José Ricardo não usou “Bolsa Universidade” da Aleam e reduziu o gasto com Verba Indenizatória: uma economia de R$1 milhão

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Após cobrar transparência da Presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) na aplicação dos recursos públicos, o deputado estadual José Ricardo Wendling (PT) prestou contas da economia de seu mandato nesses seis anos de trabalho na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), com o não uso da "Bolsa de Universidade" e a utilização equilibrada da Verba Indenizatória, concedida a todos os parlamentares para despesas como material expediente, aluguel de carros, escritório.

Ao abrir mão da "Bolsa" para seus assessores, José Ricardo economizou cerca de R$500 mil de 2011 a 2016. No dia 12 de novembro de 2015, o deputado apresentou Projeto de Resolução nº 42/2015 para extinção deste benefício, visto que, naquele momento, o então, presidente da Casa Legislativa, deputado Josué Neto estava adotando medidas para redução de custos devido a crise econômica nacional.

"Protocolei um Projeto para pôr fim a esta Bolsa, porém, até hoje ficou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) parado, engavetado. Hoje o novo presidente quer extingui-la, mas este mesmo parlamentar ficou como relator desta proposta na CCJ. Acho bom ele ter tomado esta iniciativa, mas a pergunta é: por que não deu parecer favorável quando teve a oportunidade? Vai extinguir por causa da cobrança do Ministério Público de Contas? ", observou ele. 

Já com a Verba Indenizatória, o parlamentar economizou R$535 mil, durante o mesmo período, por entender que deve gastar somente o que for necessário, e não todo o montante disponibilizado aos parlamentares. "Temos que ter zelo com os recursos públicos, é a população que paga. Por isso, precisamos fazer uso somente do valor que, de fato, for útil para o exercício do mandato. Esse dinheiro economizado ficou na Assembleia Legislativa para ser aplicado para melhorar o serviço do Parlamento", expôs. Em 6 de outubro de 2015, José Ricardo protocolou um Memorando nº 282/2015 para reduzir em 30% a Verba e em 10% os salários dos deputados e diretores da Casa.

EXTINÇÃO DO "AUXÍLIO-PALETÓ" 

Extinto em 2013, o 14º e 15º salários o chamado "auxílio-paletó" dos deputados também foi uma proposta de iniciativa do deputado José Ricardo, - que não utilizava o benefício -, mas teve aprovação na Aleam somente depois que o Congresso Nacional decidiu dar fim a esta benesse.

“Esse tipo de privilégio caiu por conta da pressão da sociedade que quer um parlamento a serviço da população, e não, um lugar para os parlamentares se aproveitarem para ganhar benefícios que nem mesmo o trabalhador ganha”, disse ele.

Fonte: Assessoria de Comunicação

Juiz suspende nomeação de Moreira Franco feita por Michel Temer


A Justiça Federal do Distrito Federal suspendeu, nesta quarta-feira (8), por liminar, a nomeação de Moreira Franco para a Secretaria-Geral da Presidência, com status de ministro. Na decisão, que responde a uma ação popular movida por estudantes da Universidade de Brasília, o juiz Eduardo Rocha Penteado lembra que a nomeação ocorreu três dias após a homologação da delação dos executivos da Odebrecht, na qual Moreira Franco é citado várias vezes. Com a nomeação, ele teria foro privilegiado.

Na liminar, o juiz Eduardo Rocha Penteado cita que a nomeação de Moreira Franco, que deixa de ser o secretario do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), responsável pelas privatizações, viola o princípio republicano, definido no artigo 1º da Constituição Federal. O princípio, diz ele, “não convive, por menor que seja o espaço de tempo (periculum in mora), com o apoderamento de instituições públicas para finalidades que se chocam com o padrão objetivo de moralidade socialmente esperado dos governantes”.

Moreira Franco foi delatado pela Odebrecht por supostamente receber propinas nas concessões dos aeroportos. Ele também é investigado na Operação Cui Bono, que investiga fraudes nos empréstimos da Caixa Econômica Federal.

Moraes se anuncia e Temer confirma: vai para o STF.

PCC comemorou!
O porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, informou que o presidente GOLPISTA Michel Temer indicou nesta segunda-feira (6) o ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para desmoralizar de vez a principal corte da REPÚBLICA DE BANANAS! 

Com a indicação, Alexandre de Moraes será submetido a uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em seguida, se a comissão aprovar o nome do ministro, a indicação terá de ser votada pelo plenário do Senado.

Vítima de perseguição implacável e sem provas.


Em nota pública, o Conselho Nacional de Saúde (CNS), entidade que congrega médicos, pesquisadores, cientistas e outros atores ligados à Saúde Pública no país, manifestou "tristeza" pela morte prematura de dona Marisa Letícia e "constrangimento": "morreu após uma cruel e ininterrupta campanha de difamação e calúnia(..). A nota, impactante do seu início ao fim, é assinada pelo presidente da entidade, Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Leia na íntegra.


ADEUS, DONA MARISA

A morte de Marisa Letícia Lula da Silva nos entristece e nos constrange.

A tristeza tem sua origem na interrupção precoce de uma vida dedicada às causas populares, à construção de uma sociedade democrática e solidária, à luta, ao lado do marido, Luiz Inácio Lula da Silva, por um Brasil melhor e mais feliz.

O constrangimento diz respeito às circunstâncias: Dona Marisa, uma mulher simples, honesta, uma primeira-dama discreta e que representava o Brasil de todos, morreu após uma cruel e ininterrupta campanha de difamação e calúnia contra ela, o marido e os filhos - sem que uma única prova material tenha sido apresentada ao País.

Nós, do Conselho Nacional de Saúde, desejamos em vontade, preces e orações, que a história de vida de Dona Marisa e, agora, sua memória sirvam de exemplo e lição sobre as tristes consequências da luta política sem regras, sem escrúpulos, sem humanidade.

Desejamos ao ex-presidente Lula e sua família que superem esse momento de luto e sigam em frente, com dignidade e disposição para a luta.

Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS)

Coreia do Sul: O país onde os professores podem se transformar em celebridades.

Cha Kil-yong faz um penteado antes de sua aula

Cha Kil-yong é conhecido como Mr. Cha. Ele parece um ator famoso ou uma estrela pop mas, na verdade, ele é um professor de matemática, o mais famoso da Coreia do Sul.

Cha usa roupas extravagantes, perucas e faz caretas enquanto ensina equações complicadas. Tudo para entreter e motivar os estudantes.

Quando não está dando aulas, pode ser visto junto com outros ídolos dos sul-coreanos, como uma cantora pop com quem gravou uma música que pedia que os alunos sorrissem enquanto se preparam para a grande prova de suas vidas: o KSAT, exame para qual os alunos estudam intensamente durante três anos e que pode abrir as portas das universidades do país, determinando assim o futuro de todo adolescente.

Cha Kil-young, ou Mr. Cha, não poupa estratégias para suas aulas de matemática online, usando até fantasias

Professor e rei

Na Coreia do Sul os professores estão entre os membros mais respeitados da sociedade. Um provérbio antigo afirma que o professor e o rei têm o mesmo status, e outro garante que ninguém deveria sequer pisar na sombra de um professor.

Os estudantes mais talentosos querem entrar nas cobiçadas faculdades de magistério, que selecionam os melhores entre milhares de candidatos.

Cha, por exemplo, fez fortuna em apenas seis anos, ensinando em uma escola particular online que conta com 3 milhões de jovens inscritos, que pagam cerca de US$ 22 por mês (cerca de R$ 70) para assistir suas aulas de matemática.

Obsessão nacional

A Coreia do Sul é um dos países da Ásia que frequentam os primeiros lugares dos rankings globais de educação, como as provas do PISA, por exemplo.

O país tem um dos sistemas de educação mais bem-sucedidos do mundo em termos resultados, mas também um dos mais severos.

Na Coreia do Sul muitos jovens estudam desde as 8h da manhã até as 11h da noite e os pais gastam fortunas com escolas particulares.

"Há 60 anos quase 80% dos sul-coreanos eram analfabetos", conta Sian Griffiths, editora do jornal britânico Sunday Times e apresentadora do documentário da BBC. "Hoje a Coreia do Sul é um gigante econômico. E eles conseguiram isto através da educação."

Com isso, a sociedade e as famílias consideram o sucesso acadêmico algo primordial para a vida dos jovens e para o futuro do país. E para conseguir isso eles estão dispostos a fazer grandes sacrifícios.

Estudantes na Coreia do Sul

Aula depois da aula

Depois de terminar as seis ou sete horas que passam na escola, a maioria dos estudantes sul-coreanos vai estudar mais horas em bibliotecas ou academias particulares noturnas, chamadas hagwon, que são parte fundamental da gigantesca indústria de educação do país.

Estas hagwon usam os "professores estrelas" para atrair mais alunos. São tão populares e competem de um jeito que o governo teve que intervir e legislar que as hagwon deveriam parar com as aulas às 10h da noite.

Mas, mesmo com este limite de horário, muitos alunos continuam estudando em casa ou voltam para os colégios, que podem continuar abertos até a meia-noite.

"Descobri que me ajuda muito repassar no colégio o que aprendi no dia. A biblioteca perto de casa abre até as 10h da noite, por isso, se quero estudar mais, volto ao colégio e fico até meia-noite."

Neste dia, depois da escola, Chan participou de uma sessão de estudos de cinco horas na biblioteca local, mas antes teve que ficar em uma fila, pois a entrada estava muito concorrida.

O pai trabalha longe da família durante a semana para pagar os estudos de Chan.

"Da perspectiva ocidental, é um sacrifício enorme. Mas na Coreia, se separar da família para poder pagar a educação dos filhos é muito comum", disse Young Chan.

A ideia de que se você não tem sucesso nos estudos não terá na vida exerce uma pressão enorme nos jovens sul-coreanos.

Portanto, diante desse cenário, os professores "popstar" como Mr. Cha podem continuar construindo um império graças à obsessão nacional pelos resultados acadêmicos.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38693025?ocid=socialflow_twitter

DONA MARISA E A IDEIA DO AMOR - Por Carlos Santiago*


O amor é a grande evolução do espírito humano. Sem o amor reina o ódio, a inveja e a intolerância, já dizia Plantão antes de Cristo. Hoje a maior doença da humanidade é a doença da alma, nem mesmo a melhor medicina encontrou a cura, de acordo com o filósofo Byung Chul.

O caso dos médicos que divulgaram e zombaram da situação grave da Dona Marisa Letícia é um exemplo que nem sempre a instrução e a formação superior nas melhores facultades traduzem a evolução do espírito, ao contrário, reflete uma doença da alma que se manifesta no ódio e na falta de humanidade. 

Tenho divergência de ideias e de ética com muitos políticos e colegas de profissão, mas jamais deixo que o meu impulso desumano vença o meu otimismo de acreditar numa sociedade mais humana, justa e fraterna. 

* Sociólogo, advogado e Cientista Político.

Seduc convoca 1.389 aprovados em concurso de 2014.

Show seduc

A Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) anunciou a convocação de 1.389 aprovados no Concurso Público de 2014 para os cargos de professor, pedagogo, assistente técnico, merendeiro, assistente social, fonoaudiólogo, contador, engenheiro, estatístico, nutricionista, psicólogo e bibliotecário, para a Capital e interior. Confira as listas abaixo.










Os convocados no Concurso Público do interior devem procurar, a partir da próxima segunda-feira, 6 de fevereiro, o atendimento nas coordenadorias regionais, munidos dos documentos obrigatórios. Já o atendimento aos convocados da Capital será entre os dias 6 e 8 de fevereiro no Centro de Formação Padre José de Anchieta (Cepan), localizada na avenida Waldomiro Lustoza, 250, Japiim 2, Zona Sul de Manaus, obedecendo o seguinte cronograma:
  • Dia 6 de fevereiro, das 8h às 12h - professores (20h e 40h); assistente social; contador; engenheiro; estatístico; fonoaudiólogo; nutricionista e psicólogo.
  • Dia 7 de fevereiro, das 8h às 12h - pedagogo (20h e 40h)
  • Dia 8 de fevereiro, das 8h às 12h - assistente técnico e merendeiro.
Veja a documentação necessária:

Os convocados devem apresentar os seguintes documentos obrigatórios para a posse (o original e mais três cópias):

·RG (Registro Geral);

·CPF (Cadastro de Pessoas Físicas);

·PIS/PASEP (comprovante de extrato ou cópia da carteira de trabalho);

·Carteira de Trabalho;

·Título de Eleitor;

·Comprovante de Quitação Eleitoral ou Declaração de Quitação Eleitoral (último pleito – 2016 – 1º e 2º Turnos);

·Certificado Militar (para homens);

·Comprovante de Residência atualizado (Água ou Telefone);

·Extrato de Conta Corrente (somente Bradesco);

·Comprovante de Escolaridade (Diploma);

·Histórico Escolar;

·2 Fotos 3x4 (recentes);

·Certidão de Fóruns criminais dos locais onde tenha residido nos últimos 02 (dois) anos, das Justiças Federal e Estadual (site do Tribunal de Justiça Estadual e site do Tribunal de Justiça Federal – com autenticação gerada pelo site);

·Certidão de Antecedentes Criminais emitido pela Polícia Federal (site da Polícia Federal - com autenticação gerada pelo site) e Polícia dos Estados onde tenha residido nos últimos 05 (cinco) anos – Obs: No Amazonas, a certidão da Polícia Civil deverá ser emitida nos dip’s ou nos PACs;

·Documentos de Pós-Graduações, Mestrado, Doutorado (caso o candidato possua).

Fonte: http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/seduc-convoca-1-389-aprovados-em-concurso-de-2014-confira-as-listas-completas

Maior cruzeiro já registrado chega à Manaus


Depois de viajar por mais de seis mil quilômetros, o navio M/S Queen Victoria atracou no Porto de Manaus na manhã desta quarta-feira, 25, já quebrando recordes: além de ser o maior navio de todos os tempos a ancorar na capital amazonense, a organização do cruzeiro pretende também conquistar o recorde de maior navio de extensão a cruzar os rios Negro e Solimões. 

Com 294 metros de comprimento, trazendo 2.681 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, o navio é a oitava embarcação a chegar na Temporada de Cruzeiros 2016/2017. Os turistas foram recepcionados por equipes da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) e da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult). Na ação, foram distribuídos brindes como colares do artesanato indígena e informativos turísticos.


Ainda no receptivo, o cantor de toadas Prince do Boi fez um show especial aos turistas que desembarcaram no Porto. Além disso, uma placa de boas-vindas foi entregue ao navio. Outros órgãos e instituições também estiveram presentes, como a Polícia Militar, Polícia Turística, empresas locais de turismo e o Instituto Amazônia, que possui um espaço dedicado no Porto para garantir o conforto dos recém-chegados.


Do mundo para Manaus

Embora o M/S Queen Victoria seja de origem britânica, várias nacionalidades estavam presentes no navio. Vindos do México, por exemplo, Teresa e Sergio são mãe e filho, que embarcaram juntos nesta viagem. "Essa é minha segunda vez no Brasil, mas a primeira em Manaus. Eu gosto muito do país e estou louco para conhecer a floresta, museus e, claro, o Teatro Amazonas", contou Sergio. A mãe, também, não escondeu a empolgação: "Ganhei a viagem como presente de aniversário e sou muito grata pelo convite. Estar aqui é uma experiência única, e já é um dos melhores momentos da minha vida", afirmou.

Justiça bloqueia até R$ 4 milhões do ministro Blairo Maggi e mais 8.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) discursa na sessão da votação do processo de impeachment da presidente Dilma no Senado, em Brasília (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

A Justiça de Mato Grosso determinou, terça-feira (9), o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e de outras oito pessoas acusadas de usar dinheiro público para comprar uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para beneficiar o ex-deputado estadual Sérgio Ricardo, que também é reu na ação. A decisão tem caráter liminar e é cabível de recurso.

O ministro disse, em nota, ter ficado surpreso com a decisão, pois não houve nenhum fato novo no processo que tramita na esfera federal, no qual era investigado pela mesma nomeação, e alegou consciência tranquila. "Estou pronto para prestar todos os esclarecimentos à Justiça e, recorrer da medida, por entender não ter sido justa a decisão proferida, ainda que liminarmente", declarou.

Na mesma decisão, o juiz da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular, Luiz Aparecido Bortolussi Júnior, determinou o afastamento de Sérgio Ricardo do cargo de conselheiro do TCE-MT. Sérgio Ricardo e o TCE-MT informaram, por meio de assessoria, que ainda não foram notificados da decisão.

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2017/01/justica-bloqueia-ate-r-4-milhoes-do-ministro-blairo-maggi-e-mais-8.html

O efeito nefasto da lei da mordaça - Por Eliane Juraski Camillo*


Minha reflexão de hoje é sobre um dos temas que são objeto de minha atenção ultimamente: os intelectuais e sua importância na atual conjuntura sócio-político-econômica brasileira, marcada pelo conservadorismo e pela supressão de direitos trabalhistas e sociais. Há algum tempo atrás, andei lendo Gramsci e, partindo de seu pensamento, pude tirar algumas conclusões frutíferas sobre o assunto, as quais vinham ao encontro das minhas interrogações. Segundo ele, contrariando um pensamento recorrente de um grande número de pessoas – as quais eu me incluía – intelectual era aquela pessoa inteligente, entendida em algum assunto, com elevado grau de instrução e, impreterivelmente, que usasse terno e gravata. Aliás, permitindo-me um aparte, quão curioso é o fato de que, em nossa sociedade, qualquer pessoa bem trajada, ainda mais com terno e gravata, é logo associada a uma pessoa de inteligência e caráter, alguém em quem se pode confiar. Um intelectual.

Pois bem. Gramsci afirma que o mundo não está cindido entre intelectuais e não intelectuais e, vai mais longe, declarando que qualquer mortal poderá vir a sê-lo, mesmo os que não chegam a vestir um terno. O pensador italiano vaticina que existem duas possibilidades de existência de intelectuais: uma que já é preexistente, já está dada e corresponde justamente aquele percentual de pessoas que descrevi acima, bem instruídas.

A outra parcela, porém, é criada organicamente dentro de cada ramo de atividade, ou seja, cada categoria cria seus intelectuais. E, nessa perspectiva, não apenas as profissões que exigem maior tirocínio mental terão seus intelectuais, mas também aquelas que se caracterizam por um maior esforço manual criarão a sua elite intelectual.

Sim, pasmem, os intelectuais não são oriundos apenas das camadas que desempenham funções intelectuais, mas os trabalhadores manuais também criam seus intelectuais, afinal de contas, nenhuma atividade, por mais repetitiva e desprovida de reflexão que seja, exige um mínimo de raciocínio. Sem contar que, fora de seu exercício laboral, toda pessoa exerce ou pode exercer outras funções que exigirão tomadas de decisões, posicionamentos que, em maior ou menor grau, confluirão para a construção de uma visão de mundo, onde alguns valores são preferidos; outros, preteridos.

Tudo isso me foi fantástico. Ler Gramsci permitiu-me romper com aquela ideia burguesa, seletiva, excludente de que somente os “bem-educados”, os “bem-nascidos” poderiam ser intelectuais. Sim, os trabalhadores braçais, historicamente desprovidos de maior fulgor em seu fazer, também podem ser intelectuais. Também têm a possibilidade de converterem-se em sujeitos históricos concretos pela difusão do seu saber.

Contudo, satisfeita com a (nova) possibilidade, me inquietava ao constatar que os “grandes homens” estão em extinção no nosso tempo líquido. Se mais pessoas têm a possibilidade de serem intelectuais, cadê eles? Onde estão os grandes autores? Os que anunciam novas (e consistentes) teorias e ideias à humanidade? Pois, ao que me parece, salvo algumas poucas exceções, continuamos ainda a seguir, aprender, discutir, ensinar e repassar visões de mundo há muito passadas, sendo que o mundo e suas perguntas muito têm mudado ultimamente. Onde estão os novos intelectuais que darão conta disso?

Ora, juntando o que Gramsci escreveu com o que tenho lido de Foucault, consigo deslindar o intelectual contemporâneo e o seu papel. Foucault diz que o intelectual universal, que descrevi acima e do qual tenho sentido falta, é mesmo um tipo raro em nossos dias, em função de que o mundo está em um estado avançado de acumulação de conhecimento e, sobretudo, porque vivemos realidades complexas e multifacetadas, as quais não podem ser abarcadas por apenas uma ou algumas teorias. A realidade sempre desborda, sempre é mais, sempre tem mais variáveis do que se supõe à priori.

No lugar do intelectual universal surge o intelectual específico, aquele que, em seu recorte espacial/geográfico, na sua prática diária, é capaz de enxergar os acontecimentos com outros olhos, não com o olhar apressado de quem precisa passar pela superficialidade dos acontecimentos em nome da necessidade de trabalhar, trabalhar, trabalhar; mas aquela pessoa dotada de uma dose extra de sensibilidade, que consegue ver a luz de nosso tempo sem deixar-se cegar por ela, visualizando também os pontos obscuros, as penumbras.

Em outras palavras, quem tem a fineza de espírito para perceber as limitações, as potencialidades e, principalmente, aquele que arrisca transformar as limitações em possibilidades de futuras potencialidades e o que percebe nas potencialidades futuras limitações. Esse novo intelectual, felizmente, poderá ser qualquer pessoa. Um trabalhador braçal também, recordo. Poderá não ter o fulgor dos então “grandes homens”. Poderá não ter um séquito de seguidores/bajuladores. Talvez suas conjeturas tenham aceitação de um mínimo número de pessoas. E, certamente, encontrará sérias dificuldades em pôr em prática o que pensa, devido a amarras globais. Mas, mesmo assim, não deixará de ser um intelectual e sua contribuição revolucionária não será minorada.

Diante disso, me vem à mente a singularidade da figura do/a professor/a como intelectual específico, o qual, nos dias de hoje, mesmo diante de toda sorte de desvalorização, mesmo diante da bravata da Lei da Mordaça, a qual, ao contrário do que anuncia, objetiva instaurar a escola de apenas um partido (o hegemônico, obviamente), com efeito nefasto sobre a autonomia e a voz docente, já que tem o intuito, inclusive de criminalizar aqueles cuja atuação seja um antídoto para o analfabetismo político; é ainda ele/a, salvo todas as imposições advindas dos órgãos hierarquicamente superiores, que faz, no “chão da sala de aula”, a educação. E, mesmo intimidado por essa racionalidade que o país está imerso, desacreditado, em muitos ensejos, pelos adolescentes/jovens por não mais corresponder à única fonte de conhecimento, já que este se encontra à mão de qualquer mortal, democratizado em seu acesso; é ainda o professor que influencia, marca, convive com o adolescente/jovem e tem sobre ele alguma (grande) influência. E o que este intelectual específico precisa, hoje, não é dar respostas, dizer o que deve ser feito. Tampouco “conscientizar” alguém. Deve, sim, perceber-se nas teias de poder nas quais está enredado, enxergando que, o que precisa mudar na educação – assim como na sociedade – não é o regime de verdades vigente, mas o processo pelo qual algo se torna ou não verdade, para que então a história escrita nos livros, lida, estudada, aprendida e repassada não seja apenas a história dos vencedores, mas as várias histórias, as múltiplas versões, para que cada um possa perceber qual é a sua história. Qual o/a limita e qual tendo como estandarte é possível avançar.

* Doutora em Educação pela UFSM de Santa Maria-RS.

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