Nós Vimos o Senhor - Júlio Lázaro Torma*

"Meu Senhor e meu Deus!" (São Tomé Apóstolo)

Estamos no Segundo Domingo da Páscoa, o tempo Pascal, durará 50 dias (7X7),que culminara no domingo de Pentecostes.Olhando os Evangelhos, podemos encontrar diversos fatos que aconteceram no Domingo da Páscoa, quando Jesus Cristo Ressuscita.

O Domingo e cada celebração dominical é a recordação da Ressurreição do Senhor, que é celebrada desde o inicio pelas comunidades cristãs( At 20,7).Não há celebração do Natal sem a celebração da Páscoa,que fora primeiramente celebrada pelas comunidades cristãs,desde a organização pelos apóstolos.

A Liturgia deste final de semana, é muito rica, onde nos fala da organização e vida das comunidades apóstolicas e de Tomé (At 4,32-35; Jo 20,19-31).

A Leitura dos Atos dos Apóstolos, o Evangelista Lucas, nos conta a vida dos primeiros cristãos, a origem das primeiras comunidades.Onde os membros" viviam um só coração e uma só alma".Em que " não havia necessitados entre eles", recordando o mandamento de Deus ao povo de Israel no deserto," É verdade que no meio de vocês não haverá nenhum pobre "( Dt 15,4).

Aristóteles ( 384-322 a.C), escrevia na Ética a Nicômaco: "Ora os irmãos possuem tudo em comum" e os "amigos têm tudo em comum" (E. N, VIII, 9). Onde expressa o ideal grego da amizade, e que também é o ideal que anima as primeiras comunidades cristãs.

A utopia socialista, depois vivida pelos 30 Povos das Missões Jesuíticas Guaranis do Cone Sul da América (1610-1756), sonho utópico das nossas comunidades, em que cantemos, em nossas celebrações da Palavra e da Eucaristia, nos encontros pastorais:
"Os cristãos tinham tudo em comum/ Dividiam seus bens com alegria/Deus espera que os dons de cada um/ Se repartam com amor no dia a dia..:/"

No Evangelho João nos narra o medo da comunidade e a incredulidade de Tomé. Onde o Ressuscitado, aparece em meio a comunidade, desejando a " Paz esteja convosco". E Tomé que não estava na tarde da Páscoa, duvida da comunidade.

Olhando as leituras e a nós hoje, podemos dizer que estamos longe do Ideal da Igreja, de uma IGREJA que haja partilha e seja "Fermento do Evangelho na Transformação da Sociedade".

Somos ainda tomados pelo ideal capitalista do acumulo, da competividade e do cada um por si e do Deus por todos. Onde vemos o irmão pobre e necessitado, não fazemos nada e quando se faz, fazemos pensando em algo em troca.

Como os discípulos, temos medo de sair as ruas, do conflito entre a mensagem libertadora de Cristo e os valores da sociedade capitalista, que domina a sociedade atual.

Assim como na comunidade joanina, havia cristãos que duvidavam da Ressurreição de Jesus, de que Ele está vivo e presente no seio da comunidade.Hoje somos também como Tomé, duvidamos diante dos conflitos e das dificuldades da nossa vida pessoal e comunitária, de que Cristo,está presente e nos empurra a irmos a luta, na construção de uma vida nova,de uma sociedade mais justa e fraterna.

Queremos Paz, a "Paz é o Fruto da Justiça", como canta o salmista.Só teremos Paz de fato e verdadeira, quando tivermos justiça, que é a partilha dos bens, da riqueza,da produção,da terra e da água acumulados e concentradas nas mãos de poucos, que quanto mais tem,mais querem, não se importando com a vida do irmão necessitado que sofre ao seu lado e na sua porta.

Devemos buscar a partilha dos dons,da palavra e dos bens a quem necessita.Mas só podemos ser testemunhas do Ressuscitado e dizer que "Vimos o Senhor", quando construirmos de fato uma sociedade mais justa e solidária," onde não haja necessitados".

Ai o Ressuscitado Vive e se faz presente e vivemos de Fato a Páscoa da libertação integral e da Vida Nova.

"Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto", diz Jesus a Tomé, acreditamos em Jesus e na sua palavra que se faz presente ainda hoje em nosso meio, e temos vida em seu nome.
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* Membro da Equipe da Pastoral Operária da Arquidiocese de Pelotas/ RS

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