O Fato ou Fake, serviço de checagens do Grupo Globo, preparou uma cobertura especial para verificar as declarações feitas pelos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) durante o debate da TV Globo na sexta-feira (23). Uma equipe de mais de 30 jornalistas trabalharam em conjunto para dar agilidade ao processo, sem abrir mão do rigor na apuração.
O Fato ou Fake checa debates desde as eleições de 2018, ano em que o serviço foi lançado. O mesmo aconteceu nas disputas de 2020, 2022, 2024 e, agora, em 2026.
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
O vídeo publicado no perfil oficial de Flávio Bolsonaro no Instagram na noite desta sexta-feira (23), ainda durante o debate, é a versão editada do trecho de uma live transmitida por Jair Bolsonaro, pai do candidato, em 18 de março de 2021. Foram cortados 30 segundos da transmissão original, disponível no canal do YouTube do ex-presidente e consultada pelo Fato ou Fake.
Na fala suprimida, Jair Bolsonaro mencionou que havia "dezenas de milhares de médicos que são favoráveis ao tratamento inicial [contra a Covid-19]". Além disso, àquela altura da pandemia, a campanha de vacinação já tinha começado.
Na versão divulgada nesta sexta no canal de Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro aparece falando: “Você passou mal, tá com um pouco de dor de cabeça, dor nos olhos, um pouco de febre, resfriado, vai para o médico imediatamente. E milhares de pessoas tem se socorrido com esse tratamento inicial, e dão um testemunho que se curaram. O apelo que eu faço aí, para quem é contra, sem problemas. Se tu começar a sentir um negócio esquisito lá, tu segue a receita do ministro Mandetta. Você vai pra casa, quando você tiver... [momento em que imita a pessoa engasgando com falta de ar] você vai para o hospital. Mandetta, o cara quando sentir falta de ar vai para o hospital fazer o quê? Para ser entubado. Meu Deus do Céu”.
O Fato ou Fake consultou o trecho exato daquela live de 18 de março de 2021, disponível no canal do YouTube de Jair Bolsonaro e verificou que, nos 30 segundos suprimidos na versão publicada no Instagram de Flávio Bolsonaro, o pai dele disse: “Existe, eu não sei se está dividido ou não, mas, gente, são quase em torno de 500 mil médicos no Brasil e tem dezenas de milhares de médicos que são favoráveis ao tratamento inicial. A gente vê na declaração nas mídias sociais, tal cidade, tá? Não tem, há tantos meses ou tantas semanas, não tem ninguém que foi hospitalizado. Então, isso é uma maneira de você observar o que está acontecendo”. Assista aqui à transmissão original: https://www.youtube.com/watch?v=xVWLlFdRNt8.
Além disso, não é verdade que não existia vacina contra o coronavírus, como alegou o candidato no debate desta sexta. A campanha teve início em São Paulo em 17 de janeiro daquele ano, com aplicação da CoronaVac, que havia sido autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No dia da live, segundo dados do consórcio dos veículos de imprensa, o Brasil registrou 2.659 mortes por Covid-19, chegando ao total de 287.795 óbitos.
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O benefício chegou a R$ 600, em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, mas por decisão do Congresso Nacional. Segundo a Câmara dos Deputados, o Bolsa Família pagava, em média, cerca de R$ 189 em 2021, antes de ser substituído pelo Auxílio Brasil.
A primeira etapa do aumento teve iniciativa de Bolsonaro. De acordo com a Câmara, a Medida Provisória 1.076/2021, editada pelo então presidente, criou um complemento para que as famílias recebessem ao menos R$ 400. Após aprovação do Congresso, a medida deu origem à Lei 14.342/2022, que tornou esse valor permanente.
A elevação de R$ 400 para R$ 600, por outro lado, veio por uma emenda aprovada e promulgada pelo Congresso. A Emenda Constitucional 123, de 14 de julho de 2022, estabeleceu um adicional de R$ 200 apenas de agosto a dezembro daquele ano. Por ser uma emenda constitucional, não precisava de sanção de Bolsonaro nem estava sujeita a veto presidencial.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, em 17 de setembro de 2026, a 17 dias do primeiro turno, o governo Lula anunciou uma atualização de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos a partir de 19 de outubro. A pasta informa que é a primeira correção pela inflação desde a reformulação do programa, em 2023, e recompõe o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março daquele ano e agosto de 2026.
Fonte: G1.

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