BNDES constata aumento de investimento em 2012 e prevê que pode chegar a 20,5% do PIB


Indústria lidera alta de busca por financiamento de novos projetos

A busca de apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por parte do empresariado sinaliza uma trajetória ascendente dos investimentos no País, de acordo com o presidente do banco, Luciano Coutinho. Ao apresentar o balanço do primeiro trimestre, na quinta-feira (19), Coutinho previu que a relação entre o investimento e o Produto Interno Bruto (PIB) poderá chegar a 20,5% neste ano. “Queremos crescimento da economia liderado pela expansão dos investimentos”, diz Coutinho.

Ele conta que a movimentação do banco neste início de ano aponta para esta direção. A primeira fase de contato, a consulta, representou um volume de R$ 55,7 bilhões de janeiro a março – 37% mais do que no primeiro trimestre do ano passado. Na fase mais adiantada de negociação (o enquadramentos do projeto de investimento aos critérios do banco), o movimento foi 28% maior na mesma comparação, com um volume de recursos em análise de R$ 48,3 bilhões.

A indústria puxou esse crescimento, com alta de 120% nas consultas (de R$ 11,2 bilhões no primeiro trimestre de 2011 para R$ 24,6 bi neste início de ano) e de 104% nos enquadramentos (de R$ 11,2 bi para R$ 25,4 bi). O comportamento deveu-se, em grande parte, aos segmentos de material de transporte (ônibus, caminhões, trens) e de química e petroquímica, este último com projetos relacionados à exploração e produção de petróleo e gás.

De acordo com o BNDES, o comportamento dos primeiros três meses do ano deverá ser reforçado com as medidas anunciadas no início deste mês, como a prorrogação da vigência do Programa de Sustentação do Investimento (BNDES PSI) até dezembro de 2013, com taxas de juros reduzidas e participação do financiamento do BNDES ampliada.

Desembolsos - Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 24,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano, praticamente no mesmo nível de igual período do ano passado. O setor da infraestrutura, com desembolsos de R$ 9,9 bilhões, respondeu por 41% das liberações totais do BNDES no período janeiro/março. De acordo com a análise setorial do desempenho do banco, grande parte desses investimentos estão incluídos na segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), sobretudo nos segmentos de energia elétrica (R$ 2,6 bilhões liberados) e transporte rodoviário (R$ 4,2 bilhões), este último com financiamentos às obras relativas às rodovias de concessões federais e estaduais.

No setor de energia elétrica, um dos grandes destaques são os projetos de geração eólica, que ampliarão o peso dessa fonte na matriz energética do País. A carteira de financiamentos do BNDES conta hoje com projetos contratados de 78 parques eólicos, envolvendo financiamentos de R$ 6,4 bilhões, que serão desembolsados ao longo dos próximos anos.

Cartão permite recorde para as micro, pequenas e médias
 
O primeiro trimestre do ano foi marcado também pela participação recorde das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) no total desembolsado pelo BNDES. Com R$ 10,1 bilhões, as MPMEs responderam por 41% do valor total liberado pela instituição entre janeiro e março. Nesse período, foram realizadas 220 mil operações com as companhias de menor porte (95% da totalidade de operações efetuadas). O desempenho foi impulsionado pelo Cartão BNDES, com 150 mil operações, atingindo valor de R$ 2 bilhões.

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