TANCREDO NEVES: Presidente eleito que nunca assumiu.


Tancredo de Almeida Neves, 74 anos, nascido em São João del-Rei (MG), foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, com 480 votos contra 180 de Paulo Maluf.

Seria o primeiro civil a governar o Brasil depois de 21 anos de ditadura militar. Nunca chegou a assumir o cargo.

Desde meados de 1984, Tancredo sofria com fortes dores abdominais e escondeu o problema. Temia que a ala mais dura dos militares usasse a doença para barrar a transição.

Aconselhado a se tratar, teria dito: “Façam de mim o que quiserem, depois da posse!”

Na noite de 14 de março, véspera da posse, passou mal durante uma missa em Brasília e foi levado às pressas ao Hospital de Base, cuja UTI estava em obras.

Antes de aceitar a cirurgia, exigiu a garantia de que o vice, José Sarney, seria empossado. Sarney assumiu no dia 15 e leu o discurso que Tancredo havia escrito.

Os boletins mudavam a cada dia: primeiro apendicite, depois divertículo de Meckel, depois diverticulite.

Anos mais tarde, veio à tona que a peça retirada era um leiomioma, um tumor benigno infectado, e que a palavra “tumor” foi evitada para não causar pânico.

Em 25 de março, o fotógrafo Gervásio Baptista registrou Tancredo sentado num sofá, ao lado da esposa, Risoleta, e da equipe médica. A imagem deveria acalmar o país.

Horas depois, ele sofreu uma grave hemorragia. No momento da foto, havia sondas no corpo do presidente eleito durante o clique, e uma enfermeira segurava o soro atrás do sofá.

Transferido para o Incor, em São Paulo, passou por sete cirurgias no total, duas em Brasília e cinco na capital paulista. Já debilitado, teria dito: “Eu não merecia isso”.

Morreu em 21 de abril de 1985, Dia de Tiradentes, aos 75 anos, após 38 dias de internação. Mais de dois milhões de pessoas acompanharam o cortejo.

Em 2010, o historiador Luís Mir concluiu, com base em documentos e depoimentos, que Tancredo foi vítima de sucessivos erros médicos.

Em 2012, os filhos pediram à Justiça acesso aos registros do atendimento.

Post de Anaisa Sampaio.

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