do Caju, local de treinamentos da equipe, justamente os dois principais bens rubro-negros. Assim como nos outros termos, a proposta não é detalhada pelas autoridades.

E as especificidades dos projetos não devem ser informadas em curto prazo. “Confesso que a preocupação hoje... Nós estamos viabilizando e executando a obra [na Arena]. É muito prematuro discutir isso [legado]. Temos questões muito mais relevantes”, diz Carvalho.

“Infelizmente, o tempo está passando e essa discussão fica bem à margem. A Copa é passageira, mas o legado é o que vai ficar para as pessoas. Precisamos aproveitar esses eventos para incentivar trabalhos, principalmente na base”, analisa Daniela Castro, diretora executiva da Atletas pela Cidadania, organização presidida pelo ex-jogador Raí que busca aumentar a prática esportiva nas cidades-sede do Mundial.

Às ideias vagas soma-se a curta validade dos projetos – o que é contraditório quando se fala em legado. O convênio assinado em setembro de 2010 tem vigência prevista de 50 meses. Ou seja, em novembro de 2014, quatro meses após o término do Mundial, o Atlético estaria “livre” dos compromissos que nem começaram a ser cumpridos. A exceção é o abrigo à sede da secretaria de Esporte e Lazer, válido até 2019.

De acordo com Cunha, após o Tribunal de Contas do Paraná suspender o repasse de verbas públicas do governo para o evento da Fifa, o convênio está recebendo aditivos e os prazos podem ser revisados.

Procurado, o Atlético informou, por meio da assessoria de imprensa, que o presidente Mario Celso Petraglia e o diretor de marketing Mauro Holzmann estavam viajando e não falariam sobre o assunto.

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