Em 16 de janeiro de 1970, uma jovem mineira de 22 anos entrou num bar da região central de São Paulo usado como ponto de encontro de militantes. Dilma Vana Rousseff, nascida em Belo Horizonte e conhecida pelo codinome Estela, integrava a VAR-Palmares, organização de luta armada contra a ditadura. Saiu dali presa.
Levada à Operação Bandeirantes (Oban), foi torturada por 22 dias seguidos, como denunciou à Justiça Militar ainda em 1970.
Em depoimentos ao longo da vida, descreveu pau de arara, choques elétricos, palmatória, socos, fome e frio. Sobre os choques, resumiu: "Uma dor que não deixa rastro, só te mina".
Em janeiro de 1972, foi transferida para Juiz de Fora (MG) para responder a um processo militar.
Segundo depoimento dado em 2001 ao Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais e revelado em 2012 pelo jornal Estado de Minas, voltou a ser torturada e passou quase um mês isolada numa cela. "Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu", contou. De volta a São Paulo, segundo ela, um capitão do DOI-Codi terminou de arrancá-lo.
Condenada por subversão, ficou no Presídio Tiradentes, na ala chamada Torre das Donzelas. Em novembro de 1972, o Superior Tribunal Militar reduziu a pena e mandou soltá-la, após dois anos e dez meses atrás das grades.
Em 2008, já ministra, ouviu de um senador que teria mentido nos interrogatórios. Respondeu: "Mentir sob tortura não é fácil, porque aguentar a tortura não é fácil". E completou: "Não se dialoga com pau de arara ou choques elétricos".
Em 2014, como presidente, chorou ao receber o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.
Um pedido de reparação, feito em 2002, ficou suspenso a pedido dela enquanto ocupou cargos públicos e foi negado em 2022. Em 2025, a Comissão de Anistia a reconheceu como anistiada política e o TRF-1 garantiu o direito a reparação mensal.
Em 27 de outubro de 2026, o Ministério dos Direitos Humanos fixou um valor de R$ 17.562,80 por mês, baseado no salário da Fundação de Economia e Estatística do RS, de onde foi exonerada por perseguição política, além de R$ 6,6 milhões retroativos a 1997, descontados os valores já pagos.

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