Apostador de Curitiba ganha sozinho prêmio da Mega-Sena de R$ 24 milhões

A Caixa Econômica Federal divulgou neste sábado (17) as dezenas sorteadas para o concurso 1346 realizado em Itapetinga (BA). Segundo a Caixa, um apostador de Curitiba (PR) acertou sozinho as seis dezenas da Mega-Sena e ganhou o prêmio de R$ 24.409.476,19.

As dezenas sorteadas foram 12 – 32 – 40 - 47 – 48 – 59.

Ainda de acordo com a entidade que realizada o sorteio, 57 apostadores acertaram a quina e ganharão R$ 45.369,34 cada uma. Outros e 5.205 apostadores acertaram a quadra e levarão R$ 709,77 cada um.

A estimativa de prêmio para o próximo sorteio da Mega-Sena, que será realizado no próximo dia 20, é de R$ 2 milhões.

Entrevista da Professora Conceição Tavares a Carta Maior


Em entrevista exclusiva à Carta Maior, realizada pela jornalista Maria Inês Nassif, a professora Maria da Conceição Tavares defende que o dinheiro do petróleo das reservas do pré-sal seja investido num fundo destinado à Educação e Saúde, mas desde que o governo federal seja o gestor dessas políticas. Ela propõe ainda uma revisão do generoso municipalismo instituído pela Constituição de 1988. “Veja o que os municípios que ganharam royalties fizeram com o dinheiro. Nada”, afirma.

A economista Maria da Conceição Tavares tem 81 anos e adquiriu o direito de falar tudo o que pensa. E está longe de fazer isso com moderação. Na última segunda, em seminário promovido pelas fundações Perseu Abramo, do PT, Leonel Brizola, do PDT, Maurício Grabois, do PCdoB e João Mangabeira, do PSB, ela estava na primeira mesa, debatendo a crise mundial e os caminhos para o Brasil nesse momento histórico conturbado, que atingiu em cheio os países mais ricos. Com um pequeno intervalo para o almoço, foi para a primeira fila da plateia, com direito a intervir quando achava necessário nas exposições dos que a sucederam – muitos deles, seus ex-alunos na Unicamp, como Ricardo Carneiro e Marcio Pochmann.

Não é incomum, todavia, que esteja dialogando com ex-alunos, corrigindo-os ou emitindo juízos de valor sobre eles. A presidenda Dilma Rousseff também passou pelos bancos da Unicamp. “Foi uma aluna brilhante”, comentou no intervalo do evento, em uma entrevista exclusiva à Carta Maior.

Conceição, de origem portuguesa mas brasileiríssima, traz de Portugal o sotaque, ao qual incorporou a informalidade brasileira. Nesse arranjo linguístico, moldou uma linguagem dramática, onde os palavrões são imprescindíveis para fazer o interlocutor entender a gravidade do que está falando. Foi no estilo Conceição que falou à Carta Maior, sem evitar qualquer tipo de controvérsia.

“Deus me livre do Pré-Sal”, disse, no seminário. E depois explicou: os países exportadores de petróleo acharam que estavam deitados em “berço esplêndido” e não fizeram mais nada. Como na Venezuela. “O homem que está lá [Hugo Chávez] fez um pouco de política social, mas nenhuma política de desenvolvimento econômico”. Defende que o dinheiro do petróleo seja investido num fundo destinado à Educação e Saúde, mas desde que o governo federal seja o gestor dessas políticas. Aliás, ela propõe uma revisão do generoso municipalismo instituído pela Constituição de 1988, uma vitória das esquerdas que brigaram pelo fortalecimento de outras instâncias federativas por acharem que esse era um antídoto à tradição antidemocrática do Estado brasileiro. “Veja o que os municípios que ganharam royalties fizeram com o dinheiro. Nada.”

Petista desde sempre, a economista afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bom nas políticas sociais que empreendeu em seu mandato, na política de relações exteriores e exerceu o poder dentro de uma fortet noção de soberania, mas não foi nada bom na economia. No começo, diz ela, Lula não tinha outra alernativa a não ser fazer uma política econômica ortodoxa. Mas depois “deu muita confiança para o Palocci e para aquele presidente do Banco Central”. Dilma ganha nessa, porque tem uma equipe melhor e sabe o que está fazendo. Conceição também faz menção especial às “mulheres do Planejamento” — não apenas à ministra Deise Hoffman, mas a subsecretárias que, na sua visão, são “mulhres duras”. Abaixo, a íntegra da entrevista da economista à Carta Maior.

CARTA MAIOR: Na sua exposição, a senhora disse que `Deus me livre do Pré-Sal’. Por que o Pré-Sal pode ser tão ruim?

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES: País exportador de petróleo é um desastre total. Nenhum país que fez isso deu certo. Os países exportadores de petróleo se deram mal completamente. Veja México, Rússia e Venezuela. O petróleo é uma commmoditie muito instável, muito sujeita a especulações no mercado futuro. E como é muito lucrativo, o país reinveste e não faz mais nada, senão petróleo. Veja, por exemplo, a Venezuela. O homem que está lá [Hugo Chávez] há tantos anos, o que ele fez? Um pouco de política social, mas nenhuma política de desenvolvimento econômico. E a Rússia, tem o quê? Tem petróleo e armas — e isso não é muito legal.

Não estou dizendo que não se exporte petróleo, mas que não se fique nadando na riqueza petrolífera e que não deite em cima dela. Não acho que é um berço esplêndido. Não se pode deixar o petróleo contaminar as expectativas. O pessoal começa só a pensar em petróleo e não faz mais nada.

CARTA MAIOR: Não achar que é a loteria, né?

CONCEIÇÃO: Todos os países que têm petróleo acharam que ganharam a loteria.

CARTA MAIOR: Como se faz para prevenir isso? 

CONCEIÇÃO: Primeiro, não exportando apenas o petróleo bruto. Tem que fazer a cadeia toda: petroquímica, fertilizantes etc. E, ao mesmo tempo, fazer um fundo federal de petróleo para dar conta pelo menos da Educação e Saúde — e talvez Ciência e Tecnologia. Mas não se pode polvilhar o fundo. Não adianta ficar picando o fundo porque isso não resolve nada.

CARTA MAIOR: A briga federativa em torno do Pré-Sal, então, não é boa.

CONCEIÇÃO: Não, não é boa, simplesmente porque espatifa os recursos.

CARTA MAIOR: Os Estados impõem dificuldades a uma política nacional de desenvolvimento?

CONCEIÇÃO: Impõem, mas não podem impor. A Petrobras é uma empresa estatal, federal, e o governo federal não pode topar e permitir que cada um faça o que lhe dá na telha. Não dá para disputar os recursos todos. Isso não vai adiantar nada. O que a gente faz com o dinheiro dos royalties aqui [no Rio]? Nada. O que as prefeituras com recursos do petróleo fizeram? Nada. Jogam fora os recursos em gastos correntes e ninguém sabe no quê. Não deram prioridade à Educação ou à Saúde. Espatifar o fundo não pode. O fundo é federal, e os Estados e Municípios não dão conta de fazer nada. É preciso que se faça políticas federais de Educação e Saúde, agora mais orientadas estrategicamente. Senão não resolvemos essa brecha maldita que temos aí.

CARTA MAIOR: Os Estados e os municípios fracassaram como agentes de políticas de Educação e Saúde?

CONCEIÇÃO: Fracassaram. Os caras não pagam nada. Essa é uma ideia que veio erradamente, de que a descentralização melhorava a democracia. A esquerda tinha aquela ideia maluca de que um governo federal forte era coisa da ditadura, e quis desmontá-lo. E daí a descentralização.Mas a realidade é que o município não consegue gastar nem o que devria gastar nessas políticas. O estado em que se encontra nossa Saúde é uma vergonha. É uma vergonha o Estado em que estão nossos hospitais. Os Estados pegaram os hospitais federais e teve que voltar a ajudá-los, serão seria um descalabro. Tem que dar uma ajeitada na governabilidade, na gestão, na orientação estratégica do SUS e da Eucação. Essa ideia de que o ensino fundamental e o secundário não dizem respeito ao governo federal é uma besteira. Os Estados e municípios sequer pagam nem aos professores, e a primeira política para melhorar a educação é pagar bem osprofessores. Treiná-los e pagá-los bem.

CARTA MAIOR: O governo federal desempenharia melhor essa função?

CONCEIÇÃO: Mas é evidente. Os programas estaduais e municipais de saúde não prestam para nada. É fundamental que a Saúde não seja estadualizada ou municipalizada. Pelo menos os hospitais de referência e as redes integradas de Saúde não podem depender dos prefeitos.

CARTA MAIOR: E a política de desenvolvimento e industrialização, como se faz?

CONCEIÇÃO: Tem que fazer um monte de coisas. Tem que fazer Ciência e Tecnologia, tem que fazer o PAC, que é o programa de infraestrutura, mas com encomendas do setor público para integrar as cadeias. Tem que forçar a barra em cima das multinacionais automobilísticas, de eletroeletricos, fármacos e química fina para que aumentem o coeficiente de nacionalização, que está muito baixo. E tem que olhar um pouco esse câmbio, que está muito ruim. Mas tem que olhar o câmbio com cuidado. Não se pode simplesmente fazer uma maxidesvalorização, pois isso seria provocar um choque inflacionário. Isso tem que ser progressivo: você baixa os juros e o câmbio vai subindo.

CARTA MAIOR: Existe um piso para os juros? É possível reduzir muito os juros com a poupança indexada?

CONCEIÇÃO: Pode baixar os juros o tanto que você quiser. O juro não é para a poupança, mas para a especulação e para o rentismo. A poupança é para os pobres. Não é possível manter uma taxa de juros tão disparatada quanto a nossa.Assim é impraticável. Uma maneira de combater o défici público é baixar os juros. Praticamente todo o déficit do Brasil é com juros. Nós temos superávit primário. O déficit nominal é todo resultante de juros. Tem que baixar. Estamos numa situação de ampla liquidez mundial e com taxas de juros mundiais praticamente a zero.

CARTA MAIOR: Que chances o Brasil tem de sair melhor dessa crise mundial?

CONCEIÇÃO: Boas. Essa crise tem uma coisa ruim, talvez seja mais pesada porque é mais prolongada. Mas temos um mercado interno grande em crescimento, o governo está fazendo uma política correta de salário mínimo, porque ela tem puxado os de baixo. As chamadas novas classes médias resultam do fato de que o grosso das remunerações dos salários no país estão em torno do mínimo. No governo Lula, houve um aumento de 60% no mínimo, o que resultou num aumento cavalar do poder de compra.
O poder aquisitivo do salário mínimo tem que ser mantido. Não me venham com essa história de que a Previdência vai ter problemas, porque isso é bobagem. A Previdência vai ter problemas quando terminar a folga demográfica, o que vai acontecer só daqui a 10, 18 anos. Esse é um problema da distribuição de renda que é muito importante para o desenvolvimento.

CARTA MAIOR: E a balança comercial?

CONCEIÇÃO: Tem que forçar a barra das multinacionais. Elas estão abindo e importando. Claro que também tem o câmbio, que precisa ser mexido, mas isso não basta. Como eles estão mal, em crise, querem exportar para cima da gente. Daí começa uma invasão de importados que pode piorar o mercado. O cenário externo, desse ponto de vista, pode piorar a situação externa. A gente tem que ficar atento. E tem que estimular o investimento privado na cadeia produtiva porque o investimento público está indo bem.

CARTA MAIOR: O período que o país está vivendo tem paralelo em nossa história?

CONCEIÇÃO: Não tem nada parecido com isso, pois passamos anos e anos, antes disso, em hiperinflação.

CARTA MAIOR: Qual a avaliação que a senhora faz do governo Dilma?

CONCEIÇÃO: O Lula, no começo de seu governo, dadas as condições do país, foi de fato obrigado a fazer uma política econômica ortodoxa, mas depois ele deu uma confiança muito grande para o Palocci e aquele cara do Banco Central, que era um conservador de marca maior. Aí ele fez mal. Lula é muito bom para a política social, para a política externa, na ideia de soberania, mas essa coisa de economia ele não dá muita bola. A Dilma tem uma boa equipe econômica, inclusive as mulheres do Planejamento – aquelas mulheres são duras pra burro. Elas é que estão tocando a braços o PAC. Tem uma quantidade de mulheres duras nas subsecretrias que eu vou falar.

CARTA MAIOR: Na economia, então, Dilma está ganhando?

CONCEIÇÃO: Existe mais capacidade gerencial no Ministério do Planejamento e maior preocupação em fazer uma macroeconomia mais favorável ao crescimento, mais preocupação com o planejamento a longo prazo, e mais preocupação em fazer uma política econômica mais favorável ao crescimento. Essa é a diferença. O resto não tem diferença nenhuma.

CARTA MAIOR: A impressão que dá é que tem uma equipe econômica mais coesa, não é?

CONCEIÇÃO: É, pois é.

CARTA MAIOR: No governo Lula você tinha a política econômica de um lado e a política monetária de outro, é isso?

CONCEIÇÃO: É isso. Porque a presidenta é uma economista e uma gerentona. Nós temos uma presidente que é do ramo, e isso ajuda para burro. Eu sei porque ela foi minha aluna, ela é um brilho, ela é brilhantíssima. Além de ser firmona. Eu estou otimista, claro, frente à desgraça mundial. Eu posso estar nadando de braçada não estando, não é? Este ano, podemos chegar a 3% de crescimento, no ano que vem também não deve dar muito, mas você encaminhando os eixos estruturais do desenvolvimento, você tem condições de enfrentar bem a crise e ficar mais autônoma. E depois tem todos os recursos naturais, a possibilidade de fazer energia limpa etc.

Após seis meses, Plano Brasil Sem Miséria localiza 407 mil famílias em extrema pobreza

Meta da busca ativa até 2013 é encontrar 800 mil.

Ao completar seis meses, o Plano Brasil Sem Miséria (BSM) já localizou 407 mil famílias em situação de miséria. Assim, a busca ativa atinge mais de metade da meta de localizar 800 mil famílias extremamente pobres até 2013 e incluí-las no Cadastro Único de Programas Sociais. Dessas, 325 mil já recebem o Bolsa Família. Os resultados foram apresentados no evento de assinatura de compromisso com os governadores do Centro-Oeste, na sexta-feira (16), pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. 

O Plano tem apoio dos 26 estados e o Distrito Federal (DF). Oito estados - Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo - e o DF estão integrando seus programas de transferência de renda ao Bolsa Família, o que complementa o benefício para 3,5 milhões de pessoas.

Bolsa Família

O Bolsa Família incluiu 1,3 milhão de crianças e adolescentes, por causa da ampliação de três para cinco benefícios por família para filhos de até 15 anos.

Outra novidade é a criação dos benefícios à gestante e nutriz. Hoje, 92 mil nutrizes e 25 mil gestantes recebem benefício de R$ 32 do Bolsa Família. As medidas fizeram com que o valor médio do benefício passasse de R$ 96 para R$ 119,83. A localização e inclusão no Cadastro Único das famílias extremamente pobres são feitas por meio da busca ativa, o que possibilita que elas passem a ser beneficiárias das diversas ações do BSM, como programas de transferência de renda, de inclusão produtiva e acesso a serviços públicos.

Serviços públicos

O acesso aos serviços de saúde, educação e assistência foi ampliado. O programa Mais Educação priorizou ações para 5,3 mil escolas com maior número de beneficiários do Bolsa Família. Com isso, um milhão de alunos serão beneficiados.

Na saúde, o governo priorizou a instalação de 2.122 novas unidades básicas em áreas com maior concentração de extremamente pobres. O plano contabiliza ainda a formação de 563 novas equipes do Brasil Sorridente, cem novas unidades móveis de atendimento odontológico e a entrega de 239,5 mil próteses dentárias. Também foram criadas mais 427 equipes do Saúde da Família.

Foram criadas 1.132 equipes volantes nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e inaugurados 197 Cras. Trinta e quatro municípios foram selecionados para construção de novos Cras e 27 novos Centros Especializados da Assistência Social (Creas).

Centro-Oeste adere ao Brasil Sem Miséria

Governadores do Distrito Federal, de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul assinaram na sexta-feira (16) o Pacto Centro-Oeste do Plano Brasil Sem Miséria. O termo de compromisso, com ações voltadas a 557.449 pessoas que vivem com renda mensal de até R$ 70, conclui a agenda de pactos regionais de superação da extrema pobreza.

Os governos de Goiás e Mato Grosso vão integrar seus programas de transferência de renda ao Bolsa Família. Os dois estados concentram 70% da população em extrema pobreza da região, com um total de 390.358 pessoas.

Em Goiás, a complementação de renda será feita a todas as famílias que permaneçam com renda per capita inferior a R$ 70, mesmo com o recebimento do Bolsa Família. Em Mato Grosso, o programa Panela Cheia será voltado para mais de 130 mil pessoas em situação de extrema pobreza. Em 2012, o governo estadual deverá investir R$ 10 milhões para complementar a renda dos beneficiários do Bolsa Família que continuarem abaixo dos R$ 70 per capita mensais. Até 2014, o total investido deverá chegar a R$ 30 milhões.

O governo do Distrito Federal (GDF), que já faz a complementação de renda das famílias extremamente pobres, assinou uma reestruturação do programa Vida Melhor. Pelas novas regras, a complementação do benefício será feita às famílias beneficiárias do Bolsa Família que, mesmo após o recebimento do repasse federal, continuem com renda per capita mensal inferior a R$ 100.

39 vezes mais!

Por Selvino Heck*

“Como está desempregado, meu marido vai pegar caranguejo. É uma vida muito dura. Parentes nos ajudam e, ainda assim, a família toda não faz todas as refeições todos os dias”, diz Paula Fernanda de Lima, que vive numa favela de Recife com seu marido desempregado e oito filhos. Ela também está sem trabalho; o sustento da família sai dos R$ 134 do Bolsa Família.

Duas manchetes recentes são ilustrativas dos resultados do Censo/2010 do IBGE sobre a realidade brasileira: “Os mais pobres só ficam com 1,3% da renda – Enquanto os mais ricos abocanham 42,8%” (O Globo, 17.11.11). “Ricos têm renda 39 vezes maior que a dos pobres – Dados mostram que desigualdade social ainda persiste no país, mesmo após incremento dos programas de transferência de renda” (Estado de São Paulo, 17.11.11). 

Como dizem os jornais, na divisão do bolo, os 10% dos domicílios do país com os rendimentos mais elevados são donos de 42,8% do total dos ganhos. Na outra ponta, apenas 1,3% dos ganhos pertence a 10% dos que possuem os menores rendimentos. Na média, o rendimento do topo da pirâmide social brasileira é de R$ 9.051, mais de 3.000% acima da média do rendimento dos mais pobres, que estava em R$ 295 em 2009/2010.

Ou seja, como diz Vandeli Guerra, consultora do IBGE, o nível de concentração dos rendimentos no Brasil é elevado, especialmente quando se observam as diferenças entre as regiões. Mas, sabemos, a distribuição ainda é pior que esta fotografada pelo Censo do IBGE. Os números divulgados envolvem a renda nos domicílios. Aí não estão as grandes fortunas, os investimentos no mercado financeiro, na Bolsa de Valores, o dinheiro depositado no exterior via of-shores e outras formas de esconder no exterior ganhos e lucros. 

Na verdade, ainda é um escândalo, para um país que é a sexta economia mundial, e está prestes a tornar-se a quinta. Houve, é verdade, avanços consideráveis nos últimos anos, a partir dos governos Lula e Dilma. O emprego formal, por exemplo, passou de 54,8% da população em 2000 para 65,2% em 2010, num crescimento superior a 10 pontos em todas as regiões brasileiras. As pesquisas por amostras de domicílio vêm mostrando ano a ano a redução do índice de Gini, que mede a desigualdade.

Os programas e ações do Fome Zero e outras tantas políticas do governo Lula voltados para a agricultura familiar e a economia popular solidária, os avanços nos programas de habitação popular e saneamento, o crédito facilitado para todos, o aumento real do salário mínimo enfrentaram o problema mais imediato da fome, criaram empregos e melhoraram a renda de brasileiros e brasileiras. Mas há ainda 16,2 milhões de brasileiras e brasileiras cuja renda familiar é de até R$ 70 por pessoa. Por isso, a presidenta Dilma lançou em 2011 o programa Brasil Sem Miséria. Como diz o slogan do governo federal, ‘País rico é País sem Miséria’. 

Mas tudo isso é insuficiente. Sem reformas estruturais, como por exemplo a reforma tributária, o imposto sobre grandes fortunas, que levem a uma distribuição de renda mais acelerada e efetiva, não há como enfrentar o fato de que, nos domicílios, um brasileiro ganhe 39 vezes que outro brasileiro, que alguém possa ter carros importados na garagem, mansões e casa na praia e outro um barraco de poucos metros quadrados, que à primeira chuva é inundado, que ainda poucos tenham acesso ao estudo e à cultura e milhões ainda sejam analfabetos.

Enquanto não se criar uma consciência nacional de que a péssima distribuição de renda é tanto uma questão de justiça quanto uma questão ética, é uma questão de democracia econômica e social e que o desenvolvimento, se quiser ser consolidado, precisa de eqüidade e fazer seus frutos chegar a todas e todos, as coisas não vão mudar na essência e a desigualdade brutal não vai tornar-se justiça social.

O retrato é o do momento. É de um país rico e com miséria. Como o Natal está aí às portas e um novo ano se avizinha, é hora de pensar, refletir e agir.

* Selvino Heck é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República

O novo Código Florestal

Por Edélcio Vigna

"O Código Florestal promove uma festa de incentivos econômico-financeiros: pagamento por serviços ambientais, novas linhas de crédito agrícola, programas de conversão de multas, isenção de impostos para insumos e equipamentos e anistia das multas ambientais."

O Substitutivo ao Código Florestal aprovado pelo Senado Federal não vem para proteger as florestas, mas a agricultura, em especial, a de exportação. Por isso, traz o espírito produtivista de uma modernização conservadora e não acompanha o avanço tecnológico e científico. As propostas estão estacionadas entre o século XIX e o XX, quando a revolução agroquímica verde promoveu um avanço na produtividade à custa de uma insustentabilidade ambiental.

Agora, a “revolução verde” retorna embutida nos diversos projetos de lei e de códigos, como o Florestal, para sustentar a indústria criminosa de agrotóxicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou que foram vendidos dez vezes mais agrotóxico que a área plantada, sem considerar o que é contrabandeado. Isso significa que o consumidor está sustentando o complexo agroquímico internacional e uma produção contaminada.

Esta irresponsabilidade para com o direito dos consumidores e da justiça tornou-se uma prática comum na moderna economia monetarizada, que não tem como base o princípio da precaução - se há incerteza científica, devem ser adotadas medidas técnicas e jurídicas para prevenir e evitar perigo de dano à saúde e ao meio ambiente. O economista François Chesnais afirma que “o período histórico em que estamos entrando será dominado pelo entrelaçamento entre as dimensões sociais e ecológicas das devastações provocadas pelo movimento de valorização do capital”. É neste contexto que se entende porque no novo Código Florestal existe tanto incentivo financeiro e econômico, tanto crédito, tanta isenção fiscal e de multas ambientais.

O texto ao instituir mecanismos de pagamento por serviços ambientais efetiva o mercado voluntário de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), que negocia títulos de carbono nas bolsas de valor. A criação desse mercado, que sofre resistência de diversos setores sociais por não ter regras internacionais, está sendo regido por uma estratégia de implementação junto aos proprietários que conduz a política de “fato consumado”.

O Código, também possibilita a obtenção de crédito agrícola com taxas de juros menores e limites e prazos maiores que os praticados no mercado; utilização de fundos públicos para concessão de créditos reembolsáveis e não reembolsáveis destinados à compensação, recuperação ou recomposição das áreas cujo desmatamento seja anterior a 22 de julho de 2008; as instituições financeiras concederão crédito agrícola para as propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural; Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal vão gerar créditos tributários que serão deduzidos da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

A lei implementará programas para conversão das multas destinado aos imóveis rurais que promoveram desmatamentos sem autorização até 22 de julho de 2008; as sanções e multas estabelecidas no Programas de Regularização Ambiental serão convertidas em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente; concederá isenção de impostos para os principais insumos e equipamentos, tais como: fios de arame, postes de madeira tratada, bombas d’água, trado de perfuração de solo, para recuperação e manutenção das áreas de preservação e de reserva legal. Essa isenção de impostos chega a ser ofensiva, pois insumos, como os agrotóxicos, já contam com redução de até 60% do ICMS e isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/Pasep e Cofins.

Os programas de compensação financeira aos proprietários que desmataram ilegalmente terão impacto junto aos recursos do Tesouro Nacional, pois há gastos administrativos que são executados pelo órgão competente. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estuda um decreto para transformar em advertência as multas das pequenas infrações ambientais de até R$ 2 mil, pois o custo de cobrança judicial de um processo é cerca de R$ 4.379,00. Como existem no órgão aproximadamente 115 mil processos o custo total para administrá-los é de R$ 503,9 milhões e destes somente R$ 2,4 milhões (0,48%) são arrecadados.

O argumento do relator de que “a inclusão de instrumentos (financeiros) inovadores, os quais poderão induzir a construção de uma nova consciência, (...)”, não corresponde ao moderno conceito de tomada de consciência sobre os direitos da Natureza em discussão na ONU. O Direito à Natureza, um novo conceito incorporado pela Bolívia na “Lei da Mãe Natureza”, conta com apoio de políticos e grupos sociais e significa uma redefinição de direitos.

O texto aprovado no Senado Federal, por ter sido modificado, retornará à Câmara dos Deputados que revisará o documento e votará as alterações realizadas. O acordo entre governo-ruralistas-base de apoio é forte politicamente e fraco socialmente. A sociedade tem demonstrado que não conhece a proposta, que leis que afetam o futuro do país devem ser mais bem discutidas e com tempo de maturação e apreensão de toda população. O tempo dos ruralistas de plantar, colher e comercializar, não é o tempo da sociedade que deseja um ambiente socialmente saudável e alimentos seguros e não contaminados.

O Comitê de Florestas, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Associação Brasileira de Ciência (ABC) a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras organizações que defendem os direitos socioambientais, entre elas o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), continuarão a pressionar os parlamentares e recorrendo ao senso de justiça democrática da presidenta Dilma Rousseff.

A Privataria Tucana - Jorge Furtado


Terminei de ler o extraordinário trabalho jornalístico de Amaury Ribeiro Jr., A Privataria Tucana, (Geração Editorial), o livro mais importante do ano. Para quem acompanha a vida política do país através de alguns blogs e da revista Carta Capital, não há grandes novidades além dos documentos que comprovam o que já se sabia: a privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república.

O grande mérito do livro de Amaury é a síntese que faz da rapinagem, e a base factual de suas afirmações, amparadas em documentos, todos públicos. Como bom jornalista, Amaury economiza nos adjetivos e esbanja conhecimento sobre o seu tema: o mundo dos crimes financeiros.

A reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país. De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.

Protagonistas

Os personagens principais da maracutaia, fartamente documentada, são gente do alto tucanato: Ricardo Sérgio de Oliveira (senhor dos caminhos das offshores caribenhas, usadas pela turma para esquentar o dinheiro), Gregório Marin Preciado (sócio de José Serra), Alexandre Bourgeois (genro de José Serra), a filha de Serra, Verônica (cuja offshore caribenha, em sociedade com Verônica Dantas, lavou pelo menos US$ 5 milhões), o próprio José Serra e o indefectível Daniel Dantas. Mas o livro tem também informações comprometedoras sobre o comportamento de petistas (Ruy Falcão e Antonio Palocci), sobre Ricardo Teixeira e sobre vários jornalistas.

A quadrilha de privatas tucanos movimentou cerca de US$ 2,5 bilhões, há propinas comprovadas de US$ 20 milhões, dinheiro que não cabe em malas ou cuecas. O livro revela também o indiciamento de Verônica Serra por quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros e traz provas documentais de sua sociedade com Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, numa offshore caribenha.

“Privataria Tucana”: 30 mil cópias vendidas em 48 horas


O livro “Privataria Tucana” do jornalista Amaury Robeiro Júnior foi lançado na semana passada. Todas as 30 mil cópias de primeira edição foram vendidas em 48 horas. Um sucesso editorial incomum no Brasil, mas que recebe como reconhecimento o silêncio dos grandes veículos de mídia brasileiros.

Uma das razões deve ser o fato de que a história devenda as “ligações perigosas”. Nosso amigo, Fernando Brito, devendou algumas delas como a ligação entre a filha de José Serra, Verônica Allende Serra, com JP Morgan e a Citco, empresa sediada no Caribe.

Vejam:
“Os bons negócios do JP Morgan com Verônica Serra e com o homem da Citco, a empresa do Caribe”:http://www.tijolaco.com/os-bons-negocios-do-jp-morgan-com-veronica-serra-e-com-o-homem-da-citco-a-empresa-do-caribe/

Confira o top 20 do ranking nacional de clubes atualizado pela CBF

1.º Palmeiras, 2.366
2.º Santos, 2.358
3.º Vasco, 2.234
4.º Grêmio, 2.208
5.º Flamengo, 2.207

6.º Corinthians, 2.197
7.º Internacional, 2.111
8.º Cruzeiro, 2.114
9.º São Paulo, 2.109
10.º Atlético-MG, 2.080

11.º Botafogo, 1.846
12.º Fluminense, 1.841
13.º Coritiba, 1.588
14.º Bahia, 1.586
15.º Goiás, 1.556

16.º Guarani, 1.547
17.º Sport, 1.539
18.º Portuguesa, 1.446
19.º Atlético-PR, 1.428
20.º Vitória, 1.392

Prêmio Betinho anuncia vencedores da edição de 2011

No início de dezembro foram anunciados os vencedores da quarta edição do Prêmio Betinho – Atitude Cidadã. Foram 28 contemplados de diferentes municípios brasileiros, sendo que cinco deles são ainda os vencedores da categoria regional do prêmio. A iniciativa é uma realização do COEP Nacional e da Rede Mobilizadores, e tem como objetivo valorizar as pessoas que praticam no dia a dia a luta contra a fome e a promoção da cidadania. O prêmio é uma homenagem ao sociólogo Herbert de Souza, um dos fundadores do COEP. 

A exemplo dos anos anteriores, as ações realizadas pelos candidatos vencedores tiveram diversos focos, desde ações de assistência, capacitações para geração de emprego e renda, até a promoção do desenvolvimento sustentável de comunidades e a preservação do meio ambiente. 

Os candidatos foram indicados pelos integrantes da Rede COEP, formada por organizações de 27 estados e 29 municípios, escolhidos pelas ações sociais que desenvolvem diretamente ou por meio de organizações parceiras. Cerca de 34 mil pessoas votaram no prêmio, entre os dias 9 de agosto e 25 de novembro.

Os vencedores receberão um troféu, e o objetivo do Prêmio, de acordo com o presidente do Coep, André Spitz, não é estabelecer uma comparação entre os candidatos, mas dar visibilidade às muitas iniciativas de transformação social que acontecem de Norte a Sul do país. 

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Encerram-se dia 23/12 as Inscrições para os Cursos da Escola de Formação do SARES


Até dia 23 de dezembro do presente ano estarão abertas as inscrições para os cursos da Escola de Formação Sócio-Política do SARES. Contando com dois cursos:

  • CURSO DE FORMAÇÃO PARA AÇÃO SOCIAL - FAS - curso livre voltado para o aprofundamento da prática social e política dos participantes das organização populares e movimentos sociais que atuam em Manaus, destinado a pessoas com nível escolar médio; e
  • CURSO DE FORMAÇÃO PARA INTERVENÇÃO POLÍTICA - FIP - Especialização em Ética e Política, que busca promover uma formação que se reflita numa atuação incisiva no quadro político da sociedade amazonense.
A Escola de Formação Sócio-Política do SARES já conta com mais de 5 anos de atuação em Manaus e nos municípios do interior, buscando auxiliar no aprimoramento analítico e prático de pessoas envolvidas e engajadas nas lutas sociais.

Os cursos são destinados às pessoas que já tenham um histórico de participação sócio-política e, portanto, será solicitada a indicação do candidato por parte de uma associação, sindicato, partido político, pastoral, etc.

Clique no link para baixar os formulários de inscrição dos cursos da Escola de Formação Sócio-Política:

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