Fundos regionais investem 16% mais até junho e R$ 7,9 bi são aplicados com foco no fim da miséria

Produção em regiões pouco dinâmicas terão cerca de R$ 18 bi neste ano dos Fundos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nos primeiros seis meses de 2011, os Fundos Constitucionais de Financiamento aplicaram R$ 7,9 bilhões em projetos de desenvolvimento regional - 16,1% mais do que no primeiro semestre de 2010 (R$ 6,8 bilhões). Um maior direcionamento de recursos dos Fundos para atendimento às pequenas empresas e à agricultura familiar vão ao encontro das prioridades do Brasil Sem Miséria.

Na comparação dos dois períodos, o número de operações deste ano (263,5 mil) é 12,1% maior que em 2010 (235 mil). De acordo com os bancos administradores dos Fundos, a previsão de investimentos em 2011 é de cerca de R$ 18 bilhões - valor superior ao aplicado em 2010 (R$ 17,6 bilhões).

Na avaliação do secretário de Fundos Regionais e Incentivos Fiscais do Ministério da Integração Nacional (SFRI), Jenner Guimarães do Rego, a saída da extrema pobreza passa pelo emprego e empreendedorismo, como prevê as estratégias de inclusão produtiva no campo e nas cidades. Mas a estratégia não se limita ao crédito. “A assistência e o apoio técnico à qualificação do empreendedor devem ser buscadas com antecedência”, diz.

O investimento feito pelo Fundo do Centro Oeste (FCO) foi o que apresentou a maior variação entre os primeiros semestres de 2010 e 2011: 28,4%, aplicando R$ 2,2 bilhões em 35,5 mil contratos de janeiro a junho de 2011. O Fundo do Nordeste (FNE) contratou R$ 4,5 bilhões, em 210 mil operações. E, em 17,6 mil operações, o Fundo do Norte (FNO) emprestou R$ 1,2 bilhão, 21,5% mais do que no 1º semestre de 2010. As micro e pequenas empresas recebem 51% dos recursos, com prioridade às que faturam menos de R$ 2,4 mil, e há um tratamento especial para os empreendimentos no semiárido. As cooperativas rurais e urbanas são também público alvo.

Emprego

A concessão de crédito dá prioridade à geração de emprego. O financiamento é dirigido a negócios intensivos em mão de obra e capazes de atrair uma cadeia de suprimentos e serviços, que gera novas vagas e mercado para os pequenos empreendedores. “É importante observar que mesmo um empreendedor individual emprega, muitas vezes, alguém da família ou um amigo próximo”, diz Rêgo.

De acordo com o secretário, a meta não se confunde com a simples geração de emprego, mas na mudança de patamar econômico, que é obtido com investimentos na indústria e agricultura. Na avaliação do secretário, há setores que demandam grande quantidade de mão de obra, aquecem a economia, mas não a transforma. “A rigor, comércio, serviços e construção civil respondem ao aquecimento da atividade econômica e não o contrário”, diz. 

Recursos são da União

Operados por meio de instituições financeiras regionais, os fundos criados pela Constituição de 1988, são formados por 3% da arrecadação do Imposto sobre a Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), transferidos anualmente do Tesouro Nacional, por meio do Ministério da Integração Nacional. Os fundos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste são administrados, respectivamente, pelo Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e Banco do Brasil.

Desses percentuais da arrecadação, o FNE fica com a parcela de 1,8% e os outros dois - FNO e FCO - ficam com 0,6% cada um. O objetivo estratégico é reduzir as desigualdades regionais do País na produção da riqueza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"BALA MATA FOME?" "Mataram um estudante. Podia ser seu filho".

No fim da tarde de 28 de março de 1968, centenas de estudantes se reuniam no Calabouço, um restaurante popular no centro do Rio de Janeiro. ...